terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

MORRER POR DENTRO


Descobri que as crianças sempre são vítimas de nossas atitudes, as vezes a realidade é dura demais para elas. Isso vai criando sequelas que cabe serem percebidas antes que não haja mais como retroceder. Alguns hábitos extremamente infantis podem ser prenúncio de grande problemas para uma pessoa no futuro, inclusive causando danos permanentes. Não sei o que acontece com os filhos, o meu, precisa de terapia para não desenvolver o que pode ser uma espécie de tic nervoso. É preciso paciência e dedicação, se tornar mais que pai, se tornar amigo.
Tenho que adiar certas decisões pessoais para não confundi-lo ainda mais. Não posso colocar outras coisas na cabeça dele, afinal são só nove anos e ainda não há compreensão para muitas coisas de adulto. Há tempo para tudo, mas por agora, ele é o que importa. Perguntei a terapeuta dele, se isso decorria de alguma coisa genética. Ela foi enfática, convivência, stress pode ser qualquer coisa, até mesmo uma resultante da situação na qual ele esteja inserido e busque da maneira dele mascarar a realidade criando uma outra realidade alternativa e fora da situação em que se encontra. Afora meus dramas e problemas pessoais e emocionais, ele, mais que meus problemas, precisa de atenção.
Filhos, só quem os tem sabe que por eles a gente passa por cima de tudo, até pelo desejo de tentar ser feliz. Ele é muito inteligente e criativo, carinhoso e apegado demais a mim. Seria egoísmo submetê-lo a aceitar decisões nas quais ele seria apenas um mero expectador.
Três coisas me intrigam, saber o que se passa com meu filho, descobrir o que minha filha pensa e o porque isso resultou numa alergia emotiva que a deixa com cada vez menos vontade de sair de casa, e por último, assimilar a ideia de que a mãe deles encarou tudo o que acontece conosco com muita altivez e naturalidade. A única coisa que foge a isso, é o que dilacera minha alma, queima meu peito e me enfraquece o espírito: Compreender porque fui descartado com um simples, “ boa sorte, adeus, pensei muito e não é isso que eu quero, não tô preparada, desculpa e até nunca mais”.

Na vida nunca estamos preparados para nada, eu mesmo não sei se vou assimilar este golpe. Pensei que podia ter ao meu lado um amor de verdade, mas as pessoas não são o que parecem ser, de repente se apresentam como são, pisam em seus sentimentos como se eles não fossem nada. Me senti morrer por dentro numa agonia mais letal do que um envenenamento. No momento, me invade uma amargura, apesar de não poder, queria dormir, se não conseguir, tomarei algumas pílulas, elas me fazem dormir profundo, pra que despertar e fundir a cabeça pensando coisas. Preciso dormir, quero esquecer de tudo, sair do mundo, me enterrar bem fundo num rio de lembranças boas que morreram junto com aquele “adeus”, digitado em um celular em meio a uma correria qualquer de uma pessoa que desprezou todas a coisas boas que vivemos, tudo o que tínhamos por viver e talvez até, o maior amor da sua vida. Foi cruel.  Talvez existam coisas aí que ainda não sei, só sei que quero dormir, fechar os olhos e se acordar, imaginar que tudo que acontece agora, seja apenas um pesadelo passageiro.

Crônicas da novela da minha vida

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