segunda-feira, 30 de agosto de 2010

XÔ POLICHIQUEIROS!


Às vezes me pergunto se vale à pena continuar me enganando. Se não seria tão mais fácil mudar tudo ao em vez de mudar apenas os políticos. É que apenas uma andorinha só não faz verão, e a cada dia que passa, vejo com tristeza o país afundar por causa daqueles que trocam seus votos por favores baratos ou simplesmente votam sem noção nenhuma do que fazem e estão fazendo com o futuro. Não há de fato um comprometimento de pessoas sérias, basta reparar nos slogans de campanha: “Para continuar mudando, renovar é preciso, fazer mais e melhor, junto com você, o trabalho continua, o povo no poder, etc”. As mesmas idéias retrógadas de aliciamento eleitoreiro. A razão do desabafo é que ano após ano, representar o povo virou meio de vida, uma forma de representar apenas os interesses do próprio bolso, empregar os parente ou favorecer empresas cujos objetivos se refletem em cifras a mais para os ‘caixas 2’. O povo que vá às favas (se assim o fosse, estaria até alimentado). Contudo, é muita mordomia para pouco trabalho. Regalias de passagens aéreas, verba de gabinete, verba para gasolina, verba de representação e apartamentos grátis, isso sem contar as propinas nas negociatas. Meu Deus, tudo isso sai do bolso de pobres diabos que trabalham cerca de 5 meses para pagar os tributos que sustentam a união. Em contrapartida, o governo oferece para a população um serviço de saúde deficiente que deixa os pacientes morrerem à míngua enquanto esperam de 3 a 4 meses para serem atendidos através de uma simples consulta e, uma eternidade para um transplante - eternidade literalmente - pois acabam morrendo antes disso.
A educação paga uma miséria e os professores fazem greve. A saúde paga mal e o médico faz de conta que a vida alheia é objeto de negociação.
A segurança paga salários de fome e essa bola de neve, gera policiais corruptos e esquemas que nem a antiga Máfia de Chicago ou italiana ousaria pensar. Mas não quero ser injusto, obviamente que em todos os segmentos há os que são honestos e trabalham por valores bem maiores do que os males que a corrupção possa causar.
Há políticos honestos (uma classe à beira da extinção) que honram os votos de confiança do povo. Há professores (embora com seus salários baixos) dedicados. Existem bons policiais, que quando vão às ruas, pensam em suas famílias e tratam com respeito o cidadão.
Existem médicos que trabalham por amor a esse dom, o de curar a dor alheia.
Há setores do governo que ainda funcionam (mas a cada ano com verbas menores).
Tem coisas que se salvam, porque se assim não o fosse, seria a bancarrota total.
Falta à grande massa silenciosa, uma consciência coletiva. Um a opção maior que apenas votar.
Talvez a volta da monarquia ou um regime de parlamento fosse muito melhor do que a corrupção ativa que assola os corredores do poder republicano. Pena que o povo só conheça um tipo de governo. Se conhecesse outras formas, tais quais os parlamentos europeus, veriam que deputados, senadores e outras classes de representantes, não têm essas mordomias de festa dos políticos daqui. A lei ‘do que é que eu levo da vantagem nisso’ é um ranço impregnado tão profundamente na alma deste país, que fica quase impossível vislumbrá-lo sem ela.
O que o Brasil precisa é de heróis, Talvez revolucionários ou quem sabe apenas pessoas normais, mas que de alguma maneira deixam uma mensagem que vise melhorar esta terra. A história está aí cheia de exemplos (Luís Carlos Prestes, Pedro II, Lampião, Zumbi, Marechal Rondon, Juscelino kubitschek, Getúlio Vargas, Irmã Dulce, Oswaldo Cruz, Airton Senna, Mário Covas, Tiradentes, Conselheiro Saraiva, Oscar Niemeyer, Luiz Gonzaga e tantos outros). De alguma forma, seja ela distorcida ou não, eles em algum momento representaram um ideal de luta. Não sou a favor de luta armada, mas de uma revolução de consciência que leve o povo a ver que o verdadeiro poder está em suas próprias mãos. As mesmas mãos que trabalham a terra, que ensinam nas escolas, que transportam o progresso, que curam, que seguram os filhos, que dão segurança, que votam e que com o passar do tempo, envelhecem.
Se o voto, no momento é a única esperança para este povo, que ele seja pleno e consciente, que veja propostas e não favores, que seja futuro e não momentos, que seja livre e não encabrestado.
Um país tão bonito não pode ficar à mercê de pessoas com atitudes tão feias.
A pergunta tem que ser coletiva e não individual: O que meu país vai ganhar de bom com isso?
A resposta, essa sim, é de cada um.

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