sábado, 29 de novembro de 2008

TEXTUALMENTE FALANDO


Você olha para cá, mas não vê um texto. O que vê são símbolos gráficos tentando se acomodar para fazerem algum sentido. Hoje todas as minhas vírgulas fugiram, acredito que elas estejam solidárias com a falta de imaginação para fazer um texto.
Os acentos estão escassos, e no mercado de pontuação os sinais são vendidos a preço de ouro.
Putz! O que fazer?
Melhor não queimar o restante dos neurônios nesta luta hercúlea, a idade pesa, os dedos no teclado perderam seu rumo e o livre exercício de redigir tornou-se um pesadelo de fardo pesado.
Nossa Senhora da ortografia reformulada, escrevei por nós, perdoa os nossos erros gramaticais e nos conduzi ao texto perfeito. Assim seja!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A GUERRA COMEÇOU!

Hoje acordei a mil, sobressaltado com o alarme do Celular tocando as alturas
Hora de levantar, mas se eu enrolar mais um pouco, matarei o resto desta sonolência, difícil dizer.
Pra me firmar de pé, fui ao quintal e resolvi regar as plantas, a água bateu no chão e meus pés ficaram vermelhos, cheinhos de formigas, todas querendo um naco de pele para ferroar. Saí dali brigando e discutindo com os insetos como se eles fossem gente.
E por não serem gente, e estarem matando minhas plantas, resolvi pulverizá-las com o veneno apropriado. Mera ilusão!
Quanto mais pulverizava, mais elas brotavam do chão, formigas vermelhas, voadoras e pretas gigantes, tive que recuar, vou combatê-las de outro jeito - encimentarei o quintal inteiro, pois acabar com as plantas seria um pouco mais cruel, visto que minhas roseiras, ornamentais, goiabeiras, mangueiras e aceroleiras são infinitamente inferior à quantidade de formigas.
Observando a mangueira, vi que estou sendo vítima de outro ataque, o de cupins, a guerra será intensa, acho que antes que o mundo se acabe, vou pedir ajuda ao Bush ou quem sabe ao Obama (o Bin) para um ataque terrorista a cidade dos cupins? Alguém ai tem outra sugestão que não me mudar de casa?

sábado, 8 de novembro de 2008

PELAS RUAS DA CIDADE

As multifaces de nós mesmos estão estampadas no mosaico que é a cidade e no que se consegue ver no dia a dia.
Aquele cara que corre para não perder o coletivo lotado as 7:30h e, não levar bronca de um chefe chato no trabalho, sou eu. Já passei por isso, mas ainda assim, havia uma vontade arraigada de trabalhar, mostrar serviço e desenvolver conceitos e competências de que o que estava por vir poderia ser muito melhor, esse era eu aos 18 anos.
Também me vi sentado no banco de uma praça qualquer, o olhar vazio, perdido num horizonte ofuscado pela frustração de não ter conseguido atingir um objetivo; a definição de querer se estabelecer em algo que você julga saber fazer bem. Até aqui estou com 25.
Sou um camelô que em sua rotina sai de casa todos os dias para estar no mesmo lugar e ganhar a vida de acordo com o senso de pessoas que podem comprar ou não os seus produtos, a forma de como as conduzo a pensar e meu poder de convencimento é o que garantirá voltar para casa à noite com um sorriso e a satisfação incontida de ter tido um bom dia. O tempo passa, já me vejo com 30.
Sou o apressado que nunca tem tempo de parar e saborear um picolé para aliviar o fardo do cansaço e o calor causticante de um sol inclemente com os que trabalham demais e não conseguem ter uma qualidade de vida que justifique correr tanto. O inconformismo me leva a negação de que possa estar me acomodando, me vejo aos 35 e ainda tenho sonhos.
Eu sou o gari, que em sua simplicidade varre as ruas e assobia ao sabor do vento quente que espalha as folhas para que sejam juntadas novamente, num eterno jogo de determinação e paciência, agora sei esperar para agir no momento certo, pois estou no limiar dos que já tem uma história e um discernimento de tudo, tenho 40 anos.
Hoje, eu sou apenas parte da metamorfose irreversível de uma cidade que sofre para ser grande, para parecer justa, para poder ser boa.
Não me sinto velho, mas os sonhos não são mais a longo prazo, eles agora são curtos e mais palpáveis, quero apenas deixar a oportunidade para os que virão após mim. Não quero que sejam as multifaces desta cidade, mas que tenha sua própria identidade, deixem de ser meras imagens do cotidiano para se tornarem definitivamente, pessoas.