domingo, 29 de março de 2009

NO MEIO DO CAMINHO


Você já se sentiu num mato sem cachorro? Tá, em tempo de crise não dá pra ser um cachooorro, um vira-latas talvez, que seja.
Me sinto numa encruzilhada, não que tenha vocação para frango de despacho, mas há momentos em que temos que fazer escolhas.
Preciso fazer uma, e não é nada tão simples quanto escolher uma roupa para sair (caso você não seja mulher).
Mas observando os sinais, diria que aos 43 anos, já não é possível errar tanto.
Não fumo, não bebo degeneradamente, sexo hoje, só de qualidade, por quantidade ficou por conta do furor da juventude.
Atualmente estou sedentário, no entanto garanto, nunca caminhei tanto na vida. Sinais ainda da crise e do sonho de poder voar muito alto. Não que reclame de qualquer coisa que tenha feito, porém hoje não penso mais tanto em mim, mas nos meus. Eles que dependem de mim, cada atitude, pensamento ou ato incidem direto neles.
Assumo que mudei meu modo de ser em seu favor, mas quem não coloca os filhos em primeiro plano?
Essa é uma relação estranha, dependo muito mais deles para viver que eles de mim.
Então qual a escolha certa, buscar sua realização pessoal e ser um pai ausente, ou abrir mão disso para estar sempre presente? Detalhe – não há meio termo ou como conciliar as duas coisas.
Na vida, as escolhas não são como nas companhias telefônicas – simples assim.

sábado, 7 de março de 2009

TESÃO NA ESTACA ZERO

Hoje tô meio desanimado. Não sinto mais as pernas doendo de tanto caminhar, aliás já não sinto nem as pernas, preâmbulo de anestesia geral em todos os sentidos. Caminhei tanto que as pernas esqueceram de se cansar e, o cansaço em vez de se manifestar – dormiu.
Ê, vidinha sem um carro velho é pior do que atravessar quatro quarteirões debaixo de chuva atrás de um buzú.
Quem dera me animasse a ponto de desembrulhar a velha bicicleta, encher seus pneus e sair pedalando pelo menos os 23 quilômetros que me separam de casa para o trabalho.
Andar de bicicleta é saudável, principalmente para um dublê de papai Noel (pelo menos na barriga). Mas deixa eu deixar de me lamentar e aproveitar o tempo aqui na lan house, pois ele já está se esgotando.
Também estou sem nariz, perdi ele em meio ao pó e ao cheiro de papel velho de tanta quinquilharia ultrapassada que os apegados ao passado insistem em guardar.
Não fiz voto de pobreza franciscana, mas essa mudança de endereço me deixou mais pobre sim. Sem internet, sem carro (sem vale), sem tutu e sem tesão (e sem isto, não há criativo que resista).