segunda-feira, 23 de abril de 2012

VIVERES



Se eu estiver chato, seja paciente,
se eu me mostrar estranho, apenas me entenda,
se eu parecer distante, fica a meu lado,
se eu nada falar, olhe em meus olhos e eles revelarão minh'alma
se eu sumir, me procure sempre,
se me irritar, me acalme por nós dois.
Eu sou contrastes, paradoxo do normal, estranho as vezes,
mas o mesmo que você conheceu.
Eu erro, mas me esforço pra te fazer feliz.
Amo de paixão tudo que significa arrancar um sorriso teu.
Sofro por não saber captar tua alma, perceber a essência do quão importante
é para você nos fazer estar bem.
Desculpa o amor não dado a exigir de ti muito mais que sonhas receber.
Sou o elo de nós dois, que da mesma forma que nos une, rouba uma parte tua.
Sou apenas uma faísca dessa paixão perdida no caos, mas, mesmo assim, dentro dessa desordem cega, segue uma ordem desconexa a completar com sua imperfeição a perfeição do amor.
Sou prelúdio de algo maior, epifania que não ouso possuir sozinho, porque o amor foi feito para ser vivido por dois corações, que embora díspares, repartem o mesmo sonho.

Então, se eu não tiver mais sonhos, realize-os por nós dois.

sábado, 21 de abril de 2012

TERRA QUERIDA, DE QUEM?


Falo do Piauí, posso falar bem ou mal, tenho esse direito por que sou daqui. Sou contra injustiças, mas desde o passado até hoje elas continuam.
Hoje falarei mal por causa do descaso com que meu povo é tratado, das injúrias a que é submetido, da  pequenez dos políticos sentados em suas cadeiras babando com as benesses de seus cargos.
Falta-lhes seriedade para alavancar o Estado a ser menos pobre, menos analfabeto, menos prestigiado com grandes obras, menos desumano.
Não vejo um esforço para mudar isso.
No passado sim, houveram vários homens com sonhos maiores que os conchavos de hoje. Homens como  Wall Ferraz, Alberto Silva, Chagas Rodrigues, Petrônio Portela, Walter Alencar e alguns outros.
Eles fizeram alguma coisa, porém, idealistas como eles não existem mais.
Os pontos negativos ofuscam qualquer orgulho que se tenha de iniciativas isoladas que por milagre resultam em algo concreto, honesto e positivo.
O que se vê hoje é um Estado mergulhado no caos da dívida e da infâmia de ter que
acolher seus filhos menos favorecidos que padecem com a falta de  escola, saúde, moradia, trabalho e dignidade, através de esmolas sociais que como maldição aprisiona-os no vício da dependência submissa do não conhecimento.
Todos estão cegos à miséria mesquinha com que se trata a coisa pública destinada ao cidadão que por milagre ainda vive.
O mal não vem de hoje, foi plantado no passado, desde o povoamento. Falo pelos índios mortos durante a brutal colonização ou guerra de extermínio.
As esperanças perdidas, as histórias esquecidas ao preço da perseguição, do escárnio, do roubo, do estupro cultural e corporal.
Quem quiser dizer que os dois Domingos - Jorge Velho  e Mafrense  sejam heróis da  história do povoamento civilizado do Piauí, é melhor calar-se.
Não se civiliza a custo do sangue, ao choro de inocentes, ao desespero de mães e à crueldade sem medida sustentada no poderio de armamentos.
Não sinto nenhum orgulho e com certeza todos deviam era sentir vergonha em cantar certa parte do Hino do Piauí que diz:  
Desbravando-te os campos distantes
Na missão do trabalho e da paz,
A aventura de dois bandeirantes
A semente da pátria nos traz”
Realmente uma aventura em busca de riquezas, de aprisionar pessoas, de matar índios, de exterminar tribos inteiras, apagando uma rica história cultural, semeando destruição e violência. Não entendo como o poeta Da Costa e Silva, considerado o maior poeta piauiense escreveu algo assim.
Vai ver teve censura, afinal o poema foi encomendado para se tornar um hino.
O último bastião que ainda defendia a luta índia no Piauí era Mandu Ladino, mas perseguido, foi baleado e morreu afogado nas águas do Parnaíba, e com ele todos os nossos índios. Bernardo Aguiar e João do Rêgo Castelo Branco figuram na história como grandes responsáveis pelo massacre dos povos indígenas no nosso Estado.
Quem não conhece sua história está fadado a repeti-la. Hoje isso se repete, a guerra é silenciosa, morre-se nas filas de hospitais, nas prisões, na mendicância, na falta de emprego e nas outras formas de se fechar os olhos para os problemas do povo.
Morreram os índios, hoje morremos nós, seus descendentes.
Não falarei bem do Piauí, há quem o faça aos montes, é fácil falar bem, difícil é falar mal.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A CORAGEM DE SE TORNAR INESQUECÍVEL




