quinta-feira, 12 de abril de 2012

A CORAGEM DE SE TORNAR INESQUECÍVEL




Sempre que sofremos uma perda, nos perguntamos o porquê, se é justo ou injusto, se foi prematuro ou não, o fato é que ficamos num estado suspenso de incredulidade por achar que a ficha ainda não caiu.
A verdade é que pela nossa condição humana, nunca temos a concepção de que por mais cruel que seja o inexorável caminho que separam para sempre as pessoas, não queremos aceitar ou sequer pensar na ideia de que um dia ele se afigure tão próximo de nós.
Às vezes me vejo perplexo diante da realidade das coisas e me pergunto se o que nos faz seguir em frente é a necessidade de manter vivas as lembranças ou nos cercar de coisas para fazer a transição do que era e construir outra etapa da vida pautada na ausência mas não no esquecimento.
Devo muito a meu amigo, que de um modo carinhoso me chamava de “meu filho”, um carinho pautado no respeito que tínhamos um pelo outro, apesar da diferença de idade não ser tão relevante.
Lembro-me de sua expressão quando gostava de alguma coisa - “Show, show!” e aí, dentro do vocabulário de seu repertório de vida, não precisava dizer mais nada, pois da mesma forma que nos contagiava com suas ideias sequer colocadas no papel, sabíamos que ele se encantara com as nossas.
Considero a convivência a seu lado, um ganho de experiência incomparável, visto que sendo único, ele era ao mesmo tempo um coletivo de qualidades próprias, onde o maior talento que cultivou foi coroar a vida de todos nós com momentos memoráveis de um grande show, em que o artista era ele mesmo.
Alguns o chamavam de Peixotão, talvez pela grande influência que exercia nos seus diversos círculos de amizades ou pela intensa energia com que vivia cada projeto que levou a sua marca. Prefiro pensar que esse “ão” de Peixotão seja o aumentativo de um grande coração, de uma forte paixão, de uma imensa dedicação em fazer de sua vida uma grande lição. O ‘‘ão” que vem na disposição do trabalho incansável, na inquietação de quem não sabia ficar parado sem estar sempre com uma ideia fervilhando na cabeça.
Acredito que seu maior dom era ser um fomentador de discussões, um idealizador visionário, um amigo leal, empreendedor perspicaz que apesar dos riscos, vivia no limiar do pode dar certo e do vai dar certo, pois o medo de errar era ocultado por um único vislumbre do futuro, o de sucesso.
Agora amigo, o palco é todo seu, abrem-se as cortinas, acendem-se os holofotes e mais uma vez o show começa para você.
Vai-se o pai amoroso, o irmão companheiro, o esposo dedicado, o amigo de todas as horas, o filho amado, contudo ficam os momentos, as palavras, o exemplo, a obra e, sobretudo, a saudade. E o que é a saudade, senão o amor que fica.
Faça a abertura do seu Show, Marcus, e como você mesmo dizia, em qualquer tempo, não importa qual, “A gente se encontra lá”.

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