terça-feira, 5 de maio de 2009

CHOVE CHUVA, CHOVE SEM PARAR


Não, não são as águas de março fechando o verão!
nada tão poético assim, a torrente de água descendo rio abaixo, reafirma de forma triste a letra do hino do Estado que contrasta com o “rio acima”.
A sina do desespero vive estampada nas faces perplexas de um povo acostumado ao sol do Equador.
O inverno, outrora bondoso, não perdoa e transforma num inferno a metrópole e o interior.
Atinge a todos - ricos, pobres, velhos, crianças, doutores, mendigos, bairros nobres e periféricos, trazendo consigo uma realidade de guerra.
Um toque de recolher por medo de estar na rua quando desabar a próxima chuva. Estradas destruídas, casas abandonadas, escolas sem aulas, comércio fechado, serviços públicos ineficientes e cidades isoladas.
A correnteza do rio arrasta barrancos, árvores, móveis, lágrimas e até mesmo a última esperança.
Os números apresentam uma lógica insana, quando mais sobe o nível das águas, menos famílias ficam em suas casas. Os galpões estão repletos de pessoas que não se conhecem, mas que têm um ponto em comum, dividem o mesmo sofrimento.
Contar com o que? A fé em São José, a ajuda das autoridades ou a solidariedade de um povo valente que, embora tenha pouco para si, ainda assim, divide com aqueles que agora perderam tudo.
Teresina, jóia do rio, plantada entre o Eufrates e o Tigre nordestinos.
Todas as vezes que o monge velho parece vencido, ele mostra sua força da maneira mais implacável, castigando este povo que se criou às suas margens – dizendo sempre – estava aqui antes de vocês e vou continuar assim.
E tu Poty?
Rasgas a cidade ao meio, esta mesma que insiste em te maltratar. Tu não a maltratadas, apenas lembra – eu já estava aqui, bonito, caudaloso e cristalino.
O caos é motivo para alguns poucos explorar, aumentar os preços, roubar e até mesmo fazer jogo político. Teresina, cidade planejada, vives hoje a calamidade dos engarrafamentos de veículos além da tua capacidade de ruas estreitas.
Onde estão os teus canteiros Teresina? E aquela rua pacata e de boa vizinhança onde as crianças brincavam na pracinha?
Os canteiros inundados perderam suas flores, castigados por mais chuva.
A rua não passa agora, de um monte de lama no fundo de uma cratera onde se pode ver os balancinhos cobertos até o alto.
Cadê as crianças?
Espalhadas em casa de parentes ou relegadas a um galpão qualquer.
“Senhor eu pedi pra chover, mas chover de mansinho”.

Um comentário:

Joicemeire disse...

Estou com o coração partido em ver essa situação de tristeza com a minha Cidade.

bjus...
Meire