terça-feira, 16 de dezembro de 2008

ENTÃO É NATAL!

Final de ano, paz, amor, espírito de natal, Presentes.
Presentes!?
Taí, que bem poderia estar presente no meu bolso um 13° salário polpudo.
Mas a crise. Oh, oh, a crise eu não vejo, mas sinto.
Sinto muito por não poder presentear quem eu queria com decência.
Não que eu seja indecente, mas a situação é que é.
Seria bom Papai Noel existir e trazer o que a gente desejasse. E acreditei em papai Noel, mas minha infância nem tão repleta de sonhos assim já vai longe, e muito mais, a crença no papai Noel. Porém, faço um esforço enorme e tento enfeitar a as fantasias de meus filhos de que ele ainda existe. Acredito que para uma infância feliz, é preciso ter fantasias pueris.
Neste natal de lembrancinhas, (tô fora dos amigos ocultos) não sei nem se sobra um trôco para pintar e reformar a casa. Queira o bom velhinho, que sobre ao menos algum para tirar as goteiras.
Ora bolas, todo mundo pinta a casa no fim do ano, porque não eu?
Não há nada de novo neste cenário, apenas a vontade personificar a alegria e torná-la algo palpável.
Fim de ano, novas contas, e olha que nem chegou ainda o ano novo.
O frango (digo o peru) da ceia de Natal, esse já tá garantido.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

SOBRE PINÓQUIO E POLÍTICOS

É incrível! Eu nem sei onde vamos parar com tanta cara-de-pau na nossa política, eles empurram o chicote na gente com tantos tributos e depois vem falar em crise financeira, crise na bolsa, crise na segurança, crise na saúde e crise na política. Nessa sim, temos uma crise de falta de vergonha, aliás, que gerará outra crise bem mais séria – a escassez de produção de óleo de peroba, pois vai faltar produto no mercado para lustrar a cara de pau de tanto deputado metido a espertinho. Graças a “God”(acredito piamente que Deus é americano, pois apesar de arruinar a economia global, o dólar está nas alturas) não existe mandato perpétuo para esta raça.
Votar a reforma tributária, só em março do ano que vem, soluções para a previdência nada, livrar o Paulinho da força sindical da perda do mandado, aí sim, o corporativismo prevalece.
Eu juro que não votei em nenhum destes. Como disse o Lula, o país não “pode se fu”, já a outra, fala que nessas horas “é relaxar e gozar”. Meu “God”, o CQC é que está certo, pelo menos eles mostram a realidade que ninguém quer mostrar, o lado obscuro da força (não se pode falar negro) senão é racismo. A diferença entre pinóquio e políticos, é que quando o primeiro mente lhe cresce o nariz, enquanto que o segundo quando mente, lhe cresce a conta bancária, mas essa, ao contrário do nariz de madeira, ninguém vê.

sábado, 29 de novembro de 2008

TEXTUALMENTE FALANDO


Você olha para cá, mas não vê um texto. O que vê são símbolos gráficos tentando se acomodar para fazerem algum sentido. Hoje todas as minhas vírgulas fugiram, acredito que elas estejam solidárias com a falta de imaginação para fazer um texto.
Os acentos estão escassos, e no mercado de pontuação os sinais são vendidos a preço de ouro.
Putz! O que fazer?
Melhor não queimar o restante dos neurônios nesta luta hercúlea, a idade pesa, os dedos no teclado perderam seu rumo e o livre exercício de redigir tornou-se um pesadelo de fardo pesado.
Nossa Senhora da ortografia reformulada, escrevei por nós, perdoa os nossos erros gramaticais e nos conduzi ao texto perfeito. Assim seja!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A GUERRA COMEÇOU!

Hoje acordei a mil, sobressaltado com o alarme do Celular tocando as alturas
Hora de levantar, mas se eu enrolar mais um pouco, matarei o resto desta sonolência, difícil dizer.
Pra me firmar de pé, fui ao quintal e resolvi regar as plantas, a água bateu no chão e meus pés ficaram vermelhos, cheinhos de formigas, todas querendo um naco de pele para ferroar. Saí dali brigando e discutindo com os insetos como se eles fossem gente.
E por não serem gente, e estarem matando minhas plantas, resolvi pulverizá-las com o veneno apropriado. Mera ilusão!
Quanto mais pulverizava, mais elas brotavam do chão, formigas vermelhas, voadoras e pretas gigantes, tive que recuar, vou combatê-las de outro jeito - encimentarei o quintal inteiro, pois acabar com as plantas seria um pouco mais cruel, visto que minhas roseiras, ornamentais, goiabeiras, mangueiras e aceroleiras são infinitamente inferior à quantidade de formigas.
Observando a mangueira, vi que estou sendo vítima de outro ataque, o de cupins, a guerra será intensa, acho que antes que o mundo se acabe, vou pedir ajuda ao Bush ou quem sabe ao Obama (o Bin) para um ataque terrorista a cidade dos cupins? Alguém ai tem outra sugestão que não me mudar de casa?

sábado, 8 de novembro de 2008

PELAS RUAS DA CIDADE

As multifaces de nós mesmos estão estampadas no mosaico que é a cidade e no que se consegue ver no dia a dia.
Aquele cara que corre para não perder o coletivo lotado as 7:30h e, não levar bronca de um chefe chato no trabalho, sou eu. Já passei por isso, mas ainda assim, havia uma vontade arraigada de trabalhar, mostrar serviço e desenvolver conceitos e competências de que o que estava por vir poderia ser muito melhor, esse era eu aos 18 anos.
Também me vi sentado no banco de uma praça qualquer, o olhar vazio, perdido num horizonte ofuscado pela frustração de não ter conseguido atingir um objetivo; a definição de querer se estabelecer em algo que você julga saber fazer bem. Até aqui estou com 25.
Sou um camelô que em sua rotina sai de casa todos os dias para estar no mesmo lugar e ganhar a vida de acordo com o senso de pessoas que podem comprar ou não os seus produtos, a forma de como as conduzo a pensar e meu poder de convencimento é o que garantirá voltar para casa à noite com um sorriso e a satisfação incontida de ter tido um bom dia. O tempo passa, já me vejo com 30.
Sou o apressado que nunca tem tempo de parar e saborear um picolé para aliviar o fardo do cansaço e o calor causticante de um sol inclemente com os que trabalham demais e não conseguem ter uma qualidade de vida que justifique correr tanto. O inconformismo me leva a negação de que possa estar me acomodando, me vejo aos 35 e ainda tenho sonhos.
Eu sou o gari, que em sua simplicidade varre as ruas e assobia ao sabor do vento quente que espalha as folhas para que sejam juntadas novamente, num eterno jogo de determinação e paciência, agora sei esperar para agir no momento certo, pois estou no limiar dos que já tem uma história e um discernimento de tudo, tenho 40 anos.
Hoje, eu sou apenas parte da metamorfose irreversível de uma cidade que sofre para ser grande, para parecer justa, para poder ser boa.
Não me sinto velho, mas os sonhos não são mais a longo prazo, eles agora são curtos e mais palpáveis, quero apenas deixar a oportunidade para os que virão após mim. Não quero que sejam as multifaces desta cidade, mas que tenha sua própria identidade, deixem de ser meras imagens do cotidiano para se tornarem definitivamente, pessoas.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

NOS MEUS TEMPOS DE MENINO

Nostalgia é uma viagem ao passado, quem sabe por isso parei no tempo.
O meu tempo de criança, onde podia brincar pelas calçadas sem temer a ações doentias dos pedófilos andantes de hoje em dia.
Felizmente, guardei muita coisa daquele tempo, e talvez seja um pouco disso que salve o meu presente.
O tempo que a TV era artigo de luxo e se escutava ainda novela de rádio. Podíamos brincar no quarteirão com os filhos dos outros vizinhos. Todos se conheciam, as noites eram para se brincar e jogar conversa fora - Salve latinha, balakondê, trinta-e-um, cola, amarelinha, peteca, futebol, papagaio, preso, queimada, triângulo, pião, lagarta pintada, bicicleta, soldadinho, roda, carrinho e tantas outras brincadeiras,
Enquanto os pais conversavam sentados à porta de casa, os irmãos mais velhos tocavam violão em turma e nós éramos os donos da rua. Os carros não passavam, não tinha nem calçamento, a rua era só a piçarra e quando chovia, sentíamos o cheiro gostoso de terra molhada. A gente era muito feliz. Pegávamos bigudas nas carroças, derrubávamos almendra, pajeú, imbu (umbu), manga, goiaba, caju, pitomba, sirigüela e cajá, nas árvores frutíferas existentes nos arredores. Hoje, não há mais nenhuma.
Não há mais tropeiros, amoladores de faca e tesoura, algodão doce feito na carrocinha, ali na hora, acabou-se o fotógrafo lambe-lambe, o comprador de alumínio que passava gritando “compro garrafa, litro e alumínio véi”, o velho alfaiate, o vendedor de sandálias, o barbeiro da esquina, os vendedores de capão e os padeiros com seus enormes jacás repletos de pão.
A cidade se modernizou para algumas coisas e morreu para outras e, no que morreu, deixou as crianças de hoje bem mais pobres e presas a uma realidade dura, a de uma infância sem liberdade. Uma infância onde a riqueza das brincadeiras foi substituída pelos brinquedos eletrônicos, pela internet e pelos shoppings.
Ainda procuro brincar como nos meus tempos, pelo menos, meus filhos saberão como era ser criança ontem e hoje. Vamos ser crianças sempre, viu Jeanne.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

INCERTEZA ABSOLUTA DE NADA

O que fiz ontem? Não sei.
O que vou fazer hoje? Sei lá.
Amanhã? Nem imagino.
É assim que vivo, num mundo de incertezas.
De absolutamente certo, apenas o improviso
Não preciso mais que isso.
Tudo muito planejado, não mede falhas
Então vamos ao plano B, se houver algum jeito
É nas falhas que provamos saber contornar os problemas,
Com o jogo de cintura, o jeitinho brasileiro.
Quem o tem é desenrolado, quem não tem, falta tato.
Gostar de tudo certinho é ser metódico
Há que se soltar a natureza rude,
Sem meias palavras, sem muitos rebusques.
Você é assim? Não!!
Fuja um pouco do sistema, procure em seu interior
há que ter luz para haver sombra
há que ser baixo para ser superior.
Em algum momento o racional definha
E surge o lado animal
O selvagem por ser puro também fascina
E se aprende mais com o bruto
Do que a natureza ensina.
Hoje serei um homem-animal
E verei o mundo de outra forma
Fora dos padrões da tal humanidade
ademais, pouco importa
ainda que o intelecto afete
o que resta de minha sanidade.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

SE FOSSE ASSIM...

Já pensou se todas as mulheres na hora de sair para algum lugar fossem assim tão rápidas para trocar de roupa? Seria um sonho. Veja esse filme, você me dará razão.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

ATCHIN! É GRIPE? SAÚDE.

