terça-feira, 30 de outubro de 2007

ASSASSINARAM A LÍNGUA

Pelo menos é o que se percebe, tanto nos jornais, outdoors e outras peças publicitárias. Quando se comete um pequeno deslize no texto publicitário, diz-se que ou é liberdade criativa, ou foi proposital ou foi mesmo um mero deslize de quem se debate tanto em cima dele, que isso chega até mesmo a cegar. Se for apenas um deslize, o erro pode ser consertado, mas se for uma falta de revisão, ou desconhecimento da área, aí realmente é uma “mancada” grande. Um texto com dupla interpretação só funciona se for intencional, se for por engano, as conseqüências podem ser desastrosas.
O que se vê atualmente é um atropelamento da língua portuguesa. A língua - coitada - já sofreu tantas anomalias, incorporações, estrangeirismos e etc., que bem poderíamos chamá-la de língua brasileira, isso porque ela já adquiriu uma forma própria ao se misturar com os dialetos indígenas e africanos, ficando tão dinâmica que mantêm há muito, certa distância da língua-mãe. Mas ainda sim, em nome da liberdade criativa não se pode sair “matando a pau” a gramática e assassinando a língua. O texto publicitário pode ser criativo, mas sem barbarismos e tiros gramaticais a “queima-roupa”.
A linguagem publicitária tem certas permissividades, mas sem exageros. Comunicação é clareza, não precisa linguagem rebuscada não, desde que se entenda o sentido da mensagem, então está tudo bem. Todo texto tem que comunicar alguma coisa para alguém ou a um público em particular, respeitando isto, cabe por a alma para que ele realmente convença.
Você está me entendendo, não?
Se não? Vou então escrever em português arcaico, quem sabe voltando às origens, a gente desfaça essa torre de Babel.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

JUNTANDO CAQUINHOS PARA COSTURAR

Hoje resolvi juntar meus cacos. Comecei pelas minhas lembranças, as fotos que marcaram meus momentos prediletos.
A primeira turma do trabalho.
Os amigos da universidade.
Os textos antigos, as poesias e até um livro de catequese que ganhei da minha mãe quando tinha 10 anos de idade.
O namoro, o casamento
O cão de estimação.
O primeiro carro.
O nascimento dos filhos.
O dia-a-dia de seus crescimentos.
Conclui que a vida é isso, uma colcha de retalhos feita de grandes momentos.
Também recordo as derrotas, os sonhos não realizados e as lições tiradas deles.
Caí muitas vezes, mas só caí porque estava tentando subir.
Gosto de ver o álbum de fotografias, muito melhor do que as fotos em CD-rom. O álbum é mais família, um pedaço da minha vida. Fotografias nos revelam muito, e cada uma delas é parte desse quebra-cabeça que forma a história da pessoa. Você tem uma história, junte cada caquinho, vá costurando sua colcha de retalhos, no fim, verá como ela é diferente de todas as outras, que é multicolorida e que, o tom da sua vida é pintado por estes pedaços que são só seus. Recolha-os e boa costura!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

NOSTALGIA É BOM PARA A HISTÓRIA

Ter saudade do que passou é saudável, a doença é querer viver o hoje como o ontem ou pior, viver no ontem, aí não dá.
Então viva o mp3, o ipod, o notebook, o computador, a internet, o controle remoto e o celular.
Viva os amores de hoje, os de ontem e o que virá.
Saudade boa é a da infância, da escola, da universidade, do chamego de mãe, dos filhos bebês, das festinhas na juventude.
No entanto, viva os primeiros fios de cabelos brancos, viva os óculos necessários, viva a fadiga do dia trabalhado e viva o descanso do domingo. Viva a Pizza com a família e a visita aos amigos.
O que vale mesmo é o hoje, o ontem foi importante para se chegar aqui e, se isso é a nossa meta de vida, vivamos o hoje para fazer o nosso amanhã ainda melhor.
Nostalgia é coisa boa quando relembra momentos felizes, se não, deixe apenas para constar na história.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

OS DINOSSAUROS EXISTEM!

