terça-feira, 8 de abril de 2008

O ÍNICIO DO FIM

Não me olhe desconfiado, não sou eu que desvio verbas públicas.
Não me olhe de trivela, não ofereço propina a ninguém.
Não me olhe com raiva, jamais me envolvi em escândalos de cartões corporativos.
Não me olhe com desdém, não sou eu o responsável pelo desperdício de seu voto.
Mas, acima de tudo, não me olhe como se a desgraça da sua vida tenha sido provocada por mim.
Sou Igual a você, cidadão comum. Não tive oportunidade de estudar em escola particular, igual a você fiquei muitas vezes na fila do INPS (hoje SUS) para poder ter direito a uma consulta (direito esse em sua totalidade desrespeitado). Andei de ônibus, suei a camisa, esquentei a cabeça sob o sol e passei por situações indignas a um cidadão.
Aliás, indignação é a palavra que melhor define o sentimento de todos.
Indignação pela loucura que mata uma Isabela.
Pela insanidade que vitima um João Hélio.
Pela violência que assassina uma Gabriela.
Pela falta de humanidade que incendeia um Galdino.
Pelo descontrole de um Estado que cede parte da cidade e vida de cidadãos ao poder do crime.
Pela falta de escrúpulos de pessoas que só pensam em si, deixando a massa à própria sorte.
Há uma falta total de civilidade, de honestidade e de ética.
Além dos problemas crônicos da segurança, saúde, educação, fome, moradia e desemprego, surge a cada dia outros. Um deles é a certeza da impunidade, que está encravada nas lacunas da lei e na realidade estampada no ócio e estagnação das instituições constituídas.
Por outro lado, a nossa tão falada democracia perde-se em outro estado mais forte, a burocracia, ou seria melhor dizer “burrocracia”. De qualquer modo, o cidadão comum é refém de um Estado que não o defende, ampara ou protege. Num estado de coisas assim, somente de Deus depende o destino de outras Isabelas,Joãos e Gabrielas.



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