Hoje estou afônico, atônito e sobretudo cômico. É que estes dias agitados mexem com a sanidade da gente. Tudo acontece ao mesmo tempo, dizem que atrás do pobre sempre vem o bicho. Pois é, abarrotado de trabalho, a mulher doente, semana de prova das crianças, acabei por ficar constirpado (não é xingamento ou religião não), é a danada da gripe mesmo, ou melhor do gôgo, como se diz por aqui (há quem fale em resfriado, mas com um clima tão seco, não se pega friagem assim tão fácil, imagine resfriagem). Aí, nestas horas, o cara sente o baque da idade, até tossir dói. Mas é assim mesmo, o espírito é de garoto mas o corpo nem tanto, sinal dos tempos, ou seria melhor, final dos tempos (sabe-se lá!).
O importante é não perder o foco, mesmo que se veja tudo meio desfocado e, como diria o Bambam: “faz parte”.
Contudo, porém, todavia e entretanto, a gripe me deixa sempre muito caído, é uma sensação assim tipo - a própria mosca perdida no cocô do cavalo do bandido - viu como é ruim! Mas não se engane, depois do tiroteio, a insignificante mosca é a única que escapa ilesa.
Lambedor de Malva do Reino, Mel, Chá de Vick, de limão com alho bem quentinho (argh) e dois comprimidos de Apracur não curou. Leitinho quente, repouso (isso é coisa pra gente chique), xarope expectorante e outras simpatias nada simpáticas, também não funcionaram.
Então, como diria a Marta, é relaxar e gozar, a cada cusparada, mira-se numa mosca e “cusp”, mais uma aliviada para o velho peito. Me prometo todo ano, vou me vacinar contra a gripe, mas as campanhas são só para os idosos, eu sou novo, quando ficar mais velho, vou me vacinar, eu prometo (ops, desculpa aí, é que é tanta político na televisão, que a gente termina pegando os maus hábitos).

terça-feira, 23 de setembro de 2008

NA ILHA

Agora,sim, terça-feira gorda, é mais uma semana, uma daquelas meio atípica, diga-se. Eu, estou em incursão a uma cidade de praia, mas sem tempo pra ir no mar e, todo o tempo do mundo ainda é pouco - ai ai, meu São Luís que me perdoe!
Alguém aí tem um protetor solar? Quem sabe eu me animo e vou lá. Esta cidade é cheia de muitos caminhos e muitas histórias, coisas para ver e para serem descobertas.
Na minha cidade, que não tem mar, a não ser de gente, quando sopra um vento frio, se diz logo que vai chover, pois é, foi o que eu disse aqui, tal é a falta de costume com essa ventania toda vinda do mar. Desculpa aí! A moça do consultório até riu, mas ela entende pois já esteve em Teresina.
Hoje estou bem, me sinto bem, isso importa quando conseguimos captar a confiança, sem ela estamos sós, os amigos, convivência e esta experiência familiar de poucas horas me ensinaram mais do que poderia esperar entender.
Obrigado amigos, por sentir e saber que posso contar com vocês e que vocês continuam os mesmos.

Da próxima vez vou ver alguma dança folclórica, visitar um museu, comprar umas lembrancinhas, descobrir o amor da ilha do amor e, quem sabe, até tomar um banho de mar!
Desta vez vou preparado, comprarei até uma sunga nova (ainda se usa isso?).

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

SÓ LETRANDO

Leio um livro, que não me fala da vida, do presente ou do futuro, mas, de devaneios, de aventuras fantásticas de um tempo que não existe.
E viajando em suas páginas de letras miúdas que a vista cansada não consegue mais seguir, solicito a ajuda de meus óculos - poxa, que alívio, ganho ares novos!
Às vezes, desejaria mais tempo para ler, mas quando se vira adulto, já não há mais tanto tempo como quando se é criança, então, o jeito é se adaptar e partir para a fronteira desconhecida de retreinar a percepção para aprender coisas que nossa torpe visão de mundo entendeu de esquecer. Meu “eu” criança quer ter muito tempo para descobrir, mas meu ‘ser” adulto tem pouco tempo para executar. Simples assim.
O óbvio é o simples, mas de tão simples o é, que não o aceitamos sem antes querer dificultá-lo. Creio, ser preciso colocar lentes novas, pelo menos assim, o daltonismo não distorceria os outros sentidos, muito embora eu seja guiado pelo visual em primeiro plano.
A ansiedade de ler, ensina muitas lições, é como se cada página fosse mais uma etapa de vida, e em se tratando de vida, essa é uma leitura da qual nunca sabemos como a história vai acabar, embora sempre saibamos que um dia se chegará ao final do livro.
Ao transpor as páginas, viajo e, sem sair do lugar, divago em mim mesmo o sentido da leitura real – a história faz parte do meu contexto ou eu sou o contexto da história? Sei não, mas tenho que seguir lendo, não posso pular para o final, afinal, que graça teria se o mocinho não sofresse um pouco para no fim de tudo vencer o vilão e ainda ficar com a mocinha? Ops, desculpa aí! É que esses enlatados tem um roteiro tão comum que a gente acaba se viciando. Vou procurar ler uma rica literatura, um “Machado” por exemplo. Onde estão meus óculos mesmo?

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O MAL GERA O MAL

Eu não poderia jamais entender as pessoas, refletir seus motivos ou julgar os seus atos isanos, não é possível absorver as maldades do mundo. Nem Emanuel foi capaz desta proeza(presumo que você saiba de quem falo). O ser humano é assim mesmo, movido pelas ambições terrenas, pobres coitados, a vida é efêmera. Aqui se faz e se paga, se não pagar, o castigo será o tormento da consciência em saber que a pior culpa é levar débitos para a eternidade. Você é imortal? Claro que não! Mesmo Lestat que viveu por 300 anos, amargurou a dor da perda. E você? Já se reconciliou consigo? Machucou alguém de corpo ou de alma? Deixou alguma dívida para pagar na eternidade? Pense bem! Seu tempo se esgota. O que você fez de bom a alguém, ou que mal você plantou? Você crê de verdade que há algo bem superior a nós, que vê a tudo o que se faz e que comanda nossos caminhos? Se você optar por fazer o mal todos os dias, você pode até se ocultar dos homens, mas DELE, você pode? Emanuel disse: "de que adianta gostar somente dos seus, o extraordinário, é fazer algo por alguém que você não estima".
Lembre-se da Parábola do fariseu que batia no peito e brandava em alta voz "eu sou o justo e mereço ser salvo porque guardo a lei", enquanto, o pecador, cabisbaixo e escondido num canto, apenas balbuciava baixinho:"me perdoe Senhor, sou só um pecador".
Todo aquele que bate no peito dizendo ser o dono da verdade, terá que prestar contas dela. A questão é saber, essa sua verdade é a verdade Universal ou só uma pseudo verdade que você criou para justificar os seus atos?
Todo aquele que for execrado, terá seu dia de glória, ele pode tardar, mas não faltará.
A pior morte, é a do espírito. A pior culpa é a da alma. O pior ato, é saber que o livre arbítrio de poder escolher entre o bem e o mal, afasta cada vez mais o homem de seu criador.
Às vezes, sinto vergonha da condição humana, tão suscinta ao pecado e a ambição, aos erros e aos velhos maus hábitos que fazem o mal gerar mais mal.
Desculpe Emanuel, você tentou fazer o melhor, e lhe crucificaram por isso. Fez isso para resgatar a nós, mas, te pergunto, valeu a pena? Por mim, diria que não, os homens, quase em sua totalidade, estão piores, creio não haver mais remédio. Mas você sim, você acredita, e ainda que descrente, ainda há uma centelha de esperança em mim, por isso é que todos dos dias quando acordo, olho para meus filhos e os vejo dormindo, tão serenos, vejo nos olhos de minha esposa tanta esperança, então sim "eu acredito", você nos reserva grandes coisas, e nisso, posso acreditar.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

OLHO NOS OLHOS


Não sei bem se os olhos são o espelho da alma.
Talvez, o olho de Thandera que dá visão além do alcance o seja.
Mas em matéria de olho já me vi em cada uma.
É por isso que dizem, que o que os olhos não vêem, o coração não sente.
Porém, sempre encontramos pessoas com olho gordo pra cima do nosso sucesso
O que nos leva a uma sensação de perigo, como se estivéssemos mergulhados no olho do furacão.
Às vezes nos encontramos tão sedentos de alento, como se desesperadamente procurássemos um olho d’água para matar nossa sede.
De quando em vez, é preciso ser duro e aplicar a lei do olho-por-olho, o que me leva a crer que se continuar neste ritmo, o mundo acabará caolho, que nem o rei que só tinha um olho em terra de cego.
É amigo, não adianta crescer os olhos para cima de alguma coisa, isso sempre leva à decepção, aí o ditado torna-se real quando diz que pimenta nos olhos do outro é refresco.
Julgar os outros é um mal e, a maldade está nos olhos de quem vê. Prefiro mesmo tocar minha vida e cuidar de meus afazeres, ou você não sabe que os olhos do dono é que engorda o negócio?
Se isso é bom? Você acha?
Que é isso, são seus olhos!
Agora vou lhe falar francamente olho no olho, para viver bem, fique de olho e, sempre durma com um olho aberto e outro fechado.
Pode seguir este conselho sem pestanejar.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

SOB FORTE EMOÇÃO

Chorar sempre é uma explosão de sentimentos, alegria, decepção, tristeza e até dor.
Chorar pode demonstrar várias coisas. Nas Olímpiadas vimos muito desta expressão.
O choro da redenção, aquele que te alça as alturas e acima de todo o sofrimento, da batida de milhares de corações que te acompanham num mesmo compasso, esse é o choro de César Cielo.
O choro do desespero tem uma sabor amargo de não ter conseguido o que já se achava certo, é marcado profundamente pela decepção, como o de Diego Hipólito.
O choro da alegria vem com a sensação de descobrir que apesar de ser a melhor, ainda se surpreender por ter conseguido novamente, esse é o choro da emoção de Yelena Isinbayeva.
O choro do desespero é aquele que apesar de não ter alcançado o que se podia alcançar, não se o fez por um capricho do destino, esse é o choro da inconformidade de Fabiana Murer.
Chorar faz parte da vida, o choro é benigno, até na dor, pois o sofrimento é a credencial para o crescimento espiritual e o amadurecimento como pessoa.
Que chorem os campeões olímpicos, que chorem os imortais do esporte, forjados no suor da superação ou na amarga derrota.
O choro da comoção coletiva ainda é a única expressão que nos une numa condição de igualdade, que não nos deixa esquecer que temos limites, que não nos deixa esquecer que acima de tudo, ainda somos humanos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

E FALANDO EM OLIMPÍADAS...


