sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

IGUAL E DIFERENTE, O MESMO LADO DO SÓ


Estou só, aliás, sempre estive. É inútil pensar que apesar de você ter família, não se sinta assim, perdido.
O vazio que me isola do mundo é a prova de que há uma solidão solta em meu interior.
Então, a sensação de estar cercado de pessoas e ainda assim ser solitário, faz sentido.
Às vezes, não tenho como me encaixar em uma conversa, não é por não querer ou não saber, talvez seja porque o que as pessoas falam não me faz sentido algum e quem sabe, o que seja dito, não me interessa.
Essa total falta de singularidade com meus pares serve para provar que deve existir algo mais, não sei bem o que é, o que sei é que ela provoca um sentido aguçado a sondar o 'porque do meu eu' ser tão eremita.
Parece que você tem que cumprir uma meta na vida mas ainda não descobriu qual é.
Em meio a esse mar de dúvidas surge um farol que faz com eu me encontre no sorriso de meus filhos e na proteção do carinho da mulher amada, mas depois me perco no meio do turbilhão dos que fazem minha rotina diária.
Quisera saber realmente qual o meu papel, pois cumprir a sina da vida, de crescer e deixar sementes parece não fazer muito sentido. Quem sabe, tudo se resuma na maneira de como fazer isso acontecer. Embora cada um saiba em seu intimo que por mais que se tente acertar, sempre haverá no fim do caminho uma dúvida: e se eu tivesse outra chance será se faria igual ou diferente?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

SANTINHA


Eu imagino Deus como a fonte de toda energia que criou
e mantêm o equilíbrio do universo.
Vejo Deus na flor e na abelha que suga o néctar da flor pra produzir o mel,
e no pássaro que devora a abelha e no homem que devora o pássaro...
e no verme que devora o homem.
Eu vejo Deus em cada estrela no céu nas minhas noites,
nas pousadas e nos olhos tristes de cada boi ruminando na invernada...
só não consigo ver Deus no homem que devora o homem e por isso,
acho que ainda tenho muito que aprender nesses caminhos da vida...

(Palavras de um peão de boiadeiro, conhecido como o filho do diabo que se casou com uma santinha.) - Último capítulo da novela Paraíso - 1982

O coração de uma mulher é uma caixa de segredos que encerra em si tudo o que ela é e o que somos, o homem que consegue desvendá-los, toma para si a chave de um universo, que por mais que julgue conhecer nunca o entende suficiente.

Em homenagem a minha Maria Santinha dos tempos em que o paraíso não era uma promessa distante para meu endiabrado coração.

sábado, 3 de dezembro de 2011

O QUEBRADOR DE PEDRAS


Era uma vez um simples quebrador de pedras que estava insatisfeito consigo mesmo e com sua posição na vida.

