sexta-feira, 19 de setembro de 2008

SÓ LETRANDO

Leio um livro, que não me fala da vida, do presente ou do futuro, mas, de devaneios, de aventuras fantásticas de um tempo que não existe.
E viajando em suas páginas de letras miúdas que a vista cansada não consegue mais seguir, solicito a ajuda de meus óculos - poxa, que alívio, ganho ares novos!
Às vezes, desejaria mais tempo para ler, mas quando se vira adulto, já não há mais tanto tempo como quando se é criança, então, o jeito é se adaptar e partir para a fronteira desconhecida de retreinar a percepção para aprender coisas que nossa torpe visão de mundo entendeu de esquecer. Meu “eu” criança quer ter muito tempo para descobrir, mas meu ‘ser” adulto tem pouco tempo para executar. Simples assim.
O óbvio é o simples, mas de tão simples o é, que não o aceitamos sem antes querer dificultá-lo. Creio, ser preciso colocar lentes novas, pelo menos assim, o daltonismo não distorceria os outros sentidos, muito embora eu seja guiado pelo visual em primeiro plano.
A ansiedade de ler, ensina muitas lições, é como se cada página fosse mais uma etapa de vida, e em se tratando de vida, essa é uma leitura da qual nunca sabemos como a história vai acabar, embora sempre saibamos que um dia se chegará ao final do livro.
Ao transpor as páginas, viajo e, sem sair do lugar, divago em mim mesmo o sentido da leitura real – a história faz parte do meu contexto ou eu sou o contexto da história? Sei não, mas tenho que seguir lendo, não posso pular para o final, afinal, que graça teria se o mocinho não sofresse um pouco para no fim de tudo vencer o vilão e ainda ficar com a mocinha? Ops, desculpa aí! É que esses enlatados tem um roteiro tão comum que a gente acaba se viciando. Vou procurar ler uma rica literatura, um “Machado” por exemplo. Onde estão meus óculos mesmo?

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