Os esportes do dia a dia não exigem treinos específicos, eles acontecem naturalmente com nossa rotina de vida. Ao contrário dos jogos olímpicos que ocorrem só a cada quatro anos, as provas de exaustão e superação a que somos submetidos, é uma constante.
Eis algumas modalidades bem concorridas:
Corrida de velocidade atrás do buzú para não chegar atrasado na empresa; Maratona da manhã até a noite para aproveitar melhor o tempo, entre trabalho e estudo; Atletismo para agüentar o ritmo intenso da competição por um lugar ao sol; Remo contra a maré do pessimismo; salto sobre os obstáculos que surgem; revezamento entre rotina e prazer, afinal até um atleta tem seus limites e ninguém é de ferro.
Há categorias interessantes, presentes na vida, mas que não constam nos jogos,
tais como:
engolir a comida no menor tempo possível; arremesso de roupa suja no canto do quarto; prova de velocidade no banho e de resistência para estudar noite adentro. Na verdade, para superar os limites, temos que praticar muito bem estes esportes.
É, o que nos mantêm no jogo é essa chama que brilha em nosso olhar, a vontade de vencer sempre, o que nos leva a concluir que, nas Olimpíadas da vida, somos todos medalha de ouro.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A PRÓXIMA ESTAÇÃO

Apressado que estava nem percebi ter embarcado no trem imaginário da vida, quando dei por mim, vi sentado a meu lado um menino, risonho e falante, disse se chamar “passado”, em minha frente apenas um sisudo senhor, seu nome era “Presente”, despreocupado olhei pela janela tentando diferenciar na bucólica paisagem as etapas ainda não vividas pelo aflito desejo de prever o amanhã. Neste momento me irrompe na cabine, um velho, espantado, fitei-lhe os olhos, tentando buscar nele algum traço que denunciasse o meu futuro, mas não achei, ele apenas me cobrara o bilhete de viagem. O menino me falou que o velho era o tempo. Por quanto tempo ainda será que me acompanhará na viagem este velho? – perguntei-me.
O trem continuou sua rota imaginária rumo a realidades que se configuravam conforme as escolhas feitas pelos passageiros. O interessante é que a cada estação, subiam pessoas, que se demoravam pouco ou muito na viagem, enquanto outras desciam e certamente nunca mais embarcariam neste mesmo trem. Estes estágios nada mais eram que a brevidade do tempo que as pessoas ocupavam em nossa vida.
Ao longo da viagem, uma bela borboleta adentrou a cabine, voava colorida dando vida ao ambiente, então, um voraz pássaro a devorou e cantou alegre uma melodia feliz, mas veio o velho inspetor do trem e aprisionou o pássaro numa gaiola, então, seu canto melodioso virou apenas um lamento. Custei a entender, o menino disse que a borboletas fora meus anos verdes, o pássaro, meus ideais de jovem, e a gaiola a maturidade de meus sonhos não realizados. Mas, se o menino era o passado, porque era tão jovem?
_Não se pergunte, seu passado foi sua infância, eu apenas a represento de forma que você possa entender melhor, este senhor que te acompanha é você hoje, seu presente. Agora cabe a você encontrar seu "eu" futuro.
Aquela revelação me surpreendeu.
_Até aqui lhe acompanhei, mas agora devo descer – disse o menino.
Então, ao partir da estação, ainda o vi na plataforma, acenando para a janela onde eu estava. Agora o passado ficara para trás, me acompanha apenas o presente e o tempo.
Pensei – o tempo é quem comanda o trem, ou será a rota que determina o tempo de duração do meu tempo?
Por fim, na estação seguinte, resolvi mudar de cabine, fui para a sala de máquinas e de lá dirigir o trem imaginário. O Sr. Tempo quis retrucar, tranquei a porta, evitando-o, de agora em diante farei a viagem determinando eu mesmo o tempo. Agora sim, terei todo o tempo do mundo e ao mesmo tempo, não terei tempo a perder.
O trem apitou forte e alto – PIUIIIIIII!
Na próxima estação, um novo passageiro aguardava, era o Sr. Futuro. Acelerei o trem com a intensidade de imaginar que poderia desfrutar melhor de cada etapa da viagem, então, senti o vento que embalava as curvas do caminho desta fantástica viagem que é viver.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

UMA UTOPIA CHAMADA ESPERANÇA


Meio piegas dizer isto, mas a verdade é que somos devoradores de esperança, ela mesma, aquela última revelação a qual Pandora conseguiu reter na caixa, lembra?!
Baseados na certeza de que ela está lá, é que digo “Dias felizes Virão”, sim e é isso que motiva a gente a continuar teimando em ser feliz.
Nunca tinha sentido o chão sair debaixo dos meus pés. Ruim quando se toma um choque elétrico né não? Agora imagine tomar um choque de realidade?
Já diz o ditado “Quem não pode com o pote não pega na rodilha” ou “Quem não tem competência não se estabelece”, pode até ser, mas, contudo, porém e entretanto, às vezes a conjuntura tritura até os mais preparados, mesmo que não se queira.
No entanto, não há nada que um novo começo não possa vir a dar mais motivação para se continuar teimando em ser feliz.
A verdade, é que somos pura emoção, a razão apenas serve de contra-peso nessa relação e, na balança da vida, a emoção fala sempre mais alto, ou alguém ainda dúvida?
O que é o amor, a paixão, a determinação, a ousadia, a adrenalina, senão pura emoção?
A razão apenas empresta a sensibilidade para a delineação dos limites, que na maioria das vezes não é respeitado, ou você nunca ouviu a expressão “agora você passou dos limites”?
Quando estamos sem chão, precisamos retornar a fonte, para mais uma vez, renovar as forças.
É o que faço agora, olhar para dentro de mim mesmo, analisar meus sentimento ao pé da razão, refazer o caminho da minha peregrinação interior e mais uma vez perguntar -- o que quero para minha vida? Esta vida que agora, diferente da juventude, já não é tão só mais minha, mas daqueles pela qual assumi a responsabilidade de amar, prover e proteger.
Como diz a música, “esteja onde estiver que não me falte forças pra lutar”.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A NOITE É UM FETO

Putz, quando se está fora de tempo não tem jeito mesmo. Comigo o relógio tá andando ao contrário. Tô sem hora pra dormir, pra comer e trabalhar, tô vendo a hora da patroa me dá as contas, afinal de contas, há que se ter hora pra tudo e, em tempos de vacas magras, pelo menos o parque de diversão deve funcionar. Uma hora dessas a fábrica entra em pane (ainda bem que a gente pode colocar a culpa no strees).
Esse negócio de distúrbio do sono, motiva a gente a fazer muita coisa madrugadas a fio, sou mais ou menos como os morcegos, notivago, mas ao contrário de curtir, ralo. As horas não passam, pingam, mas revelam muitas coisa, dá pra se escutar tudo, até o apito do vigia da rua ou a moto do vigilante com sua buzina nada original ou ainda a torneira que pinga compassadamente. Quem dorme perde este prazer único.
Em época de muriçoca como agora, meu hobby é passar a noite inteira matando as bichinhas (cada louco tem a mania que merece), e cuidado, isso vicia (quer ver experimente).
Se fico no trabalho, geralmente começo o terceiro turno as 19:00h e paro aí pela meia-noite, ah, ninguém merece, mas em compensação, o telefone não toca, a porta permanece fechada, o ar gela mais, os colegas não fazem falta pois já passaram o dia todo ali (não tomem isso como querer me livrar deles), o que faz falta mesmo é cafezinho quente (nada é perfeito).
Procuro às vezes, reprimir o comichão nos dedos que quase como uma ímã me atraem para digitar o famoso www...., mas, ao contrário de muita gente, esse vício é controlado.
Como já cterminei o que ia fazer por hoje, vou ali fora no terraço conversar um pouco com quem me faz companhia toda noite, me escuta, não dorme, brinca comigo, não reclama e ainda por cima fica alegre em estar comigo, esse é meu melhor amigo de verdade, quem é ele? Meu cachorro Luck. Feliz do homem que tem um “amigcão”, por incrível que pareça, ele é mais legal do que muito amigo-da-onça que tem por aí.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

LAÇOS DA ALMA


Lembro-me de quando caminhávamos juntos e de mãos dadas.
Daquele tempo, de nossas pegadas na areia, ficaram só lembranças.
Do amor vivido apenas uma lágrima de saudade.
A tão buscada felicidade é uma nostalgia que ajuda a viver o hoje.
Das mãos dadas apenas os laços do coração.
Hoje desconstruímos tudo para recomeçar e, as coisas de todos os dias não viram rotina porque as palavras trocadas são outras, os gestos e olhares se renovam a cada dia.
É como a planta que recebe os raios de sol todas as manhãs e ainda assim muda a cada segundo.
São de todas as cores que o amor desenhou o arco-íris de nossas vidas.
Os passos para o outro nunca são demais se há a intenção de dá-los
e as palavras descabidas fazem sentido quando arrancam sorrisos.
Você faz sentido pra mim, ainda que tudo mais não faça sentido algum, tua presença é a essência do meu equilíbrio.
Não há curvas entre as pessoas, a distância é apenas uma linha reta enturvada por uma intenção de ocaso ao acaso.
Hoje, nossas mãos são apenas uma simbologia de nossa cumplicidade, nossos laços entrelaçados foram forjados no fogo de nossa alma.

sábado, 5 de julho de 2008

A PRÓXIMA, É A MULHER DO PRÓXIMO

A síndrome da grama mais verde no quintal do vizinho, casa-se com um aspecto por demais inerente ao comportamento masculino, o desejo de crer que a mulher alheia é sempre melhor que a sua. E qual é a explicação?
Simples - ela vem movida pelo desafio da aventura, de desvendar o desconhecido, de querer o impossível, em muitos casos, de brincar com o perigo. Porém, já diz o jargão "quem brinca com fogo sempre corre o risco de se queimar".
Quanto mais difícil, quanto mais perigosa for a empreitada, mas afoito fica o indivíduo.
Na maioria das vezes, um par de belas pernas, um “derrier” avantajado ou ainda um “air bag” de primeira, é o suficiente para se perder o rumo.
O aspecto meramente estético, não deixa de ser o responsável pelo jogo de sedução. Conteúdo, às vezes não é necessário, afinal uma imagem vale mais do que mil palavras.
Então, cuidado com a grama alheia, se você prestar muita atenção no quintal do vizinho, poderá nem perceber que alguém pode estar invadindo o seu.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

