sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A SEGUNDA PAIXÃO


Resolvi me apaixonar de novo. Não pela mesma garota de olhos verdes e de cabelos loiros, de sorriso fácil e pernas generosas. Não aquela moça de passos incertos do primeiro encontro ou da boca trêmula do primeiro beijo. Havia receio sim, a dúvida de como seria namorar um cara tão esquisito e que tinha de ser espirituoso para compensar a falta de beleza, inteligente para curtir a vida, mesmo sem todo conforto que o dinheiro podia trazer. Um cara persistente a ponto de matar pelo cansaço um coração que até o momento só queria ser livre. Que encantos ocultos me aprisionaram naquela maneira simples de dizer um “oi!”? O sol se pôs e levantou várias vezes, o tempo foi passando.

Até hoje, não havia reparado que seus cabelos não estão mais tão loiros, seus olhos, de verde esperança, ostentam agora um verde lembrança. Tão vivo que alimenta nosso presente.

Minha pequena já não é mais a princesa do mundo de cristal. Ela encanta por sua disposição de sempre poder me fazer sentir emoções há muito perdidas.

O bom humor que eu tinha clama por paciência, e nesses casos, ela tem de sobra.

Confesso que sou extremamente difícil, mas o que é fácil nos relacionamentos hoje em dia?

Então, em meio a tantos desastres pessoais, resolvi me apaixonar outra vez e, pela mesma garota. Mas a verdade, é que ela não é a mais a mesma, pois de alguma forma mudamos em tudo. Mas se olharmos dentro de nossas almas, descobriremos que ainda temos a mesma essência de quando nos encontramos pela primeira vez. A atração nos instigava, os beijos eram diferentes das namoradas de até então, e de alguma forma, eu senti que minha busca havia terminado.

Erramos, contudo, os acertos estão em saldo maior.

Arrependimento? Nenhum. Porém, se fosse me dada uma nova chance fariam com você tudo outra vez, a maneira, essa sim, seria diferente. Para que não corrêssemos o risco de não viver tudo o que a gente sempre teve direito.

Eu devia ter te levado mais flores, viajado bem mais, discutir menos e olhado da mesa com mais atenção enquanto você estava na cozinha cantarolando, devia ter servido mais vezes o café na cama, dado uma lingerie nova, te surpreendido na escola no meio da tarde, ou corrido mais vezes atrás de você pelos jardins da praça, sem me importar se isso soava ridículo ou não. Anos verdes que agora amarelam na lembrança.

Por isso, resolvi me despojar de mim, colocar uma camisa nova, um perfume novo e te convidar para sair. Vamos a um lugar onde não tenha tantos amigos, sentar a meia luz e namorar de ouvido, beijar no pescoço, passear pelo calçadão, esquecer do mundo para poder lembrar mais de nós.

Vamos fazer coisas diferentes, a gente pode reescrever nossa história. Hoje, por exemplo, vou pra casa cedo. Deixe a porta entreaberta, a luz acessa, e mesmo que o mundo acabe, hoje quero te amar!

Um comentário:

Filha do Sol do Equador. disse...

Adoro essa grande sacada do ser humano de reinventar-se sempre!

Grande Beijo.