terça-feira, 29 de janeiro de 2008

RENASCIMENTO

Vai velho amigo
Leva teu sorriso sereno
E alegra outros sonhos
Outros momentos
E outros tantos

Chovia quando te fostes
E a chuva brindava tua chegada
Teu renascimento
Nós aqui sentidos
Combalidos
Não vimos que sorrias
no alto firmamento

E a chuva se verteu de vida o verde
Na cor de teus olhos que brilhavam
Em teu rosto sofrido de silêncio
Nenhum pranto agudo
Nenhum lamurio se escutava

Vai velho amigo
Saudades ficam repletas de dor
De teus pares queridos em vida
mas sei que o que me alivia
é para que destino for
Tu agora caminhas tranqüilo
Pelos campos verdejantes do Senhor.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

COMEÇANDO DE BAIXO

Quem já não ouviu falar de muitas pessoas que começam de baixo e chegam a ficar famosas e ricas. Eu, por exemplo, queria ser rico, não famoso. (Ha ha ha ha).
Essa coisa de nunca pegar atalhos, de passar por todas as etapas do caminho às vezes mais derruba do que ajuda. Eu sei o que é isso, tenho as marcas.
Lembro de minha infância, aí pelos onze ou doze anos, eu e meu amigo Zé, levávamos o ditado ao pé-da-letra, quando de traquinagem íamos tirar (roubar é muito feio) as mangas no quintal do vizinho (que tinha dois cachorros da raça pequinês – nada fofinhos, embora de tamanho pequeno - os bichos metiam medo com aquelas presas grandes para fora da boca).
O Zé, menos ágil, (hoje digo, mais esperto) ficava em cima do muro e eu é que entrava e colhia as mangas-rosas no pé de manga, enquanto um outro colega fazia barulho na frente da casa para atrair a atenção dos cachorros.
O Zé sempre dizia: começa de baixo, começa de baixo!
Só que a cada semana iam acabando as mangas de baixo e chegou um dia que tive de improvisar uma escada com latas e subir me equilibrando mais do que artista mambembe, para colher as mangas mais altas. O suor na testa, a boca aberta com medo de cair e fazer barulho, estiquei o meu braço e comecei a rodar a manga com muita cautela, e aí, de repente, em meio àquela escuridão do quintal, (glup) me cai um gafanhoto goela abaixo.
Argh! Que bicho azedo, que coisa ruim. Caí com as latas, e vou aquele barulhão, a luz do quintal acendeu e eu corri por cima dos espinheiros e saltei num vôo mais espetacular do que os de um super-herói por sobre o muro, e na trajetória ainda derrubei o Zé. Caimos estatalados no quintal da casa dele. Mas também, os cachorros vinham nos meus calcanhares e queriam morder minhas pernas, talvez eles tenham ouvido e entendido o Zé dizer: “Começa de baixo, começa de baixo!”.
Depois dessa, se puder evitar começar de baixo, eu evito.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A CERTEZA DE NADA

Tudo que preciso é ter um pouco de certeza sobre tudo.
Minhas respostas, embora prontas, não me satisfazem plenamente.
Se você tem plenamente certeza das coisas, mande cartas e e-mails para a redação, esclarecendo certos dilemas que atravessam o tempo.
Eis alguns deles:
De onde viemos, pra onde vamos? (os outros não sei, mas eu vim da periferia e quero morar no Jóquei)
Foi mesmo o tal Pedro Cabral que descobriu o Brasil? (ou foram os corsários franceses contrabandeando madeira ou ainda os fenícios no Piauí)
Quem fala mais, o homem ou a mulher? (quero crer que aí vai depender do tamanho da língua da sogra)
Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? (de galinha eu entendo, já de ovo, nadinha)
Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? (testei e não descobri)
Maria bonita, era bonita mesmo? (creio que era porque o Lampião só a via com um olho só) (pelas fotos, hum,hum)
Quem aí vive num mar de rosas? (a minha, agora com essas chuvas, é só lama)
Ser ou não ser? Eis a questão? (Pior que não se decidir, é nem saber o que se é)
Será que grama é sempre mais verde no jardim do vizinho? (vai ver ele rega todo dia)
Se o pato Donald veste uma camisa e não usa calças, porque quando ele sai do banho cobre com a toalha a parte de baixo? (em desenho animado pode tudo).
A zebra é branca com listras pretas ou preta com listras brancas? (eu acho que ela tá de pijama)
Qual era a cor do cavalo branco de Napoleão? (affe)
Ô dúvida cruel!
Alguém aí tem a resposta certa?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

