sábado, 21 de abril de 2012

TERRA QUERIDA, DE QUEM?


Falo do Piauí, posso falar bem ou mal, tenho esse direito por que sou daqui. Sou contra injustiças, mas desde o passado até hoje elas continuam.
Hoje falarei mal por causa do descaso com que meu povo é tratado, das injúrias a que é submetido, da  pequenez dos políticos sentados em suas cadeiras babando com as benesses de seus cargos.
Falta-lhes seriedade para alavancar o Estado a ser menos pobre, menos analfabeto, menos prestigiado com grandes obras, menos desumano.
Não vejo um esforço para mudar isso.
No passado sim, houveram vários homens com sonhos maiores que os conchavos de hoje. Homens como  Wall Ferraz, Alberto Silva, Chagas Rodrigues, Petrônio Portela, Walter Alencar e alguns outros.
Eles fizeram alguma coisa, porém, idealistas como eles não existem mais.
Os pontos negativos ofuscam qualquer orgulho que se tenha de iniciativas isoladas que por milagre resultam em algo concreto, honesto e positivo.
O que se vê hoje é um Estado mergulhado no caos da dívida e da infâmia de ter que
acolher seus filhos menos favorecidos que padecem com a falta de  escola, saúde, moradia, trabalho e dignidade, através de esmolas sociais que como maldição aprisiona-os no vício da dependência submissa do não conhecimento.
Todos estão cegos à miséria mesquinha com que se trata a coisa pública destinada ao cidadão que por milagre ainda vive.
O mal não vem de hoje, foi plantado no passado, desde o povoamento. Falo pelos índios mortos durante a brutal colonização ou guerra de extermínio.
As esperanças perdidas, as histórias esquecidas ao preço da perseguição, do escárnio, do roubo, do estupro cultural e corporal.
Quem quiser dizer que os dois Domingos - Jorge Velho  e Mafrense  sejam heróis da  história do povoamento civilizado do Piauí, é melhor calar-se.
Não se civiliza a custo do sangue, ao choro de inocentes, ao desespero de mães e à crueldade sem medida sustentada no poderio de armamentos.
Não sinto nenhum orgulho e com certeza todos deviam era sentir vergonha em cantar certa parte do Hino do Piauí que diz:  
Desbravando-te os campos distantes
Na missão do trabalho e da paz,
A aventura de dois bandeirantes
A semente da pátria nos traz”
Realmente uma aventura em busca de riquezas, de aprisionar pessoas, de matar índios, de exterminar tribos inteiras, apagando uma rica história cultural, semeando destruição e violência. Não entendo como o poeta Da Costa e Silva, considerado o maior poeta piauiense escreveu algo assim.
Vai ver teve censura, afinal o poema foi encomendado para se tornar um hino.
O último bastião que ainda defendia a luta índia no Piauí era Mandu Ladino, mas perseguido, foi baleado e morreu afogado nas águas do Parnaíba, e com ele todos os nossos índios. Bernardo Aguiar e João do Rêgo Castelo Branco figuram na história como grandes responsáveis pelo massacre dos povos indígenas no nosso Estado.
Quem não conhece sua história está fadado a repeti-la. Hoje isso se repete, a guerra é silenciosa, morre-se nas filas de hospitais, nas prisões, na mendicância, na falta de emprego e nas outras formas de se fechar os olhos para os problemas do povo.
Morreram os índios, hoje morremos nós, seus descendentes.
Não falarei bem do Piauí, há quem o faça aos montes, é fácil falar bem, difícil é falar mal.

Um comentário:

Phoenix disse...

falas de uma realidade que me é estranha, não posso comentar o que dizes. Mas somos também nós que temos que lutar pelo que é nosso..

Beijinho **