Um dia ele passou em frente a uma rica casa de um comerciante. Através do portal aberto, ele viu muitos objetos valiosos e luxuosos e importantes figuras que freqüentavam a mansão.
“Quão poderoso é este mercador!” pensou o quebrador de pedras. Ele ficou muito invejoso disso e desejou que ele pudesse ser como o comerciante.
Para sua grande surpresa ele repentinamente tornou-se o comerciante, usufruindo mais luxos e poder do que ele jamais tinha imaginado, embora fosse invejado e detestado por todos aqueles menos poderosos e ricos do que ele. Um dia um alto oficial do governo passou à sua frente na rua, carregado em uma liteira de seda, acompanhado por submissos atendentes e escoltado por soldados, que batiam gongos para afastar a plebe. Todos, não importa quão ricos, tinham que se curvar à sua passagem.
“Quão poderoso é este oficial!” ele pensou.
“Gostaria de poder ser um alto oficial!”
Então ele tornou-se o alto oficial, carregado em sua liteira de seda para qualquer lugar que fosse, temido e odiado pelas pessoas à sua volta. Era um dia de verão quente, e o oficial sentiu-se muito desconfortável na suada liteira de seda. Ele olhou para o Sol. Este fulgia orgulhoso no céu, indiferente pela sua reles presença abaixo.
“Quão poderoso é o Sol!” ele pensou. “Gostaria de ser o Sol!”
Então ele tornou-se o Sol. Brilhando ferozmente, lançando seus raios para a terra sobre tudo e todos, crestando os campos, amaldiçoado pelos fazendeiros e trabalhadores.
Mas um dia uma gigantesca nuvem negra ficou entre ele e a terra, e seu calor não mais pôde alcançar o chão e tudo sobre ele.
“Quão poderosa é a nuvem de tempestade!” ele pensou
“Gostaria de ser uma nuvem!”
Então ele tornou-se a nuvem, inundando com chuva campos e vilas, causando temor a todos. Mas repentinamente ele percebeu que estava sendo empurrado para longe com uma força descomunal, e soube que era o vento que fazia isso.
“Quão poderoso é o Vento!” ele pensou. “Gostaria de ser o vento!”
Então ele tornou-se o vento de furacão, soprando as telhas dos telhados das casas, desenraizando árvores, temido e odiado por todas as criaturas na terra. Mas em determinado momento ele encontrou algo que ele não foi capaz de mover nem um milímetro, não importasse o quanto ele soprasse em sua volta, lançando-lhe rajadas de ar.
Ele viu que o objeto era uma grande e alta rocha.
“Quão poderosa é a rocha!” ele pensou. “Gostaria de ser uma rocha!”
Então ele tornou-se a rocha. Mais poderoso do que qualquer outra coisa na terra, eterno, inamovível. Mas enquanto ele estava lá, orgulhoso pela sua força, ele ouviu o som de um martelo batendo em um cinzel sobre uma dura superfície, e sentiu a si mesmo sendo despedaçado.
“O que poderia ser mais poderoso do que uma rocha?!?” pensou surpreso.
Ele olhou para baixo de si e viu a figura de um quebrador de pedras.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

FORA DOS PADRÕES



Sempre que vemos publicidade de aparelhos celulares nos deparamos como coisas que representam avanço tecnológico, qualidade de vida, esporte, crianças e pessoas bonitas desfrutando sempre o melhor. Alguns vt's até apelam para o humor e o inverossímil, mas para a linha do terror, é a primeira vez que vejo.
Essa abordagem no Reino Unido feita para o lançamento do aparelho celular Phones4U é mais que impactante. Depois de várias reclamações, a ASA (Advertising Standards Authority - uma espécie de Conar Inglês) está estudando se a mensagem é de fato ou não angustiante demais por exibir no melhor estilo terror para adulto, uma criança fantasma assombrando uma mulher numa garagem subterrânea. Segundo o Daily Mail, o comercial está sendo exibido em horário de pico e tem despertado controvérsias entre os consumidores. Veja e forme sua própria opinião.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

