segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

SEM LENÇO BRANCO NA PARTIDA

Conversas francas são coisas difíceis, principalmente, com as pessoas mais próximas a você. Tive uma conversa deste tipo este fim de semana. Uma dessas conversas de casais onde a relação precisa ser revista e discutida. Isso acontece quando chega um momento em que as coisas como estão não dão para continuar. Sabe quando se sente que se está sufocado, que o limite está no máximo e você passa a sentir uma pressão tão grande que não há como adiar. A primeira sensação que dá é de procurar um buraco e sumir, se esconder de tudo até a tempestade passar, contudo, o silêncio prolongado só mostra a agonia da tempestade que se aproxima.
A princípio, achei que o tom da conversa seria amargo, que verdades seriam jogadas na cara, mas me surpreendi, pois pensei que seria mais difícil, até que não foi. Depois de tempos de convivência a pessoa te conhece tão bem, que é capar de saber o que te aflige.
Abri meu coração, falei de minha infelicidade por me sentir preso a uma promessa, que agora não faz muito sentido. Falei de outros caminhos, uma busca, uma tentativa de reinício de vida, até se isso envolvesse outra pessoa.
Em troca, depois de analisar a situação, os filhos, os desdobramentos a reação por parte da família, dos amigos, a resposta que tive foi simples assim: vá em busca da sua felicidade, para mim, pena é triste. E, se encontrar alguém que possa te fazer feliz, se agarre a essa chance, pode ser sua última.
As vezes, temos medo de sair de nossa zona de conforto, temos medo do futuro, do que está por vir. Mas ao que parece, tudo vai ser na calma e civilidade. Outro canto, novos hábitos, um pouco mais de solidão, mas em compensação, uma liberdade para poder ser mais eu mesmo.
Contudo, me foi feito um pedido simples, - não se torne ausente, filhos precisam de pais presentes -  agora sei que minhas responsabilidades serão maiores, pois terei que me fazer mais próximo e me desdobrar muito mais para que isso não pareça uma perda.
Sei que levarei um tempo para me adaptar e para fazer a transição para esta nova realidade, mas tudo na nossa vida leva tempo.

Me fiz muitas perguntas, e infelizmente tenho chegado a uma conclusão de que ficarei muito tempo só, pois quem elegi para estar comigo, não está. Isso me deixa triste, mas no amor é assim mesmo, ou quem gosta de você enfrenta tudo e está contigo ou simplesmente te deixa só. E, na medida em que o tempo passa, me sinto cada vez mais só.

Crônica da novela real de minha vida

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