segunda-feira, 31 de maio de 2010

DIA PERDIDO (HÁ?)

Há dias, que se a gente pudesse escolher, seria melhor não tê-los. Talvez hoje, fosse um daqueles dias para não sair da cama, para tomar um chá de sumiço, afim de não dividirem contigo as culpas do mundo. Se é que há culpa que mereça o teu sacrifício. Se pergutassem a você sobre esse dia, diga que o passou em casa, lendo ou dormindo, desde que, o celular ou outro meio qualquer que te prive da privacidade estejivesse desligado.
Pelo menos, o dia fechou com chuva, ela, metaforicamente, lava minha inaptidão de tentar compreender as pessoas, pois quando tento, atento que não consigo nem conhecer direito a mim mesmo, quiça o que se passa com o outro.
As segundas-feiras são assim, malemolentes e dotadas do poder de te ferrar o resto da semana.
Já os viciados em trabalho, adoram a segunda-feira, nada contra, desde que ela não tire o chão debaixo de teus pés, não disparem tua pressão ou te acelere a gastrite.
Juro que se fosse opção, desejaria criar bode no interior, ou até mesmo me conformar escondido e remoendo outras mágoas na mesa de um escritório repetindo metodicamente o mesmo trabalho burocrático de um funcionário público do último escalão, pelo menos assim, o processo seria mecânico e não exigira pensar demais (o que na maioria das vezes justificaria o salário).
Criar para mim é um parto, só que quando há erro na execução, é uma sangria hemorrágica, sem anestesia ou cura, o filho tá perdido, agora, só fazendo outro.
Cada dia que passa, esses abortos me deixam mais exauridos, terminam por esgotar a fonte, uma vez deserto, o raciocínio ilógico da criação, assolado pelo esturricante calor do vazio da frustação, não resta muito na cabeça, até mesmo os últimos fios de cabelo dão-se por vencidos, no fim, sou apenas alguém meiando a década dos 40 e quase que completamente careca, de pelos capilares e aspirações artísticas.
Vou voltar para o interior, a vida lá apesar de tudo, ainda parece bem mais simples do que as opções erradas tomadas no afã da juventude em projeção. Busco apenas a utopia de ser feliz, essa, ainda é uma esperança que apesar de tudo, insiste em viver.

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