FILME DA SEMANA


Olá amigos cinéfilos!
Nossa dica de hoje é para o filme nacional, ‘O Palhaço’, e ao contrário do que muitos pensam, este filme não marca a estréia do ator Selton Mello como diretor, ele já havia dirigido o longa ‘Feliz Natal’ em 2008.
No filme, o próprio Selton é o protagonista, e de excelente ator, na pele de diretor não podia ser mais feliz.
A trama retrata a história Benjamim (Selton Mello) que junto de Valdemar, seu pai (Paulo José) formam uma grande dupla de palhaços, conhecidos como Pangaré e Puro Sangue.
No circo, tudo parece fazer sentido, principalmente nas relações pessoais entre seus integrantes, mas para Benjamim há um vazio. Ele não conversa muito com o pai e, além das querelas do cotidiano, como a compra de um ventilador para a bailarina Lola, namorada de seu pai, mas também por uma sensação que o deixa incompleto.
De certa forma, tudo parece ser uma pseudo-autodobiografia do próprio ator, pois o filme nasceu de uma crise criativa que o acometeu desde 2009, e Benjamin em busca de uma identidade é a própria busca do ator para por fim à sua crise.
O filme traz a tona a máxima grega que diz ser o palhaço um ser que faz os outros rirem, mas que é triste por dentro. A própria postura diferenciada de Benjamim mostra que em algum ponto de sua trajetória ele se perdeu em meio a problemas não solucionados.
O roteiro traz um humor verbal que resgata a melhor tradição brasileira de grandes humoristas do passado, o filme proporciona em alguns takes enquadramentos que geometricamente transformam cenas corriqueiras em retratos onde se define claramente palco e platéia.
Benjamim se revela o que ele mesmo é; um palhaço sem identidade, documentos ou comprovante de residência, um homem aos pedaços como é sua própria certidão de nascimento, o que faz dele um viajante pelas estradas da vida na companhia da divertida trupe. Ele é um palhaço que perdeu a própria graça, e isso o faz partir em busca de si mesmo.
Com participações especiais, como Jorge Loredo, o Zé Bonitinho, que conta uma piada sentado à ponta da mesa, uma metáfora do palco, a Benjamim, que do outro lado parece representar a platéia. Mesmo sem graça, a piada desperta em Benjamim o riso verdadeiro, ou seja, o palhaço encontra a redenção, finalmente alguém que o faz o rir.
O filme contou com um orçamento de 5 milhões de reais e até o monmento deste post já foi visto por 1 milhão de pessoas.
Selton chegou a oferecer o personagem para Wagner Moura e Rodrigo Santoro, mas diante da impossibilidade destes, ele mesmo resolveu viver o papel e contou com um “personal palhaço” para treiná-lo, esse gesto, uma homenagem ao palhaço Arrelia.

Destaque para a atriz mirim, Larissa Manoela, intérprete de Guilhermina, que brilha no filme. No elenco, grandes atores como: Giselle Motta, Bruna Chiradia, Renato Macedo, Tony Tonelada, Fabiana Karla, Jackson Antunes, Moacyr Franco, Tonico Pereira e Ferrugem dentre outros. Um filme emocionante!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

OUSADIA: SEMPRE SURPREENDENTE


Quem quer correr riscos, quem está disposto?

Você é ousado ou já está acomodado nos cômodos incômodos que a rotina lhe reservou?

Quem, mesmo diante do fracasso iminente, continua seguindo em frente? Atirando suas vaquinhas abismo abaixo e indo de encontro ao desafio do que o incerto lhe proporciona?

Talvez aquelas pessoas que costumam ser chamadas de loucas, visionárias ou simplesmente arrojadas.

Arrojo - essa é a tênue linha que separa a coragem de arriscar da incerteza da espera eterna.

A ousadia, como já se diz, é atirada, não se permite refrear, é uma louca vertigem que se apodera do espírito e faz a gente seguir adiante.

Quem é ousado, impetuoso, arrisca tudo já tendo uma única certeza: uma metade do todo pende para o sucesso e a outra metade para o fracasso. Mas é exatamente aí que reside a coragem da ousadia, não esperar para poder surpreender.

Pois quem espera nunca cansa, nunca cansa de esperar uma oportunidade que talvez nunca venha porque você a perdeu quando ela estava à sua porta.

O que me falta não são sonhos, mas a ousadia de realizá-los.

Quisera eu poder arriscar tudo em troca de um sonho, para ter a certeza de que mesmo errando, não venha me arrepender por isso, mas sim por ter deixado de fazer o que achava certo.

Por quanto, tenho a paciência e a cautela, mas trocaria de bom grado pela coragem e a ousadia.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A ÁGUA DA MINHA ALMA

Gosto da chuva, os pingos de água caindo no rosto numa noite fria dão outro sentido a vida. Parecem querer lavar a alma e as lembranças ruins. Estranho, mas extremamente normal para mim, tomar uma chuva enquanto todos fogem dela. Pareço ser eu, o único a perceber que a chuva quer compartilhar a noite e a solidão do frio. Há quem esteja recolhido embaixo das cobertas, quentinho aproveitando a sensação gostosa do aconchego.