Sempre que sofremos uma perda, nos perguntamos o porquê, se é justo ou injusto, se foi prematuro ou não, o fato é que ficamos num estado suspenso de incredulidade por achar que a ficha ainda não caiu.
A verdade é que pela nossa condição humana, nunca temos a concepção de que por mais cruel que seja o inexorável caminho que separam para sempre as pessoas, não queremos aceitar ou sequer pensar na ideia de que um dia ele se afigure tão próximo de nós.
Às vezes me vejo perplexo diante da realidade das coisas e me pergunto se o que nos faz seguir em frente é a necessidade de manter vivas as lembranças ou nos cercar de coisas para fazer a transição do que era e construir outra etapa da vida pautada na ausência mas não no esquecimento.
Devo muito a meu amigo, que de um modo carinhoso me chamava de “meu filho”, um carinho pautado no respeito que tínhamos um pelo outro, apesar da diferença de idade não ser tão relevante.
Lembro-me de sua expressão quando gostava de alguma coisa - “Show, show!” e aí, dentro do vocabulário de seu repertório de vida, não precisava dizer mais nada, pois da mesma forma que nos contagiava com suas ideias sequer colocadas no papel, sabíamos que ele se encantara com as nossas.
Considero a convivência a seu lado, um ganho de experiência incomparável, visto que sendo único, ele era ao mesmo tempo um coletivo de qualidades próprias, onde o maior talento que cultivou foi coroar a vida de todos nós com momentos memoráveis de um grande show, em que o artista era ele mesmo.
Alguns o chamavam de Peixotão, talvez pela grande influência que exercia nos seus diversos círculos de amizades ou pela intensa energia com que vivia cada projeto que levou a sua marca. Prefiro pensar que esse “ão” de Peixotão seja o aumentativo de um grande coração, de uma forte paixão, de uma imensa dedicação em fazer de sua vida uma grande lição. O ‘‘ão” que vem na disposição do trabalho incansável, na inquietação de quem não sabia ficar parado sem estar sempre com uma ideia fervilhando na cabeça.
Acredito que seu maior dom era ser um fomentador de discussões, um idealizador visionário, um amigo leal, empreendedor perspicaz que apesar dos riscos, vivia no limiar do pode dar certo e do vai dar certo, pois o medo de errar era ocultado por um único vislumbre do futuro, o de sucesso.
Agora amigo, o palco é todo seu, abrem-se as cortinas, acendem-se os holofotes e mais uma vez o show começa para você.
Vai-se o pai amoroso, o irmão companheiro, o esposo dedicado, o amigo de todas as horas, o filho amado, contudo ficam os momentos, as palavras, o exemplo, a obra e, sobretudo, a saudade. E o que é a saudade, senão o amor que fica.
Faça a abertura do seu Show, Marcus, e como você mesmo dizia, em qualquer tempo, não importa qual, “A gente se encontra lá”.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

HOJE É ASSIM



Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim?
O Stress, a rotina e coisas assim
Coelhinho da Páscoa o que você tem?
Mais dívidas, chatices e liseira também
Coelhinho da Páscoa que mais quer me dar?
A certeza de que você não vai descansar
Coelhinho da Páscoa o que tem de legal?
Amigos da onça com a cara de pau.