segunda-feira, 19 de maio de 2008

DE OLHOS VERMELHOS...

O grande mago chegou e esperou que tudo estivesse normal, as bruxinhas olharam para ele e tremeram, havia algo estranho em seu olhar.
Sob sua nova maneira de ver o mundo, sentia-se melhor à sombra da noite que a luz do dia.
Por mais que ele buscasse parecer que tudo continuava como antes, sentia uma certa rejeição em relação à sua figura.
Ninguém tocou nele, pois pior que uma nuvem negra sobre sua cabeça, havia uma cor rubra em seu olhar.
O medo tomou conta do ambiente e, ele já não podia mais ser como outrora fora. Parecia estranho, mas tudo tinha mudado. Tudo o que ele tocava com seu toque de Midas, alterava a maneira de como as pessoas viam os mesmos objetos.
Pensou então consigo, as poções mágicas haveriam de funcionar, mesmo que o mestre lhe houvesse dito que demoraria cerca de dez dias para desfazer todo o mal causado pelo seu repugnante olhar.
Comer, beber, entreter-se, dormir e até mesmo conviver com a família, eram prazeres privados a ele.
Os dias passavam lentamente e, para sobreviver a seu exílio e continuar em meio a seus pares, ele usou o disfarce mais óbvio – a máscara da luz.
Com ela, pode esconder seu olhar, proteger-se da luz e ainda parecer normal entre os seus, sem contudo, levantar nenhuma suspeita do mal que espalhava ao menor toque.
Daquele dia em diante, o mago descobriu que não está imune às mazelas humanas, mesmo seus poderes mágicos, nada podiam fazer contra elas, principalmente contra aquela que se abateu sobre ele, a tão temível e terrível - conjuntivite.

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