Há quem goste de um café, um leite, um chá ou um chocolate quente para aquecer o corpo e o espírito, há ainda os que lêem, escrevem ou assistem a TV como que para esquecer o mau tempo esperando que ele passe logo. Mas que mau tempo, tempos bons ou ruins só são proporcionados por nós mesmos, a chuva não desabriga ninguém, ela serve para mostrar que se alguém não tem teto, é porque um outro, em algum lugar, deixou a ganância falar mais alto, e a oportunidade não chegou onde deveria.

Não considero a noite chuvosa como um mau tempo, mas a chance de nos vermos nus, a água, simboliza a visão de podermos ser nós mesmos, sem mascaras, pinturas e fantasias.

Ela lava e revela a verdade crua de nossa alma.

Mas o que a chuva traz é a própria reflexão da vida, uma explosão de coisas que em noites normais você não se permitiria sentir, pois tais sentimentos, somente vêem com as lembranças que caem nos pingos da chuva.

Cai chuva, cantarola vento, ilumina raio, estronda trovão, acorda meu povo, que recolhido em suas casas dorme sereno ao ocaso de sua realidade.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

NÃO FALE DE TERESINA


Quem fala do meu povo, não viu o seu sorriso, não se sentiu criança na minha cidade, não viu a paisagem se transformar e não sentiu o cheiro da terra molhada de chuva. Não sabe o que é sentar num banco de praça e ficar olhando o movimento da rua, descobrindo em cada rosto um pouco do que é ser Teresina.
Teresina é a conversa de esquina, é o céu azul com promessa de chuva, é o movimento do vai e vem no calçadão, é a ruma de menino entrando na escola, é o piqueiro de gente no shopping do camelô. Teresina vai além de uma simples cidade. Ela tem alma e assim como sua gente, sorri, sofre, brinca e chora. Simples no tratar os seus e os outros, ela é acolhedora, abriga quem precisa nas sombras de sua árvores, nos barzinhos de fim de tarde, nas noites amenas de céu estrelado, no fervor da fé de suas novenas, nas feiras dominicais e nas cadeiras colocadas nas calçadas das casas.
Quem fala do meu povo, tem que viver aqui, teresinando-se, para sentir na alma, o que é viver Teresina.
Quem quer falar do meu povo tem que ver Teresina!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

