segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A TV NOSSA DE CADA DIA


Adquiri o mau-hábito de ver alguns programas locais, até mesmo para avaliar o nível de programação, santa grade decadente, decepção total, se o povo gosta ou não do que é ruim, eu não acredito, afinal só se deseja e se consome o que é bom, talvez eu seja muito perfeccionista, mas verdade seja dita, só alguns programas jornalísticos sérios e que trazem utilidade pública, debates relevantes e matérias fundamentadas, escapam. Se pode fazer tv com qualidade, responsabilidade e comprometimento, a audiência vem naturalmente.
O que se vê é o apelativo, o paternalismo, o deboche com, às vezes até, piadas de mau-gosto que chegam a beirar a bizarrice, além dessas fórmulas tão já batidas de mocinhas seminuas se rebolando ao som de músicas sem nenhuma expressão. My God, mercy!
A noite, só vai de TV por assinatura, cinema ou DVD. Mas e quem não pode, e só tem a TV aberta? Busque opções que desafiem a inteligência, pois do jeito que a coisa vai, só para quem tem paciência de lesma (sem querer ofender as lesmas). O entretenimento pode ser divertido sem ser vulgar ou apelativo. A programação populesca dos reality shows (hoje, invadindo as casas sem o menor respeito – para esse tipo de coisa “acordem a censura” pois o controle remoto perdeu o controle - desculpem o trocadilho) é um descaracterizador das relações entre as pessoas. Não já é um pouco demais, crianças contando piadas, ou pessoas julgando a seu bel teor de humor, quem tem ou não tem talento, quem se veste bem ou mal, quem merece ficar milionário e outras tantas competições sem pé ou cabeça. Se mudarmos a cena, aí a coisa é mais dantesca, o exibicionismo e uma meia dúzia de "colunáveis" que se adora ver na tv (sem ter naturalmente direito a cachê, são os bem nascidos - o resto tudo nasceu mal). Fora isso, há uns outros tantos "santos homens" que vivem de manipular a fé das pessoas e exploram os pobres desgraçados de espírito, mas as vezes ricos de bolso, o que lhes rendem "graças" e contas cheias. Sou pecador, mas vou dispensar os atravessadores e ver se compro meu pedaço no céu direto com Deus.
A tv é o ópio do povo, a massa escuta um tipo de linguagem que não educa, não acrescenta nada à pessoa, ao contrário, ela a mantêm achando que o Cult do momento é aquilo mesmo. Se não educa, não há como crescer, pessoalmente, intelectualmente e inclusive, culturalmente. Na casa do pobre pode até faltar comida, educação, roupa, mas com certeza não falta a televisão.
A TV é hoje o que fora os jogos de gladiadores na Roma antiga, quando se fazia a política do "pão e circo". O povo, naturalmente, é o palhaço, é o centro dos joguetes e, a qualquer custo, deve ser manipulado, então o que se pode fazer a não ser dizer “que comecem os jogos”.

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