SOLIDÃO A DOIS

Pelo menos uma vez na vida, você já deve ter se sentido sozinho no mundo, embora esteja entre família e amigos. Há casos em que essa sensação logo vai embora, em outros, ela passa a ser permanente.
Esta impressão de estar cercado de indivíduos e, ainda assim se sentir sozinho, é tão mais comum do que se possa imaginar. Esse crescente estado de solidão nas pessoas se torna mais evidente muito mais pelo deslocamento mental que necessariamente pelo físico. Há uma desconexão amplificada pela total falta de sedimentação com o plano no qual se está inserido, ou seja, o mundo real não é real para nós.
Estas questões levam a crer que sua áurea não está em sintonias com as demais. Os níveis de suas existências estão menos elevado que o seu, isso termina por te aprisionar a uma realidade limiar, que noutras palavras se costuma dizer, “preso entre dois mundos”.
É raro encontrarmos as pessoas certas para dividir com elas a sintonia em que nos encontramos. Tudo parece muito estranho, as conversas são vazias, a companhias não fazem sentido, as aspirações são pequenas demais para nós.
Extravasar é mergulhar em si mesmo para se libertar, mas isso, só acontece quando descobrimos o que os pobres mortais costuma chamar de “alma gêmea” ou ainda “cara metade”, o que se pode comprovar em quarto semi-escuro ao contemplar os lados da face em intercalando-os com luz e sombra, os traços nunca são iguais, embora a simetria possa parecer perfeita, daí muita gente gostar de fotografar de apenas um tipo de ângulo, o seu melhor.
As pessoas solitárias em meio à multidão têm uma sina diferenciada, um sacrifício bem maior do que estar fora de seu mundo, um sacrifício de redenção para com os seus semelhantes e, por isso mesmo, suas existências são mais breves nesse plano.
Há que se separar o que é ser sozinho do que é ser solitário. Jesus na noite de sua captura se sentiu sozinho, mas nunca solitário.
E você, como se sente?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

MUITO MAIS QUE MARCHAS E CARTAZES


1968 foi um ano marcado por uma efervescência muito grande em todo mundo, jovens levantaram suas vozes contra uma realidade caótica que se lhe apresentava no âmbito cultural, econômico, político e porque não dizer moral.
A televisão era o mais novo meio de propagar de um país a outro a insatisfação que acabou por contagiar a todos. Nos Estados Unidos os desgastes acumulados com uma guerra perdida (Vietnã), o assassinato de Martin Luther King e a segregação racial, foram o estopim para uma crise interna sem precedendes, com protestos em todo o país.
Os protestos na França começaram devido ao fechamento da Universidade de Nanterre, por sua conduta burocrática e à condenação da divisão dos quartos da residência estudantil com alunos de sexo oposto. Essas reinvidicações, aos poucos foram ganhando apoio de outras universidades, como a de Sorbonne, o que levou os estudantes à ocuparem em Paris, as ruas do Quartier Latin (quarteirão latino), local que concentra universidades e escolas desde a idade média, onde se ensinava em latim, daí a origem do nome. Outras classes resolveram aderir, os trabalhadores sindicalizados da França pararam de trabalhar e decidiram ocupar as fábricas, exigindo do governo De Gaulle, melhores condições de trabalho e salários justos. Barricadas nas ruas, coquetéis incendiários, pichações, cartazes, palavras de ordem, pedras arrancadas dos calçamentos e atiradas contra a polícia de choque francesa. O clima de guerra estava instaurado, prisões, agressões, direitos desrespeitados, os aparelhos repressores reprimiram o movimento com violência redobrada. A elite artística francesa se fez presente, François Truffaut e Jean Luc-Godard comandaram o boicote à realização do Festival de Cinema de Cannes daquele ano turbulento. Alicerçados pelo pensamento de intelectuais como Herbert Marcuse, um dos principais defensores da Nova Esquerda, ou de Guy Debord, da Internacional Situacionista
, corrente que atribuía a debilidade espiritual, tanto das esferas públicas quando da privada, a forças econômicas que dominaram a Europa após a modernização decorrente do final da II Grande Guerra, os estudantes terminaram por incendiar uma revolta que teve repercussões em grande parte do mundo. Em países como Polônia, Espanha, Itália, Alemanha Ocidental e Japão os estudantes foram às ruas.
Em outras partes do mundo, como na Tchecoslováquia, aconteceu a terrível “Primavera de Praga”, onde a União Soviética com temor de que as idéias do “socialismo humano” pregadas por Alexander Dubcek
, contagiassem outros países alinhados ao duro regime comunista, deslocou seu exército para invadir o país, a sangrenta reação levou o país a se unir num esforço de debelar a invasão soviética. Também no México, durante os Jogos Olímpicos de 68, centenas de estudantes foram assassinados na Plaza de Las três Culturas, quando protestavam tentando chamar a atenção do mundo. O estopim foi quando o governo ordenou ao exército que ocupasse o campus da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM), a maior da América Latina. Os estudantes foram presos, espancados e detidos de forma criminosa. O reitor da UNAM, Javier Barros Sierra, demitiu-se como forma de protesto e em solidariedade à classe estudantil mexicana. Com isso, as manifestações só aumentaram, o que levou cerca de 15 000 estudantes de várias universidades, invadirem as ruas da Cidade do México, em apoio a UNAM. Em 26 de outubro, ao entardecer, 5 000 estudantes e trabalhadores, muitos deles com suas famílias foram surpreendidos por tropas que abriram fogo indiscriminadamente, num massacre até hoje obscuro, até no número de vítimas. Testemunhas afirmam que caminhões de lixo recolhiam e amontoavam corpos, inclusive de crianças. Este extermínio que ficou conhecido como “Massacre de Tlatelolco”. No Brasil, logo no início do ano de 68, os movimentos estudantis reinvidicavam mais verba para a educação e mais democracia. Nu deste protesto, aconteceu a morte do estudante Edson Luís, durante um confronto entre polícia e manifestantes. O fato criou uma comoção geral no Rio de Janeiro, o que mobilizou a cidade em suas mais diversas instituições a organizar a “Passeata dos 100 mil”, reunindo a elite política, artística, os trabalhadores e estudantes num protesto aberto contra a ditadura militar.
Em São Paulo, o conflito entre estudantes da USP e da Universidade Mackenzie, que resultou na morte do estudante José Guimarães, colocou a polícia em estado de alerta. Dias depois, o comando da PM ordenou a prisão em Ibiúna, interior de São Paulo, de todos os estudantes que participavam do congresso da UNE, (cerca de mil) entre eles os principais líderes do Movimento Estudantil – Vladimir Palmeira, José Dirceu, Flávio Travassos e outros.
Depois disso, foi instituído o Ato Institucional número 5, o AI-5, em resposta ao discurso contra as Forças Armadas proferido pelo deputado Márcio Moreira Alves.
O AI-5 municiou o governo com poderes para dissolver o Congresso Nacional, suspender eleições diretas e tirar as liberdades individuais, políticas e de imprensa. A partir daí, deu-se início à perseguições, assassinatos e tortura de parlamentares, sociólogos, professores, jornalistas, artistas dentre outros, que tivessem de alguma forma pensamento desalinhado com os militares e suas diretrizes. Esse tempo tempestuoso ficou conhecido como os “anos de chumbo”. Vários movimentos tentaram o levante armado, mas a população não aderiu à luta de guerrilha. O AI-5 só foi revogado em 1978.
Muitos aspectos ficaram evidentes, a liberdade de imprensa, as liberdades individuais, a abertura política e, sobretudo, uma coisa “os anos da inocência morreram quando naquele instante o mundo acabou com a diferença do que era o bem e o mal”. Muitas mudanças ocorreram e ainda ocorrem, os processos, a devassa de arquivos secretos, revelações, conquistas e conflitos ideológicos e morais. Por conta de todos esses aspectos, Zuenir Ventura afirma em seu livro, que 68 é o ano que não acabou.

sábado, 7 de junho de 2008

ROMEU E JULIETA

Eu e meu amor somos assim,
o prato e a colher,
a tampa e a panela,
a flor e o jardim,
o feijão e o arroz,
a lua e as estrelas,
unha e carne.
café com leite,
almas idênticas,
quase as mesmas digitais,
minha banda da laranja,
meu ontem, hoje e amanhã.
Unidos assim
pra vida inteira.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

NO CAMINHO DE VARESE

Desejoso de fincar os pés em uma realidade alternativa, fui levado a uma visão em que caminhava por bosques floridos à sombra de frondosos carvalhos, lindos narcissus e uma vez ou outra, alguns lírios e palmas.
Ao largo da estrada, revelava-se a verdejante colina entrecortada por córregos de águas frias e cristalinas, o vento, aumentava ainda a sensação térmica do clima gélido do lugar. Esperar encontrar pessoas pelo caminho era um acontecimento raro, a não ser, vez por outra a aparição de algum pastor de ovelhas com seu solitário rebanho.
A despretenciosidade do passeio contrastava com meu objetivo, e as veredas calcadas em pedras frias, conduzia–me a um lugar bucólico no interior de uma vilarejo aos sopé dos Alpes italianos.
Desejoso que estava de encontrar minha Maria, a mais linda flor brotada no Lácio, deparei-me com um ícone de um passado tão distante quanto fora os dias de glória daquelas paragens quase intocadas pela mão humana, uma construção insólita, que resistiu ao tempo, paredes de pedras brancas calcárias do que fora certamente um posto de observação romano, um dos muitos usados durante a marcha de Aníbal rumo a Roma.
Tirei da mochila uma máquina fotográfica, ajustei o controle para o automático e perfilei-me ali, junto a entrada do fortim. O flash que registrou aquele momento ímpar, iluminou o cenário de pedras banhadas por uma fina camada de orvalho e coberta por um lodo quase milenar , então, algo chamou minha atenção, pude perceber em uma delas uma inscrição em latim antigo, não que seja um expert, mas era algo assim: “Avrelivs Marcelvs - Aprilis- Anno consvle Pvblio Cornelivs Cipiao”, algo que beira uma tradução grosseira de “Aurélio Marcelo – abril do ano do consulado de Públio Cornélio Cipião”. O que pude imaginar, é que alguém do passado fez o que fazemos hoje, uma inscrição do tipo "eu estive aqui". Alguém esteve ali, quis registar sua presença, no entanto, uma série outras questões afloraram em minha mente, chegando mesmo a me fazer crer que talvez a minha passagem por ali tivesse um outro propósito que não apenas o de rever Maria. Talvez a inscrição esquecida fosse apenas para me lembrar de que agora eu estava ali. Se era uma inscrição autêntica, se estava correta, se quem a fez teria sido um menino ou um soldado romano, se era apenas um marco de alguém que quis deixar uma lembrança, se depois disso alguém nunca a viu, a estudou ou levou aquela pedra para um museu? Não tinha mais tanta importância, eram perguntas demais para um leigo viajante. Perdi algum tempo absorto em elucubrações, por fim, desperto por um balido longíncuo de uma ovelha, levantei-me e tirei uma outra foto da pedra. Então, em meio às minhas conclusões, comecei a perceber que em uma terra onde os vestígios históricos estão por toda a parte, nada mais natural de que parmenecerem ali, para que possam instigar a imaginação e deslumbrar caminhantes incautos como eu. No fim, descobri que estava ali para fazer minha própria história.
Os ares das montanhas italianas são assim; bucólicos, românticos e reveladores.
Segui adiante, até avistar por trás da colina o pequeno vilarejo perto de Varese. As casas com suas chaminés de pedras exalavam tênue fumaça branca em sinal de boas-vindas, naquelas horas vespertinas, uma quente sopa de legumes me animaria após tão longa caminhada. Agora, feliz por encontrar-me com Maria, percebi que era ela que reperesentava a própria essência de beleza daquele lugar.
Finalmente, todo o resto do acontecido daquele dia tomaria seu lugar de direito na história, particularmente, na minha história.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