MEUS POEMAS III

Ferida
Senti-me só,
Quis gritar,
Um grito surdo,
Agudo,
Mudo.
E tudo o que se ouviu,
Foi um silêncio mórbido
sórtido
Nas batidas de um coração
Recheado de vazio,
Repleto de solidão.

Senti-me perdido,
Ferido
na alma,
Amarga,
Talhada
Na dor,
Sem cor,
Amor.
Tudo o que era eu,
no adeus,
teu,
morreu,
meu sorriso

arredio
entristeceu,
a alegria infinita
no dia de tua ida
para sempre

se perdeu.
Acabaram sonhos meus
E sem lágrimas no olhar

não vi mais nos olhos teus
motivos pra chorar

Só resta descortinar
e engolir seco o Adeus.

Reflexos
O mar
Encanta
No vem e vai da onda.

Por dentro,
O vento
Me sonda.

A onda
Na praia arrebenta
lava minhas lembranças
e dança
nessa eterna cantilena.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

POBRE SÓ LEVA DE GRAÇA SUSTO

Há muito tempo não levava sustos.
Mas ao assistir os telejornais tomei vários.
O primeiro foi quando falaram que querem criar uma CPMF permanente para arrecadar dinheiro exclusivamente para a Saúde, (acredite se quiser que esse dinheiro vai pra lá) . Lembram do empréstimo compulsório? (Deus nos guarde).
Também falaram em criar um imposto sobre extração mineral (quem for construir casa e tiver que comprar areia, pedra, barro e massará, vai ter que pagar para o governo), coitado do pobre. O governo nem faz casa e nem deixa mais ele construir seu barraquinho.
Outro susto foi quando sugeriram desviar o rio Amazonas para o Nordeste, acreditem, Vitória-régia em pleno sertão. Vou ficar da minha janela olhando os botos rosa descendo o rio e as piranhas passeando pelo Poty, ninguém vai dar conta de tantas. Quem sabe não desce uma pororoca trazendo um monte de índios que irão desfilar semi nus pelas ruas vendendo balangandãs.
Quer mais um susto de arrepiar os cabelos? O índio brasileiro terá que aprender um terceiro idioma além da sua língua ancestral e do português que lhe foi imposto. Queria eu acreditar que fosse o espanhol. Se for o espanhol, todos falariam a mesma língua e poderiam se unir e fazer uma revolta, num mercosul sem fronteiras, a primeira ação seria destituir aquele presidente de origem indígena que não faz nada pelo seu país e quando faz..., coitados de nós aqui no Brasil. Já pensou os nativos latinos unidos para acabar de vez com a exploração criminosa de madeira e minérios nos seus territórios? Vamos sonhar (embora sonhar não custe pagar imposto ainda). Mas, se esse terceiro idioma for o inglês, que todos dizem ser a língua universal, (embora a língua mais falada no mundo seja o mandarim chinês, por cerca de 1 bilhão e 300 milhões de pessoas ) serão os gringos realizando de vez o sonho americano (deles né), tomar conta da floresta mais cobiçada do planeta. As reservas indígenas sob o estandarte de proteção internacional, serão verdadeiros enclaves americanos invadindo a Amazônia, Adeus floresta! (Já pensou a bandeira nacional ia ter que tirar o verde e colocar as listrinhas) Lembram do caso da base de Alcântara que eles queriam alugar, trazer o exército deles para fazer a segurança e barrar a entrada dos brasileiros? Se não fosse o povo pressionando o congresso, o Maranhão seria Americano (e olha que já foi holandês), nesse caso, nem macumba, tambor de crioula ou bumba-meu-boi ia dar jeito. Bem, susto por susto, o que mais impressiona é a programação das TVs abertas, há uns quatro anos eu vejo todos os anos anunciarem um mesmo filme com a frase “pela primeira vez na televisão”, ou então um capítulo inédito de novela tal (que já passou, se já passopu não é inédito) no "vale a pena ver de novo", Jesus, que mal fiz eu pra essa gente. Já que querem a política de pão e circo, que o espetáculo tenha o mínimo de qualidade, porque o respeito pelo povo acabou há muito. Me acordem, estou tendo pesadelos ao ver a TV, e o pior, é que quando acordo, tá lá os BBBs da vida. Uma cultura imensa, essa de falar da vida alheia. Acho que vou começar a eliminação pelo Bial. Que tal?

