terça-feira, 13 de novembro de 2012

QUANDO PERDI A MINHA FÉ


Conheci Deus quando era criança. Piamente acreditei Nele como me ensinaram a acreditar. Ia a missa todas as manhãs de domingo, juntamente com meus irmãos. Frequentei o catecismo, fiz a primeira eucaristia, fiz o crisma e me engajei nos grupos e jovens da igreja, isso foi bom e fez parte de um ciclo de minha vida. Sempre que o padre fazia o sermão, parecia que aquelas palavras eram só pra mim. Aquilo me tocaava o coração. De lá para cá, muita coisa mudou, não só no mundo, mas nas relações com as pessoas e também  dentro de mim. Mudei com Deus, não foi Ele quem mudou comigo, mas de certa forma sinto que Ele me mudou.
A secularização e outras banalizações da vida moderna foram aos poucos me tirando do manto do sagrado e me expondo a materialização e à virtualização.

Ainda acredito Nele, mas a forma de crer mudou muito, pois não o sinto mais como antigamente. Busquei um Deus em tudo que estava a minha volta, e quis respostas que ele não podia me dar, pelo menos não na forma que eu queria ouvir.
Quando criança eu o ouvia claramente, hoje por incrível que pareça, seu silêncio é que fala comigo, mas não consigo entender.
Afastei-me dele, e de certa forma, isso foi providencial, pois até aí saí buscando uma justificativa para minha descrença, entendi então que mesmo essa resposta, era inerente a Ele. Contudo, quando se é adulto, tudo muda no seu modo de pensar. Já não se deposita tanta fé nas pessoas, e o mundo não é exatamente o que você imaginou que seria.
Se passa a pré-julgar sem antes rever seus próprios questionamentos. Deixei meu Deus num esquecimento, um limbo, isso resultou que na relação inversa eu me isolei também.
Parece que Deus não cabia mais em minha vida, já não dispensava tanto tempo para Ele. O correr diário me tirou a certeza de que ele merecesse mais atenção. Decerto, é que as vezes cheguei  questionar se de fato perdi a fé ou isso seria apenas uma crise existencial momentânea de como eu queria crer no que nos convencionamos a chamar de Deus. Conversei com um amigo padre, ele me disse que iso era normal, que duvidar é de certa forma também uma dádiva divina para que de fato se encontre as respostas ansiadas.
Vejo minha mãe rezar muito todos os dias,  tanto que as vezes não há tempo para me dar atenção devida, talvez ela cobre do próprio Deus a atenção que ela queira me dar. Sei que ela em sua oração zela por mim. A pergunta é, diante de tanto conflito de fé, eu sou merecedor dessa atenção?
Continuo confuso, busquei por muito temo um Deus fora de mim e no fundo essa busca me revelou que Ele sempre morou dentro de  mim. Ele se faz presente naquilo que consegui fazer de bom na vida, Ele vive no meu melhor, ele se mostra a mim através de meus filhos.

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