sábado, 26 de maio de 2012

O CIRCO JÁ NÃO É MAIS O MESMO




Acompanho Fórmula 1 desde os tempos de Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace, Clay Reagazzoni, Carlos Reutmann, Niki Lauda, Alan Jones, Ronnie Peterson, Jody Scheckter e outros mais, na verdade, posso dizer que sou um apaixonado pelo esporte. Sou daqueles que quando menino colecionava inclusive os álbuns de figurinhas.

Naquele tempo o carro era guiado com braço, talento e raça. Hoje, por mais que o Galvão Bueno tente empolgar o público dizendo que a Fórmula 1 está emocionante, que em 5 corridas há 5 vencedores diferentes, não está. Na verdade, hoje o carro é quem determina  se o piloto vai vencer ou não.

Os ajustes já não são como nos tempos de Piquet ou Senna, onde o piloto andava no carro, sentia o carro e dizia exatamente o que tinha de ser ajustado.

A Fórmula 1 agora se divide em quem larga na frente e anda sozinho e o segundo bloco, a disputa se resume a uma ou outra briga intermediária, a troca de posição acontece é no pit stop. Fangio deve se contorcer no túmulo, e o que dizer então de Gilles Villeneuve vendo essas coisas. 

Saudades de pilotos de verdade como Alan Prost, Nigel Mansell, René Arnoux, Mika Häkkinen, Gerard Berger, Mario Andretti, Keke Rosberg, Nelson Piquet, Senna entre outros.

Se for para se falar em atualidade, Schumacher teve alguns momentos de brilho, mas não o vejo como tão grande piloto assim, acho-o muito oportunista, venceu mais por ter um bom carro e por ser favorecido pela equipe, considero-o muito desleal desde quando o vi jogar sua Benetton  em cima da Williams de Damon Hill para tirá-lo da prova,  e assim vencer seu primeiro campeonato. Uma coisa é disputar uma curva, uma ultrapassagem, outra coisa é sair da pista e trazer o carro de volta para atingir o outro.

Já Alonso, Vettel, Montoya, Kimi, Hamilton, Button, Webber são talentosos mas como estão as coisas, dependem muito mais do carro do que deles mesmos, veja o desempenho pífio de Schumacher agora.

Para mim, essa postura de garantir emprego fazendo jogo de equipe, sinto muito, piloto tem que ter atitude e desempenho para poder ser valorizado. Senna e Prost corriam na mesma equipe e na pista se pegavam, por isso eram campeões e pilotos respeitadíssimos.

A partir do momento que para ultrapassar você tenha de lançar mão de dispositivos eletrônicos, fazer jogo de equipe e obedecer a uma série de regras ridículas que travam os pilotos, como por exemplo ter que se preocupar com pneus para limitar a capacidade de desenvolvimento da performance do carro na pista ou uma se alinhar a uma época em que  o dinheiro, interesses corporativos falam bem mais alto do que a paixão pelo esporte e a vontade de vencer, aí fica complicado realmente gostar de F1. Sinto muito, amo a velocidade, mas não concordo com toda essa emoção que se alardeia por aí.


E isso é porque nem falei dessa onda de circuitos novos sem pontos de ultrapassagem - ô saudades de Interlagos, de Indianápolis, de Jerez.


Existem alguns bons autódromos, mas Deus me livre do chamado GP mais charmoso da F1. Mônaco é simplesmente o circuito de rua mais horrível para quem assiste a prova pela TV. É travado sem ponto de ultrapassagem sem reta, sem sequer qualquer emoção maior, a única que vi foi o Senna segurar o Leão, e só. O príncipe que me perdoe, mas se Mônaco saísse do circuito não deixaria saudades. Ele pode ser charmoso para quem está nos hotéis, na marina ou nos cassinos, mas francamente, só mesmo muito dinheiro.

Prefiro Imola, Sepang, Nurburgring, Hungaroring, SPA, Magny cours, Abu Dabhi, Monza, Hockenheim, Silverstone, Montreal, Melbourne e outros mais, mas Mônaco - amigo desculpe aí a falta de emoção, mas são só negócios.

É, os tempos mudaram, o circo já não é mais o mesmo.

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