Muitas vezes me pergunto o que é envelhecer?
Seriam as rugas deixadas pelo tempo, o crescimento dos filhos, as mudanças de valores ou o desuso de idéias antes tão vanguardistas e hoje demodée.
Como todas as pessoas normais, o publicitário também envelhece. Um designer gráfico por exemplo, fica velho quando:
Se agarra a uma tipologia e não quer usar mais outra, não busca conhecer novos programas, lê pouco, não fomenta suas idéias, tem saudades da prancheta, não acha nada feito pelos outros, bacana e, acredita que o mercado idolatrará para sempre seu estilo.
Caros amigos jurássicos, tudo no mundo avança; a tecnologia, as filas de banco (lentamente para o caixa e mais rapidamente no fim), a dor nas costas, a primeira visita ao proctologista, a queda de cabelos, a barriga, a falta de paciência, o desconto acima da média que o cliente quer, e por aí vai. Além disso, há uma enxurrada de profissionais no mercado todos os anos, por isso, a experiência tem que valorizar os novos talentos, e quando isso não ocorre, os velhos publicitários viram ilhas nesse mar.
É fácil reconhecer um dinossauro da velha era. Ele freqüenta os mesmo lugares de seus tempos dourados, você olha anúncios e outdoors e reconhece a sua marca, ele já não é citado como referência e vive de contar as glórias do passado, principalmente em mesa de bar.
Mas não se desespere, ainda há salvação para esta espécie em extinção, conecte-se com o mundo ao seu redor, é a única saída e, se você dormir no ponto, amanhã pode acordar um dinossauro, se isso acontecer, te visito no museu.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

CRIATIVO OU EXECUTOR, O QUE VOCÊ É?

Existe um dilema na vida dos chamados “criativos” ou como se costuma dizer “os pais da criança”, quem é que tem o mérito do trabalho, quem concebe a idéia ou quem faz com que ela aconteça? Quem simplesmente pensou em algo ou quem pesquisou, comparou, experimentou e por fim encontrou a solução ou a melhor forma de executar?
A mim perguntaram o que eu fazia melhor; ilustrar, elaborar o designer, criar, roteirizar ou colorir. Francamente, a questão da polivalência é coisa do passado, gosto mesmo é de dar pitaco. Porém, pitacos relevantes, se não for para acrescentar, melhor sair de fininho. Sou mais de indicar o caminho, engrossando o filão dos que defendem que “nada é bom o bastante que não possa ser melhorado”.
Em inúmeras vezes, as pessoas que trabalham nos bastidores não recebem os elogios, as palmas, os louros devidos, quem sempre aparece é o criativo. Não é preciso ser criativo e executor, a parceria, “as duas cabeças que pensam melhor que uma” é o caminho certo para o sucesso.
Hoje em dia se fala muito em polivalência, o super profissional que entende e faz de tudo um pouco. Contudo, quem faz tudo sozinho corre o risco de não saber se auto-avaliar, e daí estagnar-se. É preciso compartilhar, manter parcerias. Sim, é necessário conhecer os processos, mas ser especialista em um deles é primordial, senão, você será como pato – nada, voa e caminha, mas em todos, desajeitadamente.
Não há regras precisas, criar em parceria é sempre bem melhor, afinal para serem “os pais da criança” é preciso ter dois ou já há idéias criativas assexuadas?

