quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A VOZ DO POVO NÃO É A DOS POLÍTICOS


Sei com certeza que eu e todo povo brasileiro, salvo as famílias e amigos mais ligados a nossos parlamentares, deu um tiro no próprio pé. Quem não conhece a famosa história do tiro que saiu pela culatra? Pois é, no Brasil, ainda se crê na ilusão de que eleições democráticas levam os (i)legítimos representantes do povo trazerem algum benefício para a população.

O exemplo está aí. Vamos pagar mais em troca de nada. A pergunta é até fácil - quem é que sustenta o país?

Resposta imediata - o povo.

Essa mesma massa trabalhadora que é explorada com uma das mais altas cargas tributárias do mundo, extraída ainda por cima, de um parco salário, dito mínimo, enquanto que os engravatados que vivem nos conchavos e boa vida, com direito a apartamento funcional, combustível, carro, verba de gabinete, passagens aéreas e sabe lá o que Deus mais, legislam em causa própria, em sessões relâmpago sob o pretexto de quem trabalha pelo povo tem que ser bem remunerado. E quem trabalha pelo país é bem remunerado? Com a palavra, o povo.

Façam uma enquete, pergunte ao lavrador no interior do Nordeste, ao camelô no Centro do Rio, ao catador de papel, ao garçom do restaurante, ao motorista de ônibus, ao professor, ao profissional de saúde, ao policial ou a qualquer servidor público, o que ele pensa disso?

Ser político deixou de ser a muito tempo representar o interesse social para ser primordialmente representante de seus próprios interesses.

São vergonhosos os fatos lamentáveis que como esse, só acontece aqui, e isso porque o pobre povo do país perdeu suas referências. Como se pode dar um reajuste de quase 62% em seus vencimentos enquanto que para o trabalhador, nada. Toda vez que se fala em aumento para a remuneração do trabalhador popular, a discussão se prolonga na base do vamos empurrar com a barriga e nada acontece, o povo esquece, a conversa fica mole e pronto. No mínimo o salário deveria ser de R$ 1.000,00 para que a população pudesse viver dignamente sem precisar das esmolas dos “bolsas paternalistas” que infestam de indignidade a figura do povo brasileiro diante do mundo. Dignidade não é isso, mas sim dar ao trabalhador os meios para que ele trabalhe, ganhe e sobreviva.

Explicação parlamentar para suas próprias manobras políticas “quem trabalha pelo povo deve ser bem remunerado” há, há, há, há! Já se o assunto é o salário do cidadão, pois chamar de mínimo é uma vergonha, a explicação é “o impacto na previdência é muito grande, vai quebrar o país”. Esse país já se quebrou a muito mais tempo do que se imagina. Quem quebra o país não é o povo, mas sim quem diz que o representa. Eu apelo “Senhor Deus dos desgraçados” como diria Castro Alves, olhai por nós. Em tempos de reforma tributária, reforma na previdência e reforma no judiciário, a única reforma que se faz é nos próprios salários. Dúvido que se crie um mecânismo para compatibilidade de aumento, uma forma de percentagem justa agregando ao aumento parlamentar aos critérios de reajuste do salário de fome do trabalhador. Eles não atiram no próprio pé e nem fazem leis para regularizar estes abusos ditatoriais. São tão espertos que nem sequer cogitam a possibilidade de uma consulta popular, pois sabem com certeza de que seriam rechaçados por seu próprio eleitorado em relação a intenções tão vergonhosas como essa.

Nossa geração morrerá e não verá essa carga insana de tributos cair, não verá jamais esse país do futuro, dá até para parodiar Bilac “criança tu não verás nenhuma país como esse” - de fato. É por isso que não condeno quem queira abandonar isso aqui e morar em um país melhor, não considero um ato de covardia e nem vontade de não querer fazer nada por sua pátria, ao contrário essa é uma forma de quer manter viva a dignidade econômica de sua família, pois covardia maior é essa traição contra o povo.

Porque não vemos fatos tipos o investimento em educação é 10%, índice de mortalidade é zero ou a economia do Brasil está entre as 3 primeiras do mundo, o país zerou a pobreza e a oferta de emprego está sobrando. Porque fatos assim não interessam, o que importa mesmo é o analfabetismo, a pobreza e a dependência para manter o povo sob as rédeas da desinformação que é o sustentáculo do poder.

Já dizia Renato Russo – Que país é esse?

Ter soberania é aumentar investimentos na educação, profissionalizar os jovens, criar oportunidades de trabalho, melhorar as estradas e modernizar o escoamento da produção, exportar mais, investir em tecnologia de ponta e diminuir um monstro que age em todos os segmentos econômicos e sociais deste país – a burocracia.

Mas não, isso tudo é imoral, o legal mesmo é aumentar vergonhosamente seu próprio soldo em detrimento de um salário de fome para o trabalhador. Não é a toa que artistas, cantores, jogadores, pastores e até palhaços quererem ser político.

É muito bom viver à custa da União, esquecendo que quem paga essa conta é o povo. Meu Deus, um dilúvio, uma tsunami, um terremoto, qualquer coisa para varrer da face da terra de Pindorama uma corja de exploradores parasitas que por vias diretas ou indiretas chegam lá. Sei que há ainda alguma chama de esperança naqueles corredores, pessoas honestas que querem e vão lá para fazer alguma coisa por esse povo sem voz e vez, mas que pena, são apenas algumas gotas perdida num verdadeiro mar de lama.

Queria que houvesse mais homens que contra tudo, peitassem medidas a favor do povo, pelo menos, um aumento digno para o trabalhador e medidas para beneficiar aqueles que carregam nas costas esta nação gigante em tamanho e nanica em ambições. Que pena, morreu Vargas, Jango, Juscelino, Tancredo, Ulisses e tantos outros que sonhavam grande. Agora, no apagar das luzes, Lula é só uma sombra esmaecendo no sonho de um povo que esperou muito mais dele. O índice de aceitação do seu governo poderia ser até bem melhor, mas o sonho acabou e que pena, do muito que foi prometido, muito pouco foi feito, muito pouco mesmo. O povo está como sempre esteve - entregue à própria sorte.