sábado, 12 de janeiro de 2008

O DESPERTAR PARA A VIDA

Hoje despertei da minha cama mais cedo, nem deixei o pedreiro tocar a campainha e olha que ele toca pontualmente as 7:00h. Não, não tô fazendo uma reforma, pobre faz puxadinho, um quartinho para guardar quinquilharias (e quem não as tem?). Nem deixei sequer o cachorro latir. Acordei disposto, fui para o computador e em meia hora fiz a pauta do programa de rádio, e se você não sabia, faço isso como terapia, locutor nas horas vagas. Me despedi do meu filho, ele ali com sua pijama e arrastando um lençol pelo chão e com o bico na boca, sempre vem para me dar um Tchau e um beijo (aprendi que devo valorizar muito isso, pois essa fase é a melhor de poder ser pai). Cheguei na rádio animado, o programa foi genial, muita gente ligou de todas as partes da cidade. Percebi então, o quanto o que eu digo é importante e capaz de modificar a vida e as ações das pessoas. Então, me encontro numa situação em que eu não preciso fingir ser outro alguém para agradar a quem quer que seja, nessa hora sou eu mesmo. Estava certo e convicto de que em algum lugar da cidade alguém esperava uma mensagem de otimismo de mim. Garotos como o Daniel, ouvinte atento, mesmo em sua cadeira de rodas, ele não perde um programa ou como o Felipe de apenas sete anos que sempre canta todas as músicas e ouve atento o quadro das crônicas da vida. E qual não foi minha surpresa, quando apareceu lá aquele garotinho, eu não o reconheci, mas quando ele tirou o boné, lembrei que era o mesmo que no natal passado eu havia visitado. Tínhamos levado para ele algumas cestas básicas. Ele estava ali, porque ligou durante o programa e foi sorteado, mas ele não queria o prêmio, aquilo não importava para ele, o que queria era apenas um Cd, um Cd que continha músicas de um padre amigo meu, o frei Alfredo, um cd com letras que arremetiam à esperança, reflexão e paz.
No momento eu não o tinha em mãos, mas no próximo final de semana, eu o visitarei e você nem precisa adivinhar o que levarei pra ele. É, hoje despertei mais cedo, e tal qual acordei, vou me deitar feliz. Hoje aprendi um pouco mais, aprendi que na vida só há sentido, se de alguma forma você proporcionar a alguém um pouco de felicidade. Que tal tentar?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