SONHO MEU, EU SONHAVA QUE SONHAVA

Sonhei que havia adormecido num sono extremamente profundo. E no sonho, todas as coisas iam bem demais. Sabe quando você sonha que dormiu, acordou e crê piamente que este despertar no sonho é a própria realidade de perfeição, aquela que você tanto almejou, pois é...
Acordei numa pousada na praia, num fim de tarde mágico, as crianças brincavam, correndo pela orla, a amada com uma canga e um enorme chapéu, desfilava ao sabor do vento vespertino, eu, de bermuda e uma camisa florida vermelha, fui me juntar a eles.
Ah, que sono bom! Revigorante, pensei comigo.
Passeávamos pela praia, uma cena familiar típica de um final feliz de novela.
Eu não me recordo de problemas financeiros, estávamos em férias, parecia mesmo que havia tirado a sorte grande.
O mais interessante é que tudo ia bem, tanto em minha vida, como na do país. A saúde, educação, segurança, tudo funcionava, finalmente o Brasil, tornara-se primeiro mundo, mas havia uma diferença, o país era um paraíso turístico ecológico de vital importância.
Mas o que houve? Dormi pobre e agora desperto assim? Tudo mudado, apesar de maravilhosa, esta realidade difere em muito da que eu conhecia.
Meu Deus, isto é real ou apenas mais um interlúdio de meus desejos?
Bacana ser rico, poder ser e ter, mesmo com alguns dissabores que a riqueza possa trazer.
Praia, sol, côco, lancha, hotel, mar, vento. Que mais poderia desejar?
É cruel não poder transformar realidades alternativas em permanentes. Mas, por mais que não desejasse outra vida, sou bruscamente tirado deste paraíso, quando uma voz conhecida diz a meu ouvido: “ São sete horas, desperta para a vida, que hoje é segunda-feira.”
Ah, essas nossas mulheres, tão maravilhosas e por vezes tão cruéis!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

NA BASE DO OLHO POR OLHO

Você já percebeu o quanto a Lei é complacente, imperfeita e não faz nada para se atualizar, se modernizar e cumprir as exigências ou mesmo tomar medidas de contraposição aos novos rumos que atropelaram este sistema social.
A lei é boa, isto se não houvesse a discriminação entre ricos e pobres, brancos e negros, cidadão comuns e os de colarinho branco.
Quem comete um crime tem amplo direito de defesa até que se esgotem todos os recursos, alguém que mesmo com todas as provas contra si é chamado apenas de acusado e que, ao evadir-se do local da ocorrência, fugindo do flagrante, mesmo se apresentando ou sendo localizado depois, não pode ser preso.
Às vezes é por ser réu primário, não ter antecedentes, ter residência fixa e outros blá blá blás que existem para testar a paciência e aumentar o desespero de quem espera por justiça. Muita falácia, pouca ação, ou melhor, poucas atitudes.
O país precisa urgentemente de uma reforma, ampla, geral e irrestrita em toda sua estrutura. Reforma social, política, judiciária, tributária, econômica e legislativa. Isso desagrada alguém? Certamente, mas com certeza, são os que estão tranqüilos sentados em gabinetes luxuosos e sem nenhuma preocupação que não seja com consigo mesmo.
Diante do caótico quadro atual, não seria mais fácil cumprir o código de Hamurab, ou ainda a Lei do Talião? O medo inconsciente que assombra qualquer um a punir alguém que realmente seja inocente faz com que tenhamos em primeiro plano a idéia de absolver para podermos nos isentar de nossa própria culpabilidade de consciência.
Deus perdoe a alma dos que em nome de seu trabalho queiram justificar no tribunal eterno que apenas cumpriam seu dever, tal qual o soldado que lançou a bomba sobre Hiroshima, tentando justificar para si mesmo que apenas cumpriam ordem, com certeza eles têm a mesma culpa de seus comandantes. E aqueles que perderam sua vida, têm culpa?
Com Pilatos e Judas também foi assim, cumpridores de seus papéis. Maus necessários? Cristo responde.
Em tempos em que não há mais muito em que acreditar, queremos crer que a justiça ainda seja o último bastião ao qual podemos nos agarrar, mesmo com todas as suas falhas.
A pergunta a ser feita é: num ambiente assim, a ética moral está abaixo da ética profissional? Ou será que este conflito não existe? A consciência deve ser suplantada em nome da inocência forjada em cima de especulações?
Quantos casos não foram resolvidos, quantos culpados já não se safaram, quantas injustiças já foram cometidas sobre vidas destroçadas que se abraçaram naquilo que lhes era a única chance: a espera de justiça.
Alguém que tira uma vida humana insanamente num momento de ira merece perdão? Segunda chance? E quem morreu, que chance terá para realizar seus projetos interrompidos?
O que poderia ser mudado? A inconformidade é geral.
Estupro, agressão corporal, moral ou verbal, homicídios, tráfico de qualquer natureza, corrupção, exploração criminosa, omissão, abuso de poder e uma série de outros crimes contra a dignidade e a existência humana deveriam ser inafiançáveis e, se houver provas claras, nada de harbeas corpus e outras brechas que porventura as interpretações da lei possam deixar.
O que vemos é a impunidade cada vez mais evidente, e esta certeza é o que motiva cada vez mais os facínoras a cometerem crimes.
Pena que as legiões de mal-feitores sejam bem mais numerosas que as centúrias dos defensores da justiça.
Infelizmente a vida humana virou moeda de troca, quer seja no trabalho escravo, na exploração infantil, na prostituição ou no mercado das drogas. Mata-se hoje por nada, um aranhão no carro, um olhar, uma discussão em mesa de bar, ciúmes sem motivos e outra série de descalabros.
A justiça tem os olhos vendados para não fazer distinção ou favorecer a ninguém, mas então, porque que não a desvendam, quem sabe assim, de tão cega e tão falha ela não passa a enxergar melhor.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

SER OU NÃO SER

Sei que não sou como poderia ou deveria ser,
Na verdade, queria ser bem mais.
Bem mais envolvente,
mais amigo,
mais solidário,
mais exigente,
mais audacioso,
mais descontraído,
mais irresponsável,
mais displicente,
mais cara-de-pau,
mais apaixonado,
mais inteligente,
mais surpreendente,
mais desinteressado,
mais ridículo,
bem mais deixa tudo pra lá.
Queria ser tudo isso, para poder ser mais:
Amigo, para quem precisa de uma palavra minha.
Solidário, para quem pode menos que eu.
Exigente, para extrair o melhor de mim.
Audacioso, para tentar coisas novas.
Descontraído, para ver a vida com mais alegria.
Irresponsável, para brincar como uma criança
Sem ter hora certa para acabar.
Displicente, para me libertar de mim mesmo.
Cara-de-pau, para dizer as verdades que penso.
Apaixonado, para viver com intensidade os riscos da vida.
Inteligente, para saber conduzir meus passos.
Surpreendente, para convencer a mim mesmo de que todo dia traz uma oportunidade nova para ser uma pessoa melhor.
Desinteressado pelo que faz de mim não ser exatamente o que eu queria ser.
Ridículo, para rir de mim mesmo, rir mais e alegrar meu espírito, porque afinal, a vida é uma grande brincadeira e, quando brincamos, sempre queremos bem mais.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

DE OLHOS VERMELHOS...

O grande mago chegou e esperou que tudo estivesse normal, as bruxinhas olharam para ele e tremeram, havia algo estranho em seu olhar.
Sob sua nova maneira de ver o mundo, sentia-se melhor à sombra da noite que a luz do dia.
Por mais que ele buscasse parecer que tudo continuava como antes, sentia uma certa rejeição em relação à sua figura.
Ninguém tocou nele, pois pior que uma nuvem negra sobre sua cabeça, havia uma cor rubra em seu olhar.
O medo tomou conta do ambiente e, ele já não podia mais ser como outrora fora. Parecia estranho, mas tudo tinha mudado. Tudo o que ele tocava com seu toque de Midas, alterava a maneira de como as pessoas viam os mesmos objetos.
Pensou então consigo, as poções mágicas haveriam de funcionar, mesmo que o mestre lhe houvesse dito que demoraria cerca de dez dias para desfazer todo o mal causado pelo seu repugnante olhar.
Comer, beber, entreter-se, dormir e até mesmo conviver com a família, eram prazeres privados a ele.
Os dias passavam lentamente e, para sobreviver a seu exílio e continuar em meio a seus pares, ele usou o disfarce mais óbvio – a máscara da luz.
Com ela, pode esconder seu olhar, proteger-se da luz e ainda parecer normal entre os seus, sem contudo, levantar nenhuma suspeita do mal que espalhava ao menor toque.
Daquele dia em diante, o mago descobriu que não está imune às mazelas humanas, mesmo seus poderes mágicos, nada podiam fazer contra elas, principalmente contra aquela que se abateu sobre ele, a tão temível e terrível - conjuntivite.

sábado, 10 de maio de 2008

MÃE



Mãe,
Superação
Sacrifício
Compromisso
Doação

Doce canção
Comovente
Compreensiva
Paciente
emoção

Severa
Zelosa
Parceira
Amorosa

Quantos adjetivos
Uma mãe precisa ter
Qualidades tão distintas
Impossíveis descrever

Piedosa e divina
Que o meu ser
chega a crer
se Deus tem alma humana
ela mora em você.


sábado, 3 de maio de 2008

PÁGINAS DA VIDA

Eu queria poder entender,
o sacrifício feito quando eu não sabia que sacrifícios eram precisos.
Como foram necessárias dores para que você derramasse lágrimas para eu poder sorrir e, que quando cheguei chorando, você me abraçou e chorou sorrindo. Suas lágrimas eram de alegria e as minhas, de não saber o que me aguardava.

Então você beijou minhas pequenas mãozinhas e por um minuto recostou-me no seu peito para num suspiro desfalecer por tanto esforço, entregando-me à minha madrinha, na incerteza de ver-me novamente em vida, mas Deus a fez viver, ver somente meses depois e novamente me tomar nos braços.
Você que quase abriu mão de sua vida em favor da minha.

