segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

COMEÇANDO DE BAIXO

Quem já não ouviu falar de muitas pessoas que começam de baixo e chegam a ficar famosas e ricas. Eu, por exemplo, queria ser rico, não famoso. (Ha ha ha ha).
Essa coisa de nunca pegar atalhos, de passar por todas as etapas do caminho às vezes mais derruba do que ajuda. Eu sei o que é isso, tenho as marcas.
Lembro de minha infância, aí pelos onze ou doze anos, eu e meu amigo Zé, levávamos o ditado ao pé-da-letra, quando de traquinagem íamos tirar (roubar é muito feio) as mangas no quintal do vizinho (que tinha dois cachorros da raça pequinês – nada fofinhos, embora de tamanho pequeno - os bichos metiam medo com aquelas presas grandes para fora da boca).
O Zé, menos ágil, (hoje digo, mais esperto) ficava em cima do muro e eu é que entrava e colhia as mangas-rosas no pé de manga, enquanto um outro colega fazia barulho na frente da casa para atrair a atenção dos cachorros.
O Zé sempre dizia: começa de baixo, começa de baixo!
Só que a cada semana iam acabando as mangas de baixo e chegou um dia que tive de improvisar uma escada com latas e subir me equilibrando mais do que artista mambembe, para colher as mangas mais altas. O suor na testa, a boca aberta com medo de cair e fazer barulho, estiquei o meu braço e comecei a rodar a manga com muita cautela, e aí, de repente, em meio àquela escuridão do quintal, (glup) me cai um gafanhoto goela abaixo.
Argh! Que bicho azedo, que coisa ruim. Caí com as latas, e vou aquele barulhão, a luz do quintal acendeu e eu corri por cima dos espinheiros e saltei num vôo mais espetacular do que os de um super-herói por sobre o muro, e na trajetória ainda derrubei o Zé. Caimos estatalados no quintal da casa dele. Mas também, os cachorros vinham nos meus calcanhares e queriam morder minhas pernas, talvez eles tenham ouvido e entendido o Zé dizer: “Começa de baixo, começa de baixo!”.
Depois dessa, se puder evitar começar de baixo, eu evito.

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