DICA DE FILME DA SEMANA



Olá amigos cinéfilos! Hollywood agora é aqui, já acontece em todo mundo, no Brasil não é diferente, uma proliferação de talentos e boas histórias que resultam em ótimas produções. Em 2012 se comemora os 100 anos de nascimento de Jorge Amado, este escritor baiano, da segunda geração do modernismo que expôs para o país as peculiaridades da Bahia, seu gingado, suas cores e o sentimento de sua gente. Grandes sucessos como ‘Gabriela, cravo e canela’ , ‘Tiêta do Agreste’, ‘Dona Flôr e seus dois maridos’, ‘Terras do sem fim’e ‘O bem amado’ já foram alguns dos seus livros que ganharam viva na tv e nos cinemas. Agora vem ‘Capitães da Areia’, um ótimo roteiro adaptado, dirigido por Cecília Amado (neta do escritor) e Guy Gonçalves. A trilha sonora é assinada por Carlinhos Brown. O livro, lançado em 1937, retrata uma fase do escritor marcada pelo panfletarismo dos ideais comunistas. A trama retrata a Bahia dos anos 50, onde um grupo de adolescentes vivem abandonados pelas ruas de Salvador, praticando toda espécie de furtos e fazendo do cais do porto o seu ponto de apoio, por isso são chamados ‘Capitães da areia.’ O bando é liderado por Pedro Bala (Jean Luís), ele temido por muitos e caçado como bandido, mas se trata apenas de um adolescente que para a maioria dos garotos é um herói. Eles vivem de pequenos roubos a assaltos às casas dos ricos, trapaceiam os marinheiro nos jogos de mesa e sempre estão olhando os decotes fartos da mulatas. Passam o dia nas ruas e feiras da cidade se divertindo ou enfrentando toda sorte de dificuldades. Contudo, nada os abala. Quando um dos membros pega varíola, os garotos descobrem que a cidade foi tomada por uma epidemia e para preservar o bando, terão que decidir o que fazer com seu companheiro doente - decisão de gente grande para gente miúda tomar. A morte avança e faz muitas vítimas, Dora (Ana Graciela), uma garota de 13 anos, perde a família e sozinha nas ruas, acaba por encontrar os Capitães da Areia. Pedro logo se apaixona por Dora, mas não só ele, Professor, seu tímido braço direito formará esse triângulo amoroso. Mas o bando não estava preparado para a chegada de uma garota e ficará abalado, mesmo com a intervenção de Pedro, quem pode refrear os impulsos da juventude de seus companheiros, o que fará a diferença é a determinação de Dora em ser uma capitã da areia.
Um ótimo filme, digno ser visto, uma obra prima da literatura que vai à telona sem as costumeiras distorções por que passam a maioria dos livros adaptados. Boa diversão, ou melhor, boa aula de cultura!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

DAS COISAS NÃO RESOLVÍVEIS


Estas são algumas das coisas das quais não suporto mais ouvir falar,
porque já cansou e por mais que se faça, não tem fim.
Corrupção no governo
Falta de decoro político
Imprensa marron
Sinais de trânsito em cada esquina de Teresina
Pedintes de sinal
Flanelinhas dono das ruas
Crimes isolucionáveis
Bocas de fumo
Fila em caixa
Interligação das linhas de ônibus
Fofoquinha política
Descaso com o dinheiro público
Falta de remédios obrigatórios na farmácia do governo
Pensão no Centro
Teresina ainda ser chamada de "Cidade Verde"
Só se for o povo verdinho de raiva, pois a cada dia
o verde vai indo embora.

Mas dizem que tem um candidato aí que vai resolver tudo isso:
JC

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O ENIGMÁTICO AMOR



O que se pode falar mais sobre o amor? Há ainda o que se dizer quando milhões de poemas, canções, histórias e pessoas de alguma maneira já o fizeram ou viveram sua experiência.

O amor, esse tão incompreendido sentimento, injustiçado e às vezes culpado por desgraças. O amor é um paradoxo de si mesmo, alguns dizem que quando ele é muito intenso, cega, outros falam que na medida em que se descontrola, vira obsessão e até ódio, podendo levar à loucura. Contudo, ele também constrói e edifica na medida de cada um, a felicidade. Quem ama, não mede conseqüências para obter o bem estar do outro, abrindo mão de coisas muito importantes ou até mesmo de tudo por amor.

Talvez isso seja raro no mundo de hoje, mas na história humana, reis já abdicaram por amor, guerras já foram travadas por amor, heróis caíram de joelhos por amor, poetas já morreram por suas musas, mesmo que platônicas, mas por amor. Então se o amor é assim, ficar fora de tempo, construir um mundo à parte, ficar extasiado, ser transformado em alguém melhor e passar a ver ou outro com outros olhos - porque também é tão nocivo? Talvez nem a própria filosofia responda, mas ele é uma experiência que todo mundo quer viver. Como diz o poeta Camões


Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.


É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.


É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


O apóstolo Paulo muitos anos antes já escrevera “ sem o amor vejo apenas em parte, mas com o amor verei face a face”.

Nada que se diga sobre o amor fará sentido à pessoa alguma, a única coisa capaz de fazê-lo dar sentido à vida, é vivê-lo.

E você, já viveu um grande amor?