sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A ÁGUA DA MINHA ALMA

Gosto da chuva, os pingos de água caindo no rosto numa noite fria dão outro sentido a vida. Parecem querer lavar a alma e as lembranças ruins. Estranho, mas extremamente normal para mim, tomar uma chuva enquanto todos fogem dela. Pareço ser eu, o único a perceber que a chuva quer compartilhar a noite e a solidão do frio. Há quem esteja recolhido embaixo das cobertas, quentinho aproveitando a sensação gostosa do aconchego.

Há quem goste de um café, um leite, um chá ou um chocolate quente para aquecer o corpo e o espírito, há ainda os que lêem, escrevem ou assistem a TV como que para esquecer o mau tempo esperando que ele passe logo. Mas que mau tempo, tempos bons ou ruins só são proporcionados por nós mesmos, a chuva não desabriga ninguém, ela serve para mostrar que se alguém não tem teto, é porque um outro, em algum lugar, deixou a ganância falar mais alto, e a oportunidade não chegou onde deveria.

Não considero a noite chuvosa como um mau tempo, mas a chance de nos vermos nus, a água, simboliza a visão de podermos ser nós mesmos, sem mascaras, pinturas e fantasias.

Ela lava e revela a verdade crua de nossa alma.

Mas o que a chuva traz é a própria reflexão da vida, uma explosão de coisas que em noites normais você não se permitiria sentir, pois tais sentimentos, somente vêem com as lembranças que caem nos pingos da chuva.

Cai chuva, cantarola vento, ilumina raio, estronda trovão, acorda meu povo, que recolhido em suas casas dorme sereno ao ocaso de sua realidade.


Nenhum comentário: