quinta-feira, 31 de julho de 2008

A PRÓXIMA ESTAÇÃO

Apressado que estava nem percebi ter embarcado no trem imaginário da vida, quando dei por mim, vi sentado a meu lado um menino, risonho e falante, disse se chamar “passado”, em minha frente apenas um sisudo senhor, seu nome era “Presente”, despreocupado olhei pela janela tentando diferenciar na bucólica paisagem as etapas ainda não vividas pelo aflito desejo de prever o amanhã. Neste momento me irrompe na cabine, um velho, espantado, fitei-lhe os olhos, tentando buscar nele algum traço que denunciasse o meu futuro, mas não achei, ele apenas me cobrara o bilhete de viagem. O menino me falou que o velho era o tempo. Por quanto tempo ainda será que me acompanhará na viagem este velho? – perguntei-me.
O trem continuou sua rota imaginária rumo a realidades que se configuravam conforme as escolhas feitas pelos passageiros. O interessante é que a cada estação, subiam pessoas, que se demoravam pouco ou muito na viagem, enquanto outras desciam e certamente nunca mais embarcariam neste mesmo trem. Estes estágios nada mais eram que a brevidade do tempo que as pessoas ocupavam em nossa vida.
Ao longo da viagem, uma bela borboleta adentrou a cabine, voava colorida dando vida ao ambiente, então, um voraz pássaro a devorou e cantou alegre uma melodia feliz, mas veio o velho inspetor do trem e aprisionou o pássaro numa gaiola, então, seu canto melodioso virou apenas um lamento. Custei a entender, o menino disse que a borboletas fora meus anos verdes, o pássaro, meus ideais de jovem, e a gaiola a maturidade de meus sonhos não realizados. Mas, se o menino era o passado, porque era tão jovem?
_Não se pergunte, seu passado foi sua infância, eu apenas a represento de forma que você possa entender melhor, este senhor que te acompanha é você hoje, seu presente. Agora cabe a você encontrar seu "eu" futuro.
Aquela revelação me surpreendeu.
_Até aqui lhe acompanhei, mas agora devo descer – disse o menino.
Então, ao partir da estação, ainda o vi na plataforma, acenando para a janela onde eu estava. Agora o passado ficara para trás, me acompanha apenas o presente e o tempo.
Pensei – o tempo é quem comanda o trem, ou será a rota que determina o tempo de duração do meu tempo?
Por fim, na estação seguinte, resolvi mudar de cabine, fui para a sala de máquinas e de lá dirigir o trem imaginário. O Sr. Tempo quis retrucar, tranquei a porta, evitando-o, de agora em diante farei a viagem determinando eu mesmo o tempo. Agora sim, terei todo o tempo do mundo e ao mesmo tempo, não terei tempo a perder.
O trem apitou forte e alto – PIUIIIIIII!
Na próxima estação, um novo passageiro aguardava, era o Sr. Futuro. Acelerei o trem com a intensidade de imaginar que poderia desfrutar melhor de cada etapa da viagem, então, senti o vento que embalava as curvas do caminho desta fantástica viagem que é viver.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

UMA UTOPIA CHAMADA ESPERANÇA


Meio piegas dizer isto, mas a verdade é que somos devoradores de esperança, ela mesma, aquela última revelação a qual Pandora conseguiu reter na caixa, lembra?!
Baseados na certeza de que ela está lá, é que digo “Dias felizes Virão”, sim e é isso que motiva a gente a continuar teimando em ser feliz.
Nunca tinha sentido o chão sair debaixo dos meus pés. Ruim quando se toma um choque elétrico né não? Agora imagine tomar um choque de realidade?
Já diz o ditado “Quem não pode com o pote não pega na rodilha” ou “Quem não tem competência não se estabelece”, pode até ser, mas, contudo, porém e entretanto, às vezes a conjuntura tritura até os mais preparados, mesmo que não se queira.
No entanto, não há nada que um novo começo não possa vir a dar mais motivação para se continuar teimando em ser feliz.
A verdade, é que somos pura emoção, a razão apenas serve de contra-peso nessa relação e, na balança da vida, a emoção fala sempre mais alto, ou alguém ainda dúvida?
O que é o amor, a paixão, a determinação, a ousadia, a adrenalina, senão pura emoção?
A razão apenas empresta a sensibilidade para a delineação dos limites, que na maioria das vezes não é respeitado, ou você nunca ouviu a expressão “agora você passou dos limites”?
Quando estamos sem chão, precisamos retornar a fonte, para mais uma vez, renovar as forças.
É o que faço agora, olhar para dentro de mim mesmo, analisar meus sentimento ao pé da razão, refazer o caminho da minha peregrinação interior e mais uma vez perguntar -- o que quero para minha vida? Esta vida que agora, diferente da juventude, já não é tão só mais minha, mas daqueles pela qual assumi a responsabilidade de amar, prover e proteger.
Como diz a música, “esteja onde estiver que não me falte forças pra lutar”.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A NOITE É UM FETO

