segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

HAITI


São comoventes as lágrimas de poeira daqueles que choram a perca do pouco tudo que tinham.
Pois o lenço para secar o pranto é apenas a poeira que se assenta lentamente.
Tão lentamente quanto a esperança que se esvai dos que esperam por um milagre.
São mãos que vêm do mundo inteiro, e olha que é preciso desgraças para unir os homens num único sentimento: solidariedade.
Um estrondo, e várias histórias se perderam pra que outros começassem.
E os órfãos, que já não tinham pais, ficaram mais desamparados ainda.
As ruas, agora, apenas um amontoado de escombros que não levam a nenhum caminho.
Um odor fétido se eleva pelos ares, a face da morte é horrenda.
E os corpos são atirados nas calçadas como sacos de lixo, não há tempo para a dignidade.
Mas a pressa em buscar vida, vida que se esvai a cada minuto.
E a cada vida salva, uma centelha se acende em cada um por ter sido verdadeiramente humano.
Não existem graus de sofrimento, toda dor fere por dentro, mas a solidariedade, Quanto maior, mais engrandece o espírito.
São pais, filhos, irmãos, amigos, soldados, voluntários e outras centenas de pessoas que se foram e que estavam ali para ajudar.
Se há lógica, superstição, castigo, acaso...não sei dizer.
Não há o que falar, mas o que se pode fazer.
Esqueçamos crenças, cor, ideologias, a quem não restar mais nada a fazer, eleve a Deus, não importa qual, uma oração.
Na soma de todos os esforços, é o mínimo que se pode fazer.

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