segunda-feira, 28 de abril de 2014

ALÉM DA NOITE


Sei que deveria não refletir sobre a vida, sei também não deveria trabalhar profissionalmente e em outros projetos paralelos neste momento. Deveria simplesmente apagar e deixar que meu corpo e mente descansarem num sono reconfortante durante estas horas em que Morpheus reina absoluto em nosso mundo.
Acredito que aos poucos troquei a luminescência do dia pela solidão da noite. Apesar disso não ser bom, eu sei. Normalíssimo é ser diurno.
Mas a madrugada me agrada, tudo é silêncio, e nesses momentos o silêncio tem uma linguagem viva, ele nos revela aquilo que não conseguimos perceber de dia. Parece-me que há uma conexão maior com o imaterial, pois apesar de cheio de pessoas, acredito que essa conexão se faz maior em virtude de que muitas delas dormem e momentaneamente saem deste mundo. Esse esvaziamento faz com que a percepção do austral, do sensorial, do místico, da inteligência seja potencialmente aumentada.
Não sei porque minha mente flutua e mesmo acordado viajo por mundos estranhos que a própria fé ou crenças em coisa reais ou mesmo que constituem todo o sentido de construção de nossa existência parecem não fazer nenhum sentido.
Mas a vida é assim mesmo, quanto mais buscamos e procuramos, mais dúvidas surgem e mais trilhas se revelam.

A noite não é solitária, é simplesmente uma companheira com a qual podemos compartilhar muito segredos, que em sua grande maioria, nos ajudam a enfrentar os problemas do dia a dia. Isso pode parecer paradoxal, mas como já foi dito, quem tiver ouvidos para ouvir, ouça [o silêncio fala].

segunda-feira, 21 de abril de 2014

SALVA A TI MESMO


A páscoa, muito mais que a saída do povo Hebreu do Egito, muito mais que a simbologia do ovo, do coelho ou do chocolate, pode ser traduzida como sendo uma reflexão de libertação pessoal.
Uma renovação do modo de se pensar e agir. É ter a clarividência que temos mais uma vez a chance de repensar  nossos atos. Se a ressurreição de fato ocorre ou ocorreu, talvez seja muito mais pelo motivo de mudarmos por dentro, renascer das trevas e vir a luz, do que vencer a morte corporal. Vencer a morte espiritual está em primeiro plano. Isso, claro, não sendo simbólico, mas real.
Crenças à parte, o que move cada gesto, cada palavra, cada passo em busca do resultado é a quantidade de fé que depositamos em cada um desses aspectos.
A  fé por si só não faz tudo, é preciso de ações que a caracterizem. Então dependendo de como conduzimos a vida, de como vemos as pessoas e de quanto somos capazes de renascer, temos aí de fato um sentido real de nossa páscoa.
A revisitação religiosa dos mesmos conceitos termina por nos colocar no enfadonho campo da comodidade espiritual, é necessário uma ruptura mais brusca com nossos conceitos. É preciso um conhecimento mais amplo de nós mesmos para que, no momento que mudarmos, sentirmos isso de verdade, e não apenas num simbolismo conveniente para expor aos outros o quanto católicos contritos somos.
Independente da orientação religiosa, crer é mais que acreditar, é dar vida à essa convicção. Como se faz isso?

Vivendo intimamente a sua páscoa, ressuscitando de verdade. Comendo o fruto da consciência para ter a noção exata do bem e do mal em si mesmo. Desça de sua cruz, seja você mesