sexta-feira, 30 de maio de 2008

NA BASE DO OLHO POR OLHO

Você já percebeu o quanto a Lei é complacente, imperfeita e não faz nada para se atualizar, se modernizar e cumprir as exigências ou mesmo tomar medidas de contraposição aos novos rumos que atropelaram este sistema social.
A lei é boa, isto se não houvesse a discriminação entre ricos e pobres, brancos e negros, cidadão comuns e os de colarinho branco.
Quem comete um crime tem amplo direito de defesa até que se esgotem todos os recursos, alguém que mesmo com todas as provas contra si é chamado apenas de acusado e que, ao evadir-se do local da ocorrência, fugindo do flagrante, mesmo se apresentando ou sendo localizado depois, não pode ser preso.
Às vezes é por ser réu primário, não ter antecedentes, ter residência fixa e outros blá blá blás que existem para testar a paciência e aumentar o desespero de quem espera por justiça. Muita falácia, pouca ação, ou melhor, poucas atitudes.
O país precisa urgentemente de uma reforma, ampla, geral e irrestrita em toda sua estrutura. Reforma social, política, judiciária, tributária, econômica e legislativa. Isso desagrada alguém? Certamente, mas com certeza, são os que estão tranqüilos sentados em gabinetes luxuosos e sem nenhuma preocupação que não seja com consigo mesmo.
Diante do caótico quadro atual, não seria mais fácil cumprir o código de Hamurab, ou ainda a Lei do Talião? O medo inconsciente que assombra qualquer um a punir alguém que realmente seja inocente faz com que tenhamos em primeiro plano a idéia de absolver para podermos nos isentar de nossa própria culpabilidade de consciência.
Deus perdoe a alma dos que em nome de seu trabalho queiram justificar no tribunal eterno que apenas cumpriam seu dever, tal qual o soldado que lançou a bomba sobre Hiroshima, tentando justificar para si mesmo que apenas cumpriam ordem, com certeza eles têm a mesma culpa de seus comandantes. E aqueles que perderam sua vida, têm culpa?
Com Pilatos e Judas também foi assim, cumpridores de seus papéis. Maus necessários? Cristo responde.
Em tempos em que não há mais muito em que acreditar, queremos crer que a justiça ainda seja o último bastião ao qual podemos nos agarrar, mesmo com todas as suas falhas.
A pergunta a ser feita é: num ambiente assim, a ética moral está abaixo da ética profissional? Ou será que este conflito não existe? A consciência deve ser suplantada em nome da inocência forjada em cima de especulações?
Quantos casos não foram resolvidos, quantos culpados já não se safaram, quantas injustiças já foram cometidas sobre vidas destroçadas que se abraçaram naquilo que lhes era a única chance: a espera de justiça.
Alguém que tira uma vida humana insanamente num momento de ira merece perdão? Segunda chance? E quem morreu, que chance terá para realizar seus projetos interrompidos?
O que poderia ser mudado? A inconformidade é geral.
Estupro, agressão corporal, moral ou verbal, homicídios, tráfico de qualquer natureza, corrupção, exploração criminosa, omissão, abuso de poder e uma série de outros crimes contra a dignidade e a existência humana deveriam ser inafiançáveis e, se houver provas claras, nada de harbeas corpus e outras brechas que porventura as interpretações da lei possam deixar.
O que vemos é a impunidade cada vez mais evidente, e esta certeza é o que motiva cada vez mais os facínoras a cometerem crimes.
Pena que as legiões de mal-feitores sejam bem mais numerosas que as centúrias dos defensores da justiça.
Infelizmente a vida humana virou moeda de troca, quer seja no trabalho escravo, na exploração infantil, na prostituição ou no mercado das drogas. Mata-se hoje por nada, um aranhão no carro, um olhar, uma discussão em mesa de bar, ciúmes sem motivos e outra série de descalabros.
A justiça tem os olhos vendados para não fazer distinção ou favorecer a ninguém, mas então, porque que não a desvendam, quem sabe assim, de tão cega e tão falha ela não passa a enxergar melhor.

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