NA CONTA DO CAMINHO

Um dia acordei e descobri que estava só.
Só e por minha conta, ontem dormi criança e hoje desperto homem feito.
Vi que meu rosto imberbe não era mais o mesmo, e até as brincadeiras e a forma de me portar já não importava mais.
Quem não chora à hora da partida, tive que ir, deixei minha casa e meus amigos, meus brinquedos, minha outra vida. Não parti para descobri um mundo novo, mas viver esse meu eu neste velho mundo. Tentei me adaptar, mas ainda que, mudando minhas atitudes, me senti só. Não podia e nem queria gritar, e gritar mesmo pra quê? Ninguém se importaria, os rostos no meu caminho estavam preocupados consigo mesmos. Meu grito seria como aceitar minha derrota diante de mim mesmo, e eu jamais quis ser um derrotado.
Na matemática da vida, dependendo de como racionalmente nos comportamos, nossas ações podem ter desempenhos pífios ou excelentes. É simplesmente pesar o que sou, como sou e o que quero ser.
Por muito tempo carreguei minhas dúvidas, mas uma dia, caminhei em direção a luz (há mesmo luz no fim do túnel). Passei a perceber que a cada passo, eu era mais feliz no que fazia, mas não por acertar todas as minhas escolhas, errei e sofri para aprender que errar é sinal de maturidade e que a soma de todos os erros resultava em um único acerto: a lógica da vida é uma equação complexa demais e, paradoxalmente, deve ser resolvida de maneira simples.
Então continuo caminhando, ainda tenho muitas dúvidas, mas a cada fato novo, elas vão se desfazendo, e à medida que isso ocorre, sei que estou certo, afinal, nunca fui muito bom em matemática, mas na jornada da vida, jamais me senti um zero a esquerda. Como tenho certeza disso?!
Já tirei minha prova dos noves fora e o resultado final, é que à meu modo sou muito feliz.
E você?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

MINHAS POESIAS II

Metamorfose
Como muda a mulher camaleão,
são cores, momentos,
olhares e risos,
muda tudo em volta,
nesse turbilhão.
Muda a mim,
muda o mundo,
só não muda a ti,
mulher camaleão

Despedida
Você que disse:
Vá,
te imploro,
ou qualquer coisa do tipo.
Fui no meio da fumaça,
mas tal como sumo,
volto,
À você retorno,
na neblina da manhã.
E como o sol,
brilho,
e como gente,
vivo,
por você
rio,
e pelos desencontros,
choro.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

FAXINA NA ALMA

É ano novo, que bom!
Se você não sabe o que fazer nesses primeiros dias do ano, veja algumas dessas dicas;
Esvazie suas gavetas para dar lugar a novos projetos.
Não guarde coisas de etapas já vencidas.
Dê algumas roupas que para sua nova fase já não servem mais (ou caso você tenha engordado também).
Use um novo corte de cabelo, ano novo, visual novo.
Faça uma faxina geral no quarto. (pôsteres nas paredes - argh! Tire tudo, seja moderno, dê outra vida a seu refúgio).
Mude os móveis de lugar, sempre dá um ar diferente.
Troque seu perfume por outro, mudar de aroma sempre atrai bons fluídos.
Foque seus objetivos e nunca mude de direção, a menos que tudo mude de rumo em sua vida.
Doe tudo que você não queira mais; livros, revistas, CDs, brinquedos e outros objetos (mas em bom estado, claro), isso fará muita gente feliz (principalmente quem realmente precisa).
Venha revigorado para seu trabalho, e se já estiver cansado dele, mude, faça algo que ame, quem ama o que faz, nunca se cansa.
Além dessa faxina externa, limpe sua cabeça e seu espírito, a faxina interior é a mais complicada, por isso, desligue o botão das intrigas e picuinhas, seja altruísta, paciente e amigo (ser amigo influi em mudar muitas coisas em nossas relações com as pessoas).
Por fim, abrace novas causas, atividades diferentes daquelas que fazemos usualmente, nos mostram realidades que ainda não conhecemos. E lembre-se, mais gratificante que receber elogios, é fazer por bem menos alguém feliz.
Boa faxina, na casa e na alma!