Eu que não te deixei dormir tantas noites em que você me velou debruçada de cansada na cabeceira de minha rede. Sofrendo minhas dores muito mais do que meu pequeno corpo que se contorcia em febre.

Eu que hoje não te entendo, mas sei que a cada gesto meu você já sabia o que eu queria.
Você que se esqueceu de si mesma para me deixar confortável, abrindo mão de sua própria vaidade em troca de apenas alguns sorrisos.
Eu que sempre exigi muito de você e em troca, você era feliz com o tão pouco que eu te dava.

Você, minha fortaleza, que embalou minhas noites com canções que ficaram gravadas na minha alma.
Canções que me fizeram esquecer os meus temores de criança e, que hoje fazem tanta falta.

Hoje eu só quero um abraço, um retorno ao colo que tantas vezes me amparou e me fez seguir adiante.
Eu que cresci e não aprendi ainda a não depender de você.
Você, que sempre foi tão forte e hoje é tão frágil diante de mim, homem feito.

Sei ainda, que você procura até hoje me fazer ficar bem, que reza por mim, que queria poder estar mais tempo junto, mas o mundo é tão veloz, que já não deixa tanto tempo para nossas conversas. A casa ficou maior para ti e pequena para mim. Você que precisa tanto de mim, que me deu tanto de sua vida, me pede agora apenas alguns momentos de atenção.

Sinto falta da infância, de uma época em passávamos mais horas juntos.
Hoje a saudade me faz pensar, que no tempo passado fui muito feliz, e que, este mesmo tempo hoje, me faz perceber o quanto você sempre me amou e viveu sua vida em função da minha.
Obrigado, mãe!

Sei que em duas palavras não posso resumir o reconhecimento de tudo o que você fez por mim, mas certamente, elas revelam em minha própria vida o respeito, o amor, a admiração e a gratidão que sempre sentirei por ti.

terça-feira, 29 de abril de 2008

FALA SÉRIO?

Está certo que na linguagem coloquial é possível certas liberdades, um barbarismo aqui, um neologismo ali, uma desconcordância, uma metáfora, um pleonasmo ou até mesmo uma cacofonia, mas há limites pra tudo, certo? Errado. Olha só o que dizem por aí afora.

FUMAR MATA. QUANDO SE MORRE, PERDE-SE UMA PARTE MUITO IMPORTANTE DA VIDA.Brooke Shields
NÓS SOMOS HUMANOS COMO AS PESSOAS. Nuno Gomes, jogador do Benfica
QUEM CORRE AGORA É O FONSECA, MAS ESTÁ PARADO. Jorge Perestrelo, relator desportivo
INÁCIO FECHOU OS OLHOS E OLHOU PARA O CÉU! Nuno Luz, comentador desportivo da SIC
O MEU CORAÇÃO SÓ TEM UMA COR: AZUL E BRANCO. João Pinto, ex-capitão do F.C.Porto
A CHINA É UM PAÍS MUITO GRANDE, HABITADO POR MUITOS CHINESES... Charles de Gaulle
LÁ VAI PANEIRA NO SEU ESTILO INCONFUNDÍVEL... (PAUSA) ...MAS NÃO, É VELOSO. Gabriel Alves, comentador desportivo
UM MORREU E O OUTRO ESTÁ MORTO. Manuela Moura Guedes
A NOVA TERAPIA TRAZ ESPERANÇAS A TODOS OS QUE MORREM DE CANCRO A CADA ANO. Manuela Moura Guedes
ANTES DE APERTAR O PESCOÇO DA MULHER ATÉ À MORTE, O VELHO REFORMADO SUICIDOU-SE. João Cunha, testemunha do crime
QUATRO HECTARES DE TRIGO FORAM QUEIMADOS. EM PRINCÍPIO TRATA-SE DE INCÊNDIO. Lídia Moreno, Rádio Voz de Arganil
O ACIDENTE FEZ UM TOTAL DE UM MORTO E TRÊS DESAPARECIDOS. TEME-SE QUE NÃO HAJA VÍTIMAS. Juliana Faria, TV Globo
A POLÍCIA E A JUSTIÇA SÃO AS DUAS MÃOS DO MESMO BRAÇO. Bento Ferreira, juiz
OS ANTIGOS PRISIONEIROS TERÃO ASSIM A ALEGRIA DO REENCONTRO PARA REVIVER OS ANOS DE SOFRIMENTO. Maria do Céu Carmo, psiquiatra
FERIDO NO JOELHO, ELE PERDEU A CABEÇA. Crônica do Diário das Beiras
AS CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE DO CHEFE DE ILUMINAÇÃO PERMANECEM RIGOROSAMENTE OBSCURAS. Eng.º Paulo Assunção, EDP
À CHEGADA DA POLÍCIA, O CADÁVER ENCONTRAVA-SE RIGOROSAMENTE IMÓVEL. Ribeiro de Jesus, PSP de Faro
O AUMENTO DO DESEMPREGO FOI DE 0 % O MÊS PASSADO. Luís Fontes, A Capital
O ACIDENTE PROVOCOU FORTE COMOÇÃO EM TODA A REGIÃO, ONDE O VEÍCULO ERA BEM CONHECIDO. António Bravo, SIC
A CONFERÊNCIA SOBRE A PRISÃO DE VENTRE FOI SEGUIDA DE FARTO ALMOÇO. Diário da Universidade de Bragança
ELA CONTRAÍU A DOENÇA EM VIDA. Dr. Joaquim Infante, Hospital de Santa Maria
HÁ MUITOS REDATORES QUE, PARA QUEM VEIO DO NADA, SÃO MUITO FIEIS ÀS SUAS ORIGENS. Antônio Tadeia, Crônicas do Correio da Manhã
OS NOSSOS LEITORES NOS DESCULPARÃO POR ESTE ERRO INDESCULPÁVEL. Rui Lima, A Bola
UM SURDO-MUDO FOI MORTO POR UM MAL ENTENDIDO. Antônio Sesimbra, O Independente
COMO MELHOR EM CAMPO, EU GANHEI UM MOTORÁDIO. O RÁDIO VOU DÁ PRA MINHA MÃE, A MOTO VOU FICAR PRA MIM. Jogador premiado com um rádio da marca motorádio após o jogo de futebol.
A VÍTIMA FOI ESTRANGULADA A GOLPES DE FACÃO. Ângelo Bálsamo, Jornal do Incrível
A POLÍCIA ENCONTROU NO ESGOTO UM TRONCO QUE PROVÉM, SEGURAMENTE, DE UM CORPO
CORTADO EM PEDAÇOS. E TUDO INDICA QUE ESTE TRONCO FAÇA PARTE DAS PERNAS ENCONTRADAS NA SEMANA PASSADA. Agente Paulo Castro, relações públicas da PJ
OS SETE ARTISTAS COMPÕEM UM TRIO DE TALENTO. Manuela Moura Guedes, TVI
QUANDO O JOGO ESTÁ A MIL, MINHA NAFTALINA SOBE. Jardel, ex-jogador do Sporting
QUEREM FAZER DO BOAVISTA O BODE RESPIRATÓRIO. Jaime Pacheco, ex-treinador do Boavista
EM PORTUGAL É QUE É BOM. LÁ, A GENTE RECEBE SEMANALMENTE DE 15 EM 15 DIAS. Argel, ex-jogador do Benfica
NEM QUE EU TIVESSE DOIS PULMÕES ALCANÇAVA ESSA BOLA. Roger, ex-jogador do Benfica
TENHO O MAIOR ORGULHO DE JOGAR NA TERRA ONDE CRISTO NASCEU. Djair, jogador do Belenenses ao chegar a Belém/Restelo, no dia que assinou contrato com este clube
FINALMENTE, A ÁGUA CORRENTE FOI INSTALADA NO CEMITÉRIO, PARA SATISFAÇÃO DOS
HABITANTES. Presidente da Junta da Freguesia do Fundão
PIOR QUE SER O ÚLTIMO É NÃO CHEGAR ENTRE OS PRIMEIROS. Jerônimo Gonçalo, maratonista.
NO PRIMEIRO JOGO A GENTE PERDEU, AGORA GANHAMOS. É COMO DIZ AQUELE VELHO DEITADO: A VIDA É UMA FACA DE DOIS LEGUMES. Josiel Silva, jogador do Aquarela F.C.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

PARABÉNS PARA MIM!

É bem verdade que apesar de dizermos que não, mas todos nós gostamos de sermos lembrados pelo dia de nosso aniversário. Pode quem quiser se desculpar por haver esquecido, mas o Orkut não mente e está sempre lembrando os próximos aniversariantes da semana. Não sei vocês, mas à medida que os anos passam você quer se sentir mais querido e, no dia de seu aniversário espera pelo menos um tapinha nas costas, um aperto de mão, um abraço ou mesmo apenas um sorriso de cumprimento dos colegas. Isto é o mínimo, contudo, comigo já aconteceu de ficar esquecido, ninguém lembrou, fiquei olhando, fui às salas, conversei, parei mais tempo no cafezinho e olhei para eles imaginando porque não me cumprimentavam. Depois, parti da suposição de que naquela manhã deviam está preparando uma festinha surpresa ao final do expediente. Chegou a hora de embora e nada aconteceu, toda minha expectativa morreu junto com aquela tarde. Fui para casa, triste e chateado. Logo eu, que sempre me fiz inserir no grupo dos que fazem a “vaquinha” para comprar o presente dos colegas. Logo eu que sempre lembrava o aniversário de cada um, incentivando uma festinha para cada ocasião. Porém, na semana do meu aniversário, ninguém fez listinha, não teve festinha e então me perguntei se era tão mau amigo assim dos colegas. Mas tirei uma lição disso tudo, acabei por fazer uma reflexão sobre minha conduta profissional, pessoal e social. Independente de quaisquer desculpas dadas, me calei por uma semana, remoí sozinho tentando digerir o acontecido, no entanto, na semana seguinte coloquei a boca no trombone (quem não chora não mama), confessei aos colegas da minha decepção, então se reuniram e, numa tarde dessas quando eu já entrava no carro para ir embora, me chamaram na sala de reuniões, tinham preparado uma Big festa. Perguntei-me se aquilo era fora originado da reclamação, do fato de estarem esperando reunir todo mundo para que se fizessem presentes ou se resolveram juntar dois ou três aniversários para comemorar de uma só vez. Mas, independente disto, fui ao ponto de comentar em casa, que meu natalício fora uma data da qual apenas eu dava importância.
Depois dos bolos, salgadinhos e refrigerantes, prometi pra mim mesmo não alardear mais meu aniversário. Os amigos (os de coração) me ligarão ou aparecerão em casa. Aos poucos, na seleção natural das coisas, saberemos quem de fato são nosso amigo e quem são verdadeiramente “os amigos da onça”. Mas não fico triste não, ainda haverá muitos aniversários pela frente, assim espero, como espero também que ninguém se esqueça.

