terça-feira, 22 de setembro de 2009

PERDIDO

Tempo perdido
Viver sem pretensões
Sem sonhos, sem chão
Onde a certeza é só uma
Que o mundo passou ante seus olhos
E você absorto
Não notou que o tempo que passou
Foi somente
O prenúncio iminente
De um Tempo perdido

terça-feira, 8 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

FÁBULAS DA VIDA REAL


Lembro com muita fascinação as fábulas que me contavam na infância.

Acredito que um dos personagens que mais me encantou foi Pinóquio. Por tudo que ele passou em busca de aprender e se realizar. Tudo começou quando eu tinha cerca de nove para dez anos e atravessei sozinho o Parnaíba, com uma pequena mochila e um gato como companheiro me dirigi a vizinha cidade de Timon para pedir guarita na casa de minha irmã e, só saí de lá adulto.

Na Teresina de antigamente não existia a maledicência de hoje, podia se percorrer grandes distâncias sem se confrontar com os perigos da vida moderna, o que se via eram boêmios, mulheres da vida, ambulantes, caxeiros e um povo simples. Hoje, ruas tomadas por um trânsito infernal, pessoas mal-intencionadas buscando tirar proveito de tudo e até, não duvidem, pedófilos.

Não deixaria meus filhos se aventurarem como fazia nos meus tempos de menino. Parecia que nenhum mal aconteceria. Vi nessa minha fuga uma aventura como aquela dos contos de fada que nem chapeuzinho vermelho, o gato de botas, João e o pé-de-feijão, três porquinhos, branca de neve, a bela adormecida, João e Maria, Cinderela, dentre outras.

Na casa de minha irmã, passava as tardes sozinho. Lá havia um quarto trancado com quinquilharias do moço que alugou a casa para ela. Um dia resolvi bisbilhotar e descobri numa velha caixa livros de histórias bastante antigos, um deles era de um boneco de madeira que queria virar gente. Livro da capa dura, colorida e páginas com ilustrações em preto e branco feitas a bico de pena.

Não resisti, li aquele livro e resolvi que por estar abandonado e empoeirado, seria mais proveitoso estar comigo, não considerei isso como furto, apenas lhe dei melhor destino, pelo menos foi assim que pensei na época. Ele me encantou por muitos anos.

De sorte que, quando mudamos o carreguei comigo, revelando isso apenas alguns meses depois para minha irmã.

O livro me motivou a construir vários bonecos articulados de talos de coco e fazer do personagem meu companheiro, contudo, o tempo passou e eu cresci.

O livro se perdeu em algum lugar, pois depois que sai da casa de minha irmã, não o encontrei mais.

Procurei comprar um exemplar igual aquele numa busca pela internet, porém, consegui apenas uma edição luxuosa. Sem pestanejar, adquiri.

Apesar da vida de hoje ser uma disputa, as fábulas são eternas e ensinam muitos valores éticos e morais, tão necessários ao bem viver.

Tudo isso voltou à tona, porque uma noite dessas, depois do trabalho, cheguei em casa e depois de certo tempo, estranhei o sumiço de minha filha de nove anos, não dei tanta importância pois sabia que estava em seu quarto. Certa hora, fui a seu quarto e lá estava ela, encantada lendo a obra de Collodi.

Fiquei feliz, contudo, proibi que ela continuasse lendo, pois já ia avançada a noite e o livro é enorme, então, não dá pra esgotar o encanto numa noite só. “Deixe o resto pra amanhã filha, embora a infância seja curta, não é possível vivê-la num só dia.”