domingo, 20 de abril de 2008

MAIS QUE DOR, SINTO VERGONHA

Desculpe Deus, fico envergonhado pela minha raça, sei que há outros caminhos para justificar nossa existência e que nesse plano existem propósitos bem maiores e mais dignificantes que a mesquinhez de nossa condição humana.
Não ouso mais tentar entender, pois a loucura humana não tem explicação. Temos o livre arbítrio, temos uma alma imortal galgada a aperfeiçoar-se. Então, se é para ser assim, como se explica a existência de pessoas que matam a forma mais pura de sua representação - a criança? Como explicar, entender ou até mesmo perdoar a atitude bárbara de matar um ser humano que não sabia o que era a maldade, ódio ou mesmo o que se passava em uma mente perturbada por descontroles pessoais? Porquê, e que direito tem alguém de privar uma criança da sua existência e de todo um plano do universo traçado para ela? Que direito pode ter um pessoa que em vão, por capricho ou motivos doentios sacrifica a própria filha por razões que nem mesmo os peritos na área psicológica e outras ciências conseguem explicar? Você consegue Deus?
Mesmo que sim, perdoe-me, mas me recuso a entender.
Que ira é essa, que louca alucinação, que ato desumano de inominável selvageria é esse?
Perdoe-me pequena Isabella, você merecia o gosto da vida, porque ele é tudo o que você sempre expressou no teu sorriso, na tua inocência, na tua pouca idade e em todo o teu pequeno coraçãozinho de criança.
Não entendo Isabella, o porquê de tanta dor, rancor, desamor. Tudo o que você sempre quis foi ser feliz. Quero crer, que não aqui, mas onde você estiver que você o será. Os dias de solidão e dor dos que te amavam serão preenchidos pelas doces lembranças dos momentos vividos ao teu lado. Eu não te conhecia, o Brasil não te conhecia, o fizemos de forma tão brusca, tão sofrida e tão angustiante, que ficamos impotentes para fazer algo por tua vida, a não ser clamar e exigir justiça pela covardia feita contra ela. Hoje você faz parte das famílias brasileiras, é a criança que todos querem proteger das maldades do mundo, e que as vezes não podemos, pois o mal se esconde em todo lugar, até mesmo dentro de nossa casa.
Eu sei meu Deus, a vida é feita de sacrifícios, até seu filho foi sacrificado, mas ele era consciente do que fazia, por que fazia e para quem fazia e, no fundo, a causa sempre estava lá – a loucura da estupidez humana.
Não há grau de comparação, mas a forma violenta com que se vão os inocentes me faz presumir de que eles são santos. Para mim Isabella, você é um anjo que vai zelar por todas as crianças para que elas não tenham um destino tão cruel.
Para mim que sou pai, sinto-me angustiado ao ver a morte tão trágica de alguém que teria sonhos de criança a realizar, que daria muitas alegrias, que com certeza faria parte de um futuro melhor para muitas pessoas. Agora que chances há para tais realizações tão abruptamente interrompidas.
Mas, seus sonhos vão continuar e em algum lugar alguém os realizará. Zele por nós pequena Isabella, precisamos muito do teu olhar puro e de teu sorriso de esperança.
Fale ao ouvido de Deus, para que tenhamos consolação e que Ele ilumine o coração de nossa raça, para que sempre haja alguém que apure a verdade e inflija a justiça certa àqueles que sujam suas mão de sangue, o sangue dos inocentes.
Não somos deuses, e se talvez nunca sejamos, mas com certeza, sempre haverá um Salomão para restaurar a verdade dos fatos e punir os culpados. Nisso cremos e isso esperamos.
Desculpe Deus, perdoe-me Isabella, isto é apenas um desabafo de mais um indivíduo inconformado com os fatos que fizeram doer o coração de todo um país.
Eu, como brasileiro junto meu grito aos outros e peço por justiça, mas como ser humano, acima de dor, sinto vergonha.

Um comentário:

Aline disse...

Carvalho,

Esse seu texto está gritando a dor de todos nós!!!