domingo, 20 de abril de 2008

MAIS QUE DOR, SINTO VERGONHA

Desculpe Deus, fico envergonhado pela minha raça, sei que há outros caminhos para justificar nossa existência e que nesse plano existem propósitos bem maiores e mais dignificantes que a mesquinhez de nossa condição humana.
Não ouso mais tentar entender, pois a loucura humana não tem explicação. Temos o livre arbítrio, temos uma alma imortal galgada a aperfeiçoar-se. Então, se é para ser assim, como se explica a existência de pessoas que matam a forma mais pura de sua representação - a criança? Como explicar, entender ou até mesmo perdoar a atitude bárbara de matar um ser humano que não sabia o que era a maldade, ódio ou mesmo o que se passava em uma mente perturbada por descontroles pessoais? Porquê, e que direito tem alguém de privar uma criança da sua existência e de todo um plano do universo traçado para ela? Que direito pode ter um pessoa que em vão, por capricho ou motivos doentios sacrifica a própria filha por razões que nem mesmo os peritos na área psicológica e outras ciências conseguem explicar? Você consegue Deus?
Mesmo que sim, perdoe-me, mas me recuso a entender.
Que ira é essa, que louca alucinação, que ato desumano de inominável selvageria é esse?
Perdoe-me pequena Isabella, você merecia o gosto da vida, porque ele é tudo o que você sempre expressou no teu sorriso, na tua inocência, na tua pouca idade e em todo o teu pequeno coraçãozinho de criança.
Não entendo Isabella, o porquê de tanta dor, rancor, desamor. Tudo o que você sempre quis foi ser feliz. Quero crer, que não aqui, mas onde você estiver que você o será. Os dias de solidão e dor dos que te amavam serão preenchidos pelas doces lembranças dos momentos vividos ao teu lado. Eu não te conhecia, o Brasil não te conhecia, o fizemos de forma tão brusca, tão sofrida e tão angustiante, que ficamos impotentes para fazer algo por tua vida, a não ser clamar e exigir justiça pela covardia feita contra ela. Hoje você faz parte das famílias brasileiras, é a criança que todos querem proteger das maldades do mundo, e que as vezes não podemos, pois o mal se esconde em todo lugar, até mesmo dentro de nossa casa.
Eu sei meu Deus, a vida é feita de sacrifícios, até seu filho foi sacrificado, mas ele era consciente do que fazia, por que fazia e para quem fazia e, no fundo, a causa sempre estava lá – a loucura da estupidez humana.
Não há grau de comparação, mas a forma violenta com que se vão os inocentes me faz presumir de que eles são santos. Para mim Isabella, você é um anjo que vai zelar por todas as crianças para que elas não tenham um destino tão cruel.
Para mim que sou pai, sinto-me angustiado ao ver a morte tão trágica de alguém que teria sonhos de criança a realizar, que daria muitas alegrias, que com certeza faria parte de um futuro melhor para muitas pessoas. Agora que chances há para tais realizações tão abruptamente interrompidas.
Mas, seus sonhos vão continuar e em algum lugar alguém os realizará. Zele por nós pequena Isabella, precisamos muito do teu olhar puro e de teu sorriso de esperança.
Fale ao ouvido de Deus, para que tenhamos consolação e que Ele ilumine o coração de nossa raça, para que sempre haja alguém que apure a verdade e inflija a justiça certa àqueles que sujam suas mão de sangue, o sangue dos inocentes.
Não somos deuses, e se talvez nunca sejamos, mas com certeza, sempre haverá um Salomão para restaurar a verdade dos fatos e punir os culpados. Nisso cremos e isso esperamos.
Desculpe Deus, perdoe-me Isabella, isto é apenas um desabafo de mais um indivíduo inconformado com os fatos que fizeram doer o coração de todo um país.
Eu, como brasileiro junto meu grito aos outros e peço por justiça, mas como ser humano, acima de dor, sinto vergonha.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

CRÉU EM CRUZ, AVE MARIA!

A cada dia que passa, quanto mais rezo, mas assombração me aparece.
Já não bastasse a péssima produção atual musical do país, (não se pode viver eternamente de MPB, Bossa Nova, Jovem Guarda, Tropicália e etc.), não vemos uma renovação à altura do que se espera da outrora rica música brasileira (resistem uns poucos bravos; Marisa Monte, Ivan Lins, Oswaldo Montenegro, Djavan, Ed Motta, Zeca Baleiro, Gabriel Pensador, Chico César e mais alguns que ainda fazem trabalhos de alguma qualidade, não dá pra citar todos aqui). Se analisarmos, (vindo lá dos primórdios) teremos uma seqüência que dá arrepios, dos anos 80 pra cá, apareceram a dança do fricote, do abre a rodinha, do xibiu, do Tchan, da boquinha da garrafa, do tapinha não dói, da lacraia, do chupa que é de uva e outras coreografias inomináveis, e agora, para fechar com chave de ouro temos a dança do créu.
É mesmo o fim de tudo, as músicas de melodias fáceis (se é que se pode chamar de melodia), com letras sem imaginação e que acima de tudo buscam banalizar o sexo, é o que tem feito a cabeça de nossa juventude (ou desfeito, seria melhor dizer).
Como faz falta um Cazuza, um Tim Maia, um Raul Seixas e um Renato Russo. Suas letras faziam com que as pessoas pensassem e refletirem. Suas canções contagiavam pelo simples fato de protestar de modo racional, trazer uma mensagem de amor ou uma mensagem de profunda reflexão. Perto do que se vê hoje, tudo pelo sucesso fácil, prefiro mil vezes as letras escrachadas dos Mamomas Assassinas, pelo menos tinha humor e contagiavam todas as idades.
Dizem que em todos os campos há espaço para tudo (inclusive para o que é ruim), o que espero, é que saibamos de fato separar joio de trigo, porque do jeito que a coisa vai, créu em cruz!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

QUANTO MAIS ALTO...

É amigos, ficamos alguns dias de molho, mas aviso logo, foi olho gordo, e bota gordo nisso.
Às vezes é preciso canalizar as energias para neutralizar ações negativas enviadas de pessoas que têm inveja do sucesso alheio, daí retira-se a atenção daquilo que pode esperar e direciona-se para solucionar o que há de mais urgente.
Vocês sabem, a inveja é a arma de quem não tem competência para se estabelecer e, nesse caminho só se desperdiça tempo e dinheiro.
A verdade, é que tem gente que não sabe cair de pé (e acreditem, isso é possível) é sim, basta jogar limpo, sem ferir ninguém, respeitando as regras, admitindo a derrota quando ela é inevitável, “aquele que se retira da luta, pode voltar outra vez, e bem mais forte” (ditado oriental), mas que pena ter gente que não admite perder e sacrifica seus esforços, indo até as últimas conseqüências, tal qual um touro enfurecido que apesar do balé que leva do toureiro, cisma em estrebuchar e partir para cima, sabendo que esta ação descortina sua inexorável derrota.
Esse negócio de ficar protelando o inevitável, só leva a duas coisas, a primeira, é o desgaste da imagem, que como um flash, atrai logo a antipatia de todo mundo e, quem é antipatizado acaba sozinho e por tabela, fazendo jus ao ditado de que andorinha só não faz verão.
Segundo, fama de ruim e encrenqueiro precede negativamente a qualquer negócio que se queira fazer no futuro. Tudo bem, que tenha outro ditado dizendo que quem entra na chuva é pra se molhar, mas ninguém é louco de pedra pra pular dentro da fogueira e, nas entrelinhas, sabemos que nesse mercado, quem se queima está ferrado. Pessoas sem competência, podem enganar os outros por algum tempo, mas nunca todas as pessoas o tempo todo.
Para ser publicitário não é só abrir uma “agência” (aqui se falando em toda a estrutura necessária e capacidade técnica de atendimento pleno) bater no peito e dizer “eu sou publicitário”, é preciso mais que isso, é preciso ter paixão pelo que se faz, fazer bem feito e com competência, saber o momento certo de ouvir e de falar, ter conhecimentos de marketing, network e, no mínimo um pouco de educação para tratar bem as pessoas, sem diferenciá-las, quer ela seja um o subalterno ou um diretor (pessoas gostam de serem bem tratadas em qualquer ocasião, e isso independem da hierarquia que se aplique a elas).
Publicidade é beleza, resultados, jogo de cintura, é tratar bem, é cortesia, percepção, serenidade, é ser louco e criativo, mas nunca, nunca mesmo atropelar as pessoas como o rolo pressor de um trator desgovernado.
Desculpem minhas palavras, é que há mais de 20 anos na estrada, ainda fico chocado com aqueles que ousam pensar serem donos do mundo e crerem cegamente que tudo gira em torno de seus umbigos.

terça-feira, 8 de abril de 2008

O ÍNICIO DO FIM

Não me olhe desconfiado, não sou eu que desvio verbas públicas.
Não me olhe de trivela, não ofereço propina a ninguém.
Não me olhe com raiva, jamais me envolvi em escândalos de cartões corporativos.
Não me olhe com desdém, não sou eu o responsável pelo desperdício de seu voto.
Mas, acima de tudo, não me olhe como se a desgraça da sua vida tenha sido provocada por mim.
Sou Igual a você, cidadão comum. Não tive oportunidade de estudar em escola particular, igual a você fiquei muitas vezes na fila do INPS (hoje SUS) para poder ter direito a uma consulta (direito esse em sua totalidade desrespeitado). Andei de ônibus, suei a camisa, esquentei a cabeça sob o sol e passei por situações indignas a um cidadão.
Aliás, indignação é a palavra que melhor define o sentimento de todos.
Indignação pela loucura que mata uma Isabela.
Pela insanidade que vitima um João Hélio.
Pela violência que assassina uma Gabriela.
Pela falta de humanidade que incendeia um Galdino.
Pelo descontrole de um Estado que cede parte da cidade e vida de cidadãos ao poder do crime.
Pela falta de escrúpulos de pessoas que só pensam em si, deixando a massa à própria sorte.
Há uma falta total de civilidade, de honestidade e de ética.
Além dos problemas crônicos da segurança, saúde, educação, fome, moradia e desemprego, surge a cada dia outros. Um deles é a certeza da impunidade, que está encravada nas lacunas da lei e na realidade estampada no ócio e estagnação das instituições constituídas.
Por outro lado, a nossa tão falada democracia perde-se em outro estado mais forte, a burocracia, ou seria melhor dizer “burrocracia”. De qualquer modo, o cidadão comum é refém de um Estado que não o defende, ampara ou protege. Num estado de coisas assim, somente de Deus depende o destino de outras Isabelas,Joãos e Gabrielas.



quinta-feira, 3 de abril de 2008

CHOVE CHUVA, CHOVE SEM PARAR...