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

O ABUSO PASSOU DA CONTA

Ultimamente temos aceitado tudo, o saco do brasileiro está bem maior do que o do Papai Noel, querem ver?
Vou começar pela famigerada CPMF, quem inventou teve até boa intenção, reduzir vários impostos e deixá-la com imposto único, o que, aliás, virou o imposto “mais um”, uma manobra de quem? Políticos. Porém quem paga a (Contribuição “Permanente” sobre Movimentação Financeira) nunca viu a Saúde funcionando, estradas boas ou coisa que o valha. Pra se andar em estrada boa, o país tem que vender trechos para empresas privadas administrarem, que vergonha, e aí, você tem que pagar pra andar nelas. E os impostos que sempre se pagou a vida toda, não eram para garantir boas estradas? Antes este imposto era provisório e agora é permanente? Quer dizer que 40 bilhões vão mudar a educação, a saúde que seja? Creio que não, mas se isso tornar o Brasil num país desenvolvido em igualdade e cidadania para todos, me acordem, deve ser sonho. O ditado é certo, “dê a vara e não o peixe” ensine como pescar, dar o peixe basta para o hoje, mas a fome volta amanhã. Chega desse paternalismo eleitoreiro de bolsa isso ou aquilo. O povo merece dignidade e não essa mendicância.
Lamento mais a visão é clara até para quem não é quiromante ou adivinho, o país não quebra sem a CPMF, não quebrou antes dela e nem vai quebrar depois que ela se for. Afinal, até em tetas, o leite acaba, e nem por isso as crias morrem de fome.
Mas não é só isso, têm ainda os empréstimos compulsórios, radares arrecadadores de multas (tantos os fixos como os móveis), IPVA, taxa de iluminação, taxa abertura de crédito, de limpeza pública, taxa de segunda via, taxa de emissão de extrato, taxa disso, imposto daquilo. Coloque na ponta do lápis e chore meu amigo, bem-vindo ao fundo do poço.
Que tal inventar o ISPD (imposto sobre pedidos a Deus), TDMU (taxa de deslocamento em meio urbano), nem vou ficar dando idéias, é capaz de levarem a sério e criarem o TSLP (taxação sobre o livre pensamento).
Mas, voltando às vacas frias, sabe onde acabam todos os tributos que se paga? Lá no bolso dos deputados que juram de pés juntos estarem defendendo o interesse do povo, (digo deles). Os políticos sérios são vencidos pelas manobras, infelizmente.
Quer saber da mais nova? Agora estão querendo implantar um chip nos carros para acompanharem trajeto, velocidade (como se já não controlassem, tem sempre um sensor escondido em alguma esquina, ou em algum lugar). Esse chip enviaria um sinal para antenas espalhadas pela cidade e estas para os computadores para gerarem mais multas para quem literalmente sair da linha. Já ouviu falar em liberdade vigiada? É isso.
Será que ainda pode se falar em “liberdade” num lugar onde o cidadão trabalha cerca de três a quatro meses só para pagar “impostos”? Veja só o significado da palavra, não é algo de consenso, é algo imposto, ou seja, empurrado goela abaixo e, tudo o que é imposto a alguém, priva esta pessoa de recusar, debater ou ponderar. O que quer dizer que somos escravos de leis cruéis, pois as vantagens ou os benefícios oriundos desses tributos que deveriam voltar para a população somem num ralo chamado “déficit público”. Sabe por que se chama essa avalanche de impostos de carga tributária? Porque quem leva carga é burro, e é nisso que querem nos transformar. Será que ainda se pode dizer um palavrão após uma topada sem ter que pagar alguma taxa? Shhhhi...melhor falar baixo, as paredes têm ouvidos, mas as da Câmara e as do Congresso são surdas, mas só para nós.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

FRENTE FRIA

O bom de uma agência de publicidade é o clima. Mas não falo da temperatura, e sim do calor humano. Mesmo porque nesta época do ano não há ar-condicionado que chegue, imagine que resfrie. Essa camaradagem entre as pessoas é que é legal e muitas vezes resulta em boas e descontraídas gargalhadas advindas de brincadeiras despretensiosas. Mas voltando ao clima de camaradagem, numa dessas manhãs em que o sol das nove horas já está mais quente que o do meio dia, uma amiga comentou que o calor de Teresina estava de rachar asfalto e que até defunto está pedindo em testamento para ser enterrado embaixo de uma árvore. Ela falou que bem poderia vir uma frente fria para Teresina, ao que prontamente respondi “só ficando pelado em frente a geladeira e com a porta aberta”, a gargalhada foi geral,"Só assim minha amiga, você terá literalmente uma frente fria.” É por isso que eu amo esta cidade, é sol, suor , cerveja e cajuína o ano todo, com exceção dos dias de chuva e das “frentes frias”.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

DIA DE CÃO

Às vezes me pergunto o que é pior, muito trabalho por fazer ou pouco tempo para executar? Não que não goste de muito trabalho, o problema é o prazo. É certo que em publicidade sempre se trabalha com a faca no pescoço, ou melhor, no fio da navalha. Redator, design, editor e outros mais, vivem na corda bamba dos prazos, e ainda vem sempre um engraçadinho para dizer “ o cliente quer isso pra ontem”. Às favas com ele, não se trabalha com o ontem, somente com o hoje e o amanhã, não pode haver resultados em operação tapa buraco, no mínimo, o remendo sairá pior que o soneto e aí o prejuízo será bem maior. Acredito que se o dia tivesse mais de vinte e quatro horas, ainda assim faltaria tempo pra fazer tudo o que se quer ou pelo menos ao que se propõe, dormir por exemplo, publicitário não dorme, ele sonha com soluções e tem pesadelo com prazos exíguos.
Há dias em que sofremos bem mais do que um cão vadio, por pior que seja o dia do dito cão. Comer o pão que o diabo amassou, levar uma vida de cão, matando cachorro a grito, é algumas das situações nesta sofrida vida de (pobre) + citário. Mas tal como o cliente se dá por satisfeito por uma campanha que lhe traga resultados, o publicitário vive de um ego vitaminado por reconhecimento (eu prefiro a inversão, grana no bolso e ego vazio).
Mas no fim, depois de trabalhar mais que um jumento, tudo o que sobra é o salário no fim do mês e um tapinha nas costas, e tenha certeza de uma coisa, neste mundo cão, isso é bem melhor que uma pedrada.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

É BATATA!

