segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

OS VENTOS DE JULHO


Doravante, me vejo caminhando por uma das estradas que levam a Dunquerque, embora a rodovia, em ótimo estado, seja um convite a chegar mais rápido, ainda prefiro caminhar.

A cidade tem na Igreja de Santo Elói seu maior marco, embora tenha sido palco de inúmeras batalhas históricas que remontam à idade média e vão até a II Guerra Mundial. A cidade mantêm ainda um ar nostálgico, embora tenha uma combinação perfeita entre o passado e o presente. Foi nesta cidade que por milagre Hitler não dizimou todo o exército inglês, que cercado, teve que evacuar por mar, mais de 300 mil soldados.

Dunquerque significa ‘Igreja nas Dunas’, quem sabe este não tenha sido um grande milagre de Deus para preservara a alegria de muitas famílias. Esta é uma cidade portuária importante para a França, há bosques e colinas em seu entorno, belas pontes e muitas fortificações históricas. Contudo, ainda há histórias de velhos pescadores, aqueles que viram a transformação destas terras. Histórias de superação, honra, coragem, justiça e amor.

As histórias de amor são as que foram testemunhadas pelas paredes dos castelos antigos, pelos rochedos do mar e árvores centenárias e as dunas. Agora, estes rincões, talvez testemunhem mais uma.

Nesta realidade, Juliana sempre está com um sorriso sereno à espera de viver novas emoções. Ela é simples, amável e faz ao final da tarde um passeio a beira mar. Ningúem a conhece, mais a chamam de a 'a bela da tarde', pois que todos a veêm ali todos os dias, ela é morena e suas madeixas voam ao sabor do vento, 'une vision d'une rare beauté'- uma visão de rara beleza. Sei que ela significa um recomeço de tudo de tudo bom que se possa ter da vida. Posso vislumbrar a alegria e a felicidade apenas pelo seu simples modo de olhar. Já sei o que lhe reserva a vida, ser do mundo, e por ser do mundo é que ela estará lá, a espera, porque tem certeza do reencontro. A vejo sentada à beira do cais admirando o mar. Talvez se imagine além dele, quem sabe buscando respostas para entender porque fora viver tão distante de casa.

Ela optou por isso, ser uma cidadã do mundo, estar em todos os lugares dele, mas no fundo de seu ser, ela mora em apenas um lugar, este lugar, sua terra, está em seu coração.

É julho, e Juliana sente a brisa do mar, ela se identifica com ele, talvez espere que este vento traga de volta seu amor, mas não é a brisa do mar que o trará, ele virá como as folhas do outono, de mansinho, e quando ela menos esperar, estará à sua frente. Ele lhe dará um longo abraço, ali acontecerá o mais caloroso beijo e por fim, o mais aguardado reencontro. Em Dunquerque, tão longe de sua terra, os bosques, uma vez mais, testemunharão a felicidade do sorriso de Juliana.

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