sexta-feira, 19 de abril de 2013

BRASIL, PAÍS DO PASSADO


Como diz o falar local “duns dias pra cá” ando meio descrente de que em alguma esfera deste país não haja os tentáculos da corrupção em plena atividade, o que é fator gerador para os grandes desníveis sociais.
Até mesmo as instituições que deviam servir de exemplo e serem a todo custo espelho de respeito e guardiãs da ética, viraram trampolim para as práticas desonestas.
Todos os dias, experimente escutar um noticiário, veja o resultado que deu ter uma terra usada para o aporte de criminosos, excluídos e condenados.
Um processo de formação onde o branco escravizou e oprimiu o negro, esgotou os recursos e dizimou o índio.
Quando se falava em vir para a América, o Brasil era tido como última opção, um país atrasado e que nas décadas seguintes mergulhou no pseudodesenvolvimento ocultado pela máscara da ditadura, herdando o legado de país subdesenvolvido de terceiro mundo.
Durante muitos anos a república das bananas tornou-se motivo de piada dos países desenvolvidos.
Irrelevante como peso de decisão no cenário mundial, não tem cadeira cativa na ONU para optar sobre a segurança global, e uma diplomacia externa extremamente ineficiente, a fuga de nosso cientistas para o exterior por falta de incentivos à pesquisa. O Brasil amarga com índices de desenvolvimento humano vergonhosos e ainda assim, prefere paternalizar os pobres ao invés de gerar renda com capacitação profissional e oportunidade de trabalho. Um país que se diz auto-suficiente em combustível e que compra cotas extras para a bastecer o mercado interno e ainda vende a gasolina mais cara do mundo.
Um país de contrastes, onde políticos ganham rios de dinheiro e o professor uma miséria.
Onde se investe milhões em estádios suntuosos e as barragens e açudes ficam como obras inacabadas.
Tenho medo que esse caos leve a convulsão social, afinal apesar de paciente o povo ainda não tem a disposição de cozinhar pedra, quem conhece o ditado sabe do que falo.   
um país onde a saúde não funciona, a educação é deficitária, a desigualdade social é rotulada pelos bolsas-qualquer da vida, o baixo padrão da educação o coloca entre os piores do mundo e onde a carga tributária estrangula o poder de compra do trabalhador, um país paralisado pelo entrave político-burocrático.
Não é que despreze meu país natal, o que revolta é a banalidade com que se trata a coisa pública, o desrespeito escancarado com o cidadão honesto que produz e que paga seus impostos. Essa farra com o que pertence ao povo é a desgraça da nação. Decisões a respeito de muito dinheiro delegada a uma corja política (vamos salvaguardar uma meia dúzia que realmente representa os interesses do cidadão e honra os votos que recebidos) que só pensa ser o mandado um passe para o enriquecimento.
Não se pode deixar de falar em avanços, mas os passos são muito mais lentos se comparados à corrida desenfreada rumo aos desvios, propinas e corrupção.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

CRÔNICAS DO NOSSO TEMPO



Pensei que a contaminação do corporativismo fosse uma realidade distante. Mas ela, como tudo no nosso tempo, só te dá uma escolha, adapte-se ou retire-se.

Simples assim, com crueza imutável de que tudo pode ser trocado, subtraído ou, como dizia um saudoso amigo, defenestrado.

O corporativismo é tão cruel que ceifa você sem o menor pudor. Confesso que não faço mais por mim, mas é por quem depende de mim.

Ao longo do tempo fui matando e enterrando muitos dos meus projetos, me agarro ainda a um, e desse eu não abro mão. Porém, quando for realizá-lo, até os céticos se surpreenderão porque é algo que a passos miúdos e com muito sacrifício me preparei, mas isso, é uma outra história.

Apenas posso afirmar, é que respeito e lealdade são sentimentos respaldados apenas a um círculo restrito de pessoas nas quais se pode de fato confiar. Me lembro de um versículo da bíblia que diz: “de que vale ganhar o mundo inteiro e perder sua alma”, entenda-se aqui, que a alma, são seus valores, sua ética, seus escrúpulos. Quando se perde isso, junto vai a admiração, o respeito e a amizade.

Pode parecer utopia, mas acredito na amizade, tenho um bom amigo, ele acredita em mim, e isso me basta. Pois apesar de todos os meus defeitos, ele sabe da minha essência verdadeira. Não há dissimulação, oportunismo e uma série de males inerentes a uma alma corrompida e, apesar de todos os defeitos, somos pessoas boas, e isso não se aprende a ser, nasce com você.

Esses tempos, ditos - de bonança, trazem inseridos em si, não desafios, mas obrigações e uma carga de policiamento de suas ações. Alguém aí é feliz por se sentir obrigado a fazer alguma coisa?

São novas ideias que atropelam amizades, destroem sonhos e como me disse um amigo e irmão: não se engane esse é um trator que, ou você aprende a pilotar ou é esmagado por ele. A frase não foi exatamente essa, mas o sentido é o mesmo. Verdade seja dita, não sei se podem dizer coisas boas a meu respeito, eu mesmo me vejo com muitos defeitos, mas posso afirmar reconheço a bondade nas pessoas.

Sonho sim, todo dia com tempos melhores, não renuncio o que passei até aqui, foram tempos de um passado heróico, romântico e onde errei muito, mas, pelo menos dos erros muitas lições foram tiradas. Se vou errar de novo? Não sei, mas se errar, pelo menos que sejam novos erros e não os antigos. 
De uma forma ou de outra, bem ou mal, éramos mais felizes. Não me sinto pobre por querer ter feliz, só não quero tentar sê-lo e ter que me corromper pra isso.

Sempre tive a capacidade de me adaptar, não será diferente dessa vez, a diferença está no "como" ou "quão" grande ela será. É tempo de crescer, ter outro modo de ver, amadurecer e tentar viver (feliz).