Você já deve com certeza ter ouvido a expressão “feijão com arroz”.
Tem gente inclusive que não abdica disso de seu cardápio, se tiver um ovo estrelado pra fazer companhia, então a “bóia” é da boa.
Se você nunca experimentou essa iguaria, então sinto muito, mas tem alguma coisa errada nas suas preferências gastronômicas. Feijão com arroz é a nossa segurança do dia-a-dia, por isso, quando se tem dúvida de que uma coisa possa dar certo ou errado, então só há uma saída, apelar para o “feijão com arroz”. É batata! Funciona mesmo.
É a tal coisa, pode até não ser o “crème de la crème” mas resolve, tipo assim, chavão, papai- mamãe, pretinho básico, bate-enxuga.
Em publicidade às vezes é necessário recorrer a esta fórmula, as pessoas dizem que é uma coisa muito batida, no entanto, um bom “feijão aparto” tem segredos no preparo, se carregar em demasia ou suavizar nos ingredientes você perde o ponto. Em propaganda é assim, ou se faz bem feito ou é melhor não fazer, pois quando resultado não agrada, tanto no feijão quanto na publicidade, a dor é grande, enquanto o primeiro dá dor de barriga, a segunda dá dor de cabeça. Comece sempre pelo básico, afinal feijão com arroz nunca matou ninguém.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

BREGA, MAS COM ESTILO

Essa mania de dizer que roupa não influi no comportamento das pessoas é uma balela. Antigamente e olha que sou antigo, usava muito o estilo engomadinho. A calça tinha aquele vinco no meio de tão bem passada, a camisa de mangas compridas era contraste com o clima de montanha de Teresina. Com o tempo, passei a usar camisa pólo, hoje já estou meio descolado (entenda-se aquelas camisetas cheias de símbolos com frases em inglês e calças largas cheias de bolsos que às vezes não servem pra nada).
Mudar o vestir implica em mudar de comportamento e, pra falar a verdade, nem sei que estilo visto hoje em dia, já que, ser moderno é combinar vários estilos e dizer que o que está na moda é não ter estilo algum, que vestir-se bem é uma coisa atemporal e é exatamente aí que está o novo estilo (compreendeu!?!). Pois bem, duvido que alguém vá para uma reunião com cliente usando o seu estilo “descolado” e “atemporal”, dependendo do perfil deste, você vai se trajar a contento, pois sua cara é a cara do seu negócio e, se seu negócio não tem cara, o cara nem vai querer saber de você.
O barbear-se, prender o cabelo, colocar uma roupinha melhor, ainda é o básico. E como a reação das pessoas é sempre uma incógnita, não abuse. Aquele ditado ainda vale muito, a primeira impressão, mesmo errada é difícil ser desfeita. Você pode até ser brega, mas por Deus, tenha estilo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

VIOLENTADO

Era tarde da noite, eu estava dormindo, acho que naquele estágio que a gente costuma chamar de terceiro sono. O quarto estava iluminado por uma tênue luz azulada vinda do abajur, foi aí que tudo aconteceu, senti que alguma coisa se apoderava do meu corpo, abri os olhos e não a vi, senti apenas o seu calor, subindo dentro de mim, tirando o meu fôlego e me fazendo tremer nas bases.
Um suor inexplicável acometeu-me e então ela tornou-se violenta e agressiva, quis gritar mas a voz não saía, estava completamente dominado, então reunindo forças não sei de onde, pulei da cama e corri pelo corredor tentando escapar daquele pesadelo.
Ela me perseguia, não importava o quanto eu corria. Em meio aquele desepero pensei e conclui que aquilo era apenas um sonho, um sonho nada bom. Mas num lampejo de fúria ela me fez voltar a realidade, e ali eu me entreguei, não mais resisti, pois era inútil lutar.
Depois daquela relação turbulenta, um banho relaxante me acalmou, no entanto, depois daquela noite nunca mais a esqueci.
Seu nome: diarréia.