Putz, quando se está fora de tempo não tem jeito mesmo. Comigo o relógio tá andando ao contrário. Tô sem hora pra dormir, pra comer e trabalhar, tô vendo a hora da patroa me dá as contas, afinal de contas, há que se ter hora pra tudo e, em tempos de vacas magras, pelo menos o parque de diversão deve funcionar. Uma hora dessas a fábrica entra em pane (ainda bem que a gente pode colocar a culpa no strees).
Esse negócio de distúrbio do sono, motiva a gente a fazer muita coisa madrugadas a fio, sou mais ou menos como os morcegos, notivago, mas ao contrário de curtir, ralo. As horas não passam, pingam, mas revelam muitas coisa, dá pra se escutar tudo, até o apito do vigia da rua ou a moto do vigilante com sua buzina nada original ou ainda a torneira que pinga compassadamente. Quem dorme perde este prazer único.
Em época de muriçoca como agora, meu hobby é passar a noite inteira matando as bichinhas (cada louco tem a mania que merece), e cuidado, isso vicia (quer ver experimente).
Se fico no trabalho, geralmente começo o terceiro turno as 19:00h e paro aí pela meia-noite, ah, ninguém merece, mas em compensação, o telefone não toca, a porta permanece fechada, o ar gela mais, os colegas não fazem falta pois já passaram o dia todo ali (não tomem isso como querer me livrar deles), o que faz falta mesmo é cafezinho quente (nada é perfeito).
Procuro às vezes, reprimir o comichão nos dedos que quase como uma ímã me atraem para digitar o famoso www...., mas, ao contrário de muita gente, esse vício é controlado.
Como já cterminei o que ia fazer por hoje, vou ali fora no terraço conversar um pouco com quem me faz companhia toda noite, me escuta, não dorme, brinca comigo, não reclama e ainda por cima fica alegre em estar comigo, esse é meu melhor amigo de verdade, quem é ele? Meu cachorro Luck. Feliz do homem que tem um “amigcão”, por incrível que pareça, ele é mais legal do que muito amigo-da-onça que tem por aí.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

LAÇOS DA ALMA


Lembro-me de quando caminhávamos juntos e de mãos dadas.
Daquele tempo, de nossas pegadas na areia, ficaram só lembranças.
Do amor vivido apenas uma lágrima de saudade.
A tão buscada felicidade é uma nostalgia que ajuda a viver o hoje.
Das mãos dadas apenas os laços do coração.
Hoje desconstruímos tudo para recomeçar e, as coisas de todos os dias não viram rotina porque as palavras trocadas são outras, os gestos e olhares se renovam a cada dia.
É como a planta que recebe os raios de sol todas as manhãs e ainda assim muda a cada segundo.
São de todas as cores que o amor desenhou o arco-íris de nossas vidas.
Os passos para o outro nunca são demais se há a intenção de dá-los
e as palavras descabidas fazem sentido quando arrancam sorrisos.
Você faz sentido pra mim, ainda que tudo mais não faça sentido algum, tua presença é a essência do meu equilíbrio.
Não há curvas entre as pessoas, a distância é apenas uma linha reta enturvada por uma intenção de ocaso ao acaso.
Hoje, nossas mãos são apenas uma simbologia de nossa cumplicidade, nossos laços entrelaçados foram forjados no fogo de nossa alma.

sábado, 5 de julho de 2008

A PRÓXIMA, É A MULHER DO PRÓXIMO

A síndrome da grama mais verde no quintal do vizinho, casa-se com um aspecto por demais inerente ao comportamento masculino, o desejo de crer que a mulher alheia é sempre melhor que a sua. E qual é a explicação?
Simples - ela vem movida pelo desafio da aventura, de desvendar o desconhecido, de querer o impossível, em muitos casos, de brincar com o perigo. Porém, já diz o jargão "quem brinca com fogo sempre corre o risco de se queimar".
Quanto mais difícil, quanto mais perigosa for a empreitada, mas afoito fica o indivíduo.
Na maioria das vezes, um par de belas pernas, um “derrier” avantajado ou ainda um “air bag” de primeira, é o suficiente para se perder o rumo.
O aspecto meramente estético, não deixa de ser o responsável pelo jogo de sedução. Conteúdo, às vezes não é necessário, afinal uma imagem vale mais do que mil palavras.
Então, cuidado com a grama alheia, se você prestar muita atenção no quintal do vizinho, poderá nem perceber que alguém pode estar invadindo o seu.