quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A OUTRA INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER




A cerca de tês semanas, estava sentado em bar muito simpático da zona Leste, cantinho do Jambo, com um amigo de longa data, conhecedor de minha vida, da minha personalidade e da minha situação. Na verdade, ele é um desses amigos mais irmão que seus próprios irmãos, e me disse algo que mudou muito meu modo de pensar, viver e agir desse tempo para cá.


Disse ele:

Tá bem, ficar sozinho um pouco é bom pra pensar, mas pra pensar e não para estar. Por mais ruim que possa parecer a situação, um homem não deve nunca estar ou ficar sozinho, isso, não é eu quem digo, está na bíblia. Na verdade, muitas vezes na vida se comete enganos, as vezes dá para desfazer, desde que tais erros não causem mudanças profundas nas vidas das pessoas envolvidas. Ninguém pode estar sozinho, se alguém lhe pediu isso como prova de alguma coisa, só prova uma coisa: quem ama, não exige nenhum tipo de prova ou sacrifício, essa, é a primeira certeza do amor.


O fato é que ninguém quer ficar sozinho, mesmo aqueles que se dizem os solteiros ou livres e desimpedidos, estão sempre atrás de alguém para compartilhar seus momentos de solidão, os largados estão sempre tentando preencher o vazio deixado por alguém e os angustiados simplesmente ficam perdidos e acabam solitários. Quer isso para você?


Perguntei a ele onde me encaixava nisso.


Ele disse, olhe pra você, quem é você, como você se vê? Sua vida tá passando, seus filhos estão crescendo e você está fazendo o que?

Respondi: Sou só alguém querendo recomeçar.


Não. Disse ele - não há recomeço quando do outro lado nada foi findado, é preciso que se finde para que haja reinício. É preciso que não haja mais carinho, pode até não existir amor, mas há de restar pelo menos bem querer, um querer que o outro não seja infeliz ou viva magoado. E por mais que você busque ou procure não desmonstrar preocupação com isso, seu semblante mostra uma tristeza interior. Você já não é a mesma pessoa extrovertida, divertida e fica buscando desculpas no trabalho ou em outros afazeres e ocupações para compensar a falta que sente da família. Não há vávula de escape. Se fosse para acontecer algo que mudasse sua vida já teria acontecido, e por mais que você tentasse ou esperasse, nada aconteceu. Qualquer esforço seu se perdeu, não houve feedback da outra parte. Vai fazer o que, permanecer sozinho por mais quanto tempo, uma semana, um mês, uma ano?


É só pensar e refletir, quem te liga todo dia, quem inventa uma desculpa qualquer para poder estar com você, seja ir num super mercado, passar no shopping, ir na escola, intimar para uma festa de amigos da família, pegar sua roupa na lavanderia, lhe lembrar de pegar as crianças ou que um ou outro colega está de aniversário ou mesmo apenas queira saber se você de fato está se cuidando e tomando seus remédios?

Não se iluda. Quem você desprezou, abandonou,  sabe de suas tentativas de tentar uma outra vida com outra pessoa e ainda assim te perdoa e nunca falou mal de você, nunca buscou vingança. Essa pessoa merece ser ouvida, merece outra chance, merece bem mais que a indiferença ou até mesmo ser trocada por quem provavelmente nunca aprofundou de verdade seus sentimentos por você.


Pense!

Quem deixaria tudo por ti, quem te colocaria em primeiro plano, quem nunca duvidou de você, quem não te povoa de incertezas? Quem entregou o destino da suaa vida em suas mãos?

Quando você pesar na balança estas coisas, vai ver que direção tomar.

Calado fiquei, ele não estava errado.

Estar perdido não é necessariamente buscar outro amor. Fugir a si mesmo, negar sua palavra, esquecer o juramento. Querer esquecer isso é se autonegar diante Deus, e o pior – para si mesmo.


Busquei disfarçadamente olhar par os lados, não queria conotar em meu olhar uma amargura crescente, pois algum tempo depois iria encontrar com os pequenos.

Coloquei outro assunto em pauta, conversamos mais uma hora e ele teve que ir embora.

Fiquei ali sentado, parei num desse bancos ali na Raul Lopes. Repensei minha vida. Era hora de retomar muitas coisas, eu naquele instante precisava de uma palavra de que sim ou que não. Ela não veio, liguei, liguei, mas não ligaram pra mim. Pensei, vai ver é a telefonia.


Nos dias que se seguiram, as palavras deles formigavam em minha mente.

Cada vez que olhava nos seus olhos ou nos dos pequenos, sentia as palavras se degladiando dentro de mim.

Não mais assisti a missa na igreja em que esse meu amigo é padre.

Aliás, não mais falei com ele. Ele ligou uma vez, atendi. Perguntou se estava bem, disse que sim, ele percebeu um tom de tranquilidade em minha voz, desejou-me um bom natal pois ia viajar para passar as festas com sua família e sugeriu que eu fizesse o mesmo.

Como é período de natal, fui aos correios com alguns amigos para pegarmos cartinhas de crianças carentes que pedem alguma coisa a papai Noel e assim a gente faria a famosa vaquinha para comprar os presentes. Isso me lembrou uma coisa, fui até a casa e peguei embaixo da árvore a cartinha de natal de meu filho, não havia nenhum pedido de presente de criança ao papai Noel, apenas um desejo, "traga papai de volta, eu gosto de desenhar com ele e inventar historinhas". Para mim, isso foi a pá de cal em cima de toda e qualquer atitude que eu pudesse tomar.

E, a despeito do que possam pensar e dizer de mim, para que todos sejam felizes, vou buscar reconstruir tudo o que quase destruí. Aos poucos, com diálogo e algumas atitudes pequenas mas que representam muito.


Esta é mais uma crônica capitular nos anais em busca da feclicidade.

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