Hoje é uma daqueles dias com os quais a gente ainda não se acostumou. Digo isso porque aqui, é sol o ano inteiro (ou era), agora quase não se tem mais sol. Gosto de tempo ameno, só que agora há menos sol, menos calor, menos certeza de poder sair sem se preocupar se você chegará seco. Costuma-se dizer que aqui quando não é 8 é 80, ou sol de torrar ou chuva pra matar sapo afogado. Esta nova realidade de amanhecer, passar o dia, a noite e a madrugada chovendo, chega a dar nos nervos. Não que eu seja contra a chuva, gosto daquele barulhinho que ela faz no telhado. Quando ela cai no campo e é benéfica, ótimo! Mas, quando cai em demasia, dá asia. Na cidade, os rios Tigre (Poty) e Eufrates (Parnaíba) transbordam e aí, catástrofe em nossa Teresopotâmia. São bueiros entupidos, casas invadidas, gente desabrigada, doenças intestinais e epteliais, pistas interditadas, ruas alagadas...xii a lista é grande. Essas precipitações pluviométricas (palavra bonita) em larga escala não dá nem tempo de sentir o cheirinho de terra molhada (porque ela está encharcada o dia inteiro). Hoje está meio triste sair na chuva, (feliz era o Gene Kelly dançando na chuva ao som de “Singin in the Rain” sob uma chuva cenográfica). Passear na chuva, um banho de bica é legal, porém, um tromba d’água diluviana é um risco que não se pode correr (ou melhor, um banho que não deve tomar), porque quem é ciclista, motociclista ou pedestre não tem um pingo de respeito por parte dos motoristas, estes quando passam levantam verdadeiros Tsunamis em cima dos pobres transeuntes. Em tempos assim, bom mesmo é ficar em casa e tomar um chocolate quente, curtir um bom DVD ou mesmo ficar debaixo das cobertas. Infelizmente não possuo barco, senão hoje, ele seria uma chata para lotação.
Então se você não tiver mais o que fazer, vá para o quintal de sua casa, pegue seu shampoo, seu sabonete, coloque a música da Vanessa da Mata (ai, ai, ai...) bem alto e feliz banho, afinal, tem sempre um lado bom em todas as coisas.

sábado, 29 de março de 2008

O PRÊMIO DE 1 MILHÃO VAI PARA...

Já tive meus dias de Big Brother (mas sou celebridade só de minha vida) e também enfrentei diversos paredões. Lembro que aos sete anos de idade, só porque errei uma resposta, a professora me mandou para o castigo - ficar em um canto da sala e, de cara pra parede (começou aí a sina). Ninguém foi solidário, acredito que com medo para não ter o mesmo destino, mas depois desta provação, todos queriam saber qual sensação da superação. A cada dificuldade vencida, eu voltava mais forte.
Todas as escolhas e passos foram decisivos para minha permanência no jogo.
As câmeras de vigilância eram os olhares daqueles que queriam ver meu desempenho e cobravam a cada dia minhas ações, não sei se torciam por mim, mas sempre quis crer que no fundo desejavam que eu me tornasse uma pessoa melhor.
Nunca fui de panelinhas ou alianças para derrubar os outros, mas muitas vezes, sempre teve alguém para puxar o meu tapete. Não, não me isolei do mundo trancado em uma luxuosa casa cheia de mulheres bonitas, ao contrário, o patinho feio teve que mostrar outras qualidades para poder se firmar no mundo adulto e competitivo.
Nada de festas glamorosas, mesas fartas e fantasias, na verdade, a realidade diante de mim era crua e nua (um mundo por demais cruel para um adolescente em tempos de um regime linha dura e mão-de-ferro). Não fui de muitas "ficações", na verdade a única “sister” que me interessou, é a companheira que sempre esteve comigo, até que venha o último paredão.
Ela me proporcionou prêmios mais significantes que um milhão, ganhei prêmios para uma vida inteira - meus filhos, cujo valores são inestimáveis.
No final, percebe-se que tudo é um jogo onde todos fingem serem outras pessoas, no entanto, as máscaras vão caindo e aí, você se revela como realmente é.
Não há Bials, brothers e nem Boninhos manipulando os fatos, o que há de verdade são apostas em uma vida melhor.
Na prova do anjo, o colar vai para ela, a quem sempre quis proteger, pois esse sentimento é recíproco.
Na minha final ganham todos, pois o meu voto é para que a Socorro, a Mariana, o João Pedro estejam sempre bem.
Minha vida não é para dar audiência pra ninguém, mas uma coisa é certa, estou muito feliz com o resultado do jogo.

segunda-feira, 10 de março de 2008

ENTRE O BEM E O MAL

Para que ser bedel, juiz, carrasco ou mesmo réu?
Não condeno, absolvo ou executo, afinal, há muito mais no jogo de cena que somente opiniões desencontradas sobre a teimosia humana.
Eu sou teimoso, se é defeito ou qualidade, depende do ponto de vista.
Se é persistência, boa teimosia, se é birra, puxa que cabeça dura.
Mas ainda assim, alquebrado pelo tempo e calejado pelas agruras da profissão, vou abrindo picadas em meio a selva do meu destino, juntando minha sina a tantas outras de até mais provações e privações.
Somente nesses caminhos desencontrados de nossa ruidosa, desastrosa e completamente manipulada construção da história humana, é que vemos o quanto estamos longe de ser o que queríamos acreditar termos sidos chamados a ser.
Como é seguir adiante sem ter direção a tomar? A resposta está logo ali, nas regras do jogo - a bíblia - que aliás, não é um livro para ser cegamente seguido sem questionamentos, pois a condição humana já é o ponto de partida para dúvidas e questões existenciais, porém, a bíblia traz uma série de preceitos para se viver de forma harmoniosa tentando estar em sintonia com o universo.
Quem não gostaria de ser perfeito, eu sei, isto está quase à beira da utopia, mas não é do ser humano buscar incessantemente a perfeição?
Essa busca desesperada talvez seja o único motivo de verdade que nos instiga a continuar tentando, procurando, errando e com todas as letras – teimando.
Há perguntas a serem feitas e muitas outras a serem respondidas, e é nesse carrossel de conturbadas emoções que se reserva um espaço em branco para sentar e aguardar a voz que de algum ponto do universo explode dentro de você numa sentença inexorável – você está aqui de passagem.
Isso quer dizer: viva, compartilhe, interaja, frutifique e vá. Vamos sim, mas para onde? Por quais caminhos, há evidências de quem já esteja lá?
Não, não somos senhores de nosso próprio destino, somos sim, peças em um grande jogo entre duas forças poderosas, ao mesmo tempo alinhadas e antagonicamente paradoxais: o bem e o mal. Às vezes, ora mesclados por uma, ora escravos de outra, contudo, no fim, seremos absorvidos e finalmente absolvidos de nossa condição de peças. Seremos alçados da condição de elementos do jogo à de vibrantes expectadores.
Então, no jogo da vida, vale um conselho, e essa é a melhor jogada – seja teimoso!

segunda-feira, 3 de março de 2008

NO FIM DO JOGO

Nos dias que nos são dourados, percebemos o quão criativos, dinâmicos e impactantes podemos ser. Em nosso trabalho, a postura, uma palavra ou uma tarefa bem executada é o suficiente para separar o Joio do trigo. A notoriedade vem e se instala em cima de padrões adotados para reger a nossa conduta ética profissional. A verdade é que, sempre me omiti de adquirir certas responsabilidades inerentes ao meio em que convivo. A questão de ser elevado a um nível superior de entendimento se faz gradativamente e às vezes até repentinamente com o chamado choque de realidade. Quando se é alçado a uma posição em que errar já não é mais permitido, sentimos o quanto de fato somos frágeis. Tomar decisões difíceis, se aprofundar nos problemas tentando a todo custo encontrar uma solução, é um claro sintoma de amadurecimento. Doses homeopáticas de responsabilidade fazem com que tenhamos uma visão mais detalhada de todo o processo de crescimento pessoal e profissional.
Nunca simpatizei muito bem com as pessoas centralizadoras e que a todo custo pretendem abraçar o mundo, os espaços são complementados para o todo com a parte de cada um. Todos nós somos bons naquilo que gostamos e nascemos para fazer, embora por necessidade da profissão ou da conjuntura, aprendamos a fazer inúmeras outras coisas, no entanto, o bom profissional sempre terá uma paixão maior por aquilo que o cativa, aquilo que faz de melhor, aquilo que ele ama porque nasceu para fazer.
Existem inúmeras definições para o bom profissional, e para isso, aí está agregada a percepção, a capacidade, a criatividade, o espírito de grupo e o saber ouvir. Hoje, percebo o quanto fui mesmo uma carta fora do baralho, porém, sem contar com sorte e sim muito mais com determinação, insisto que embora o jogo já há muito esteja rolando e às vezes com um placar desfavorável, acredito que até no último minuto se pode virar a partida. Estou indo cobrar o escanteio e correndo para a área para cabecear, não porque queira fazer tudo sozinho, mas do gol não abro mão, afinal, quem marca gols sempre será lembrado. No jogo da sua vida, o artilheiro é você mesmo. Ou será que você tem um reserva?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O MEU ANJO DO LADO

Você conhece alguém que apesar de não ser da família, nutre por ele um grande carinho e pensa que sem ele talvez seus dias fossem mais cinzas que azuis.
Alguém que não dividiu com você a mesma escola, o mesmo parque e nem os mesmos amigos de infância e, ainda assim parece que ele e você estiveram sempre juntos.
Não sei muito se esta história de alma gêmea é verdadeira, mas acredito nos casos em que as pessoas são, por assim dizer, uma extensão da outra, embora não exista muito em comum entre elas. Sabe, ela é aquela irmã que falta para dar um pouco mais de atenção e dizer a verdade na tua cara porque gosta muito de você, e tem certeza que você não vai se ofender por isso. Muito do que há em nós mesmos, é resultado desta convivência positiva.
Você se sente bem pra conversar, pra sorrir e até para dividir alegrias, problemas e tristezas.
Mesmo que você a magoe, ela nunca te julgará menos merecedor de sua amizade. Creio que toda pessoa queria ter alguém assim, sem máscaras, sem meias palavras e, sobretudo, sem medo de dizer que está ali ao seu lado, embora a gente nunca se dê conta de quanto isso é importante.
Sou privilegiado, não tenho muito a oferecer, mas de bom grado acato tudo que possa me fazer crescer como pessoa.
Sou grato, posso dizer, tenho uma grande amiga, ela vale muito e talvez nem tenha noção de o quanto. O seu nome?
Jeane. E significa: “Deus é bondoso”, no caso de tê-la como amiga, principalmente para mim.
Nada é por acaso, por isso você está aqui. Que bom.
Anjos não são pessoas, mas há pessoas que são anjos.