terça-feira, 30 de outubro de 2007

ASSASSINARAM A LÍNGUA

Pelo menos é o que se percebe, tanto nos jornais, outdoors e outras peças publicitárias. Quando se comete um pequeno deslize no texto publicitário, diz-se que ou é liberdade criativa, ou foi proposital ou foi mesmo um mero deslize de quem se debate tanto em cima dele, que isso chega até mesmo a cegar. Se for apenas um deslize, o erro pode ser consertado, mas se for uma falta de revisão, ou desconhecimento da área, aí realmente é uma “mancada” grande. Um texto com dupla interpretação só funciona se for intencional, se for por engano, as conseqüências podem ser desastrosas.
O que se vê atualmente é um atropelamento da língua portuguesa. A língua - coitada - já sofreu tantas anomalias, incorporações, estrangeirismos e etc., que bem poderíamos chamá-la de língua brasileira, isso porque ela já adquiriu uma forma própria ao se misturar com os dialetos indígenas e africanos, ficando tão dinâmica que mantêm há muito, certa distância da língua-mãe. Mas ainda sim, em nome da liberdade criativa não se pode sair “matando a pau” a gramática e assassinando a língua. O texto publicitário pode ser criativo, mas sem barbarismos e tiros gramaticais a “queima-roupa”.
A linguagem publicitária tem certas permissividades, mas sem exageros. Comunicação é clareza, não precisa linguagem rebuscada não, desde que se entenda o sentido da mensagem, então está tudo bem. Todo texto tem que comunicar alguma coisa para alguém ou a um público em particular, respeitando isto, cabe por a alma para que ele realmente convença.
Você está me entendendo, não?
Se não? Vou então escrever em português arcaico, quem sabe voltando às origens, a gente desfaça essa torre de Babel.

Um comentário:

Jeane Melo disse...

Olha, essa tal de língua portuguesa às vezes faz umas pegadinhas com gente. Apronta mesmo! Mas assassiná-la já é demais. Ô povo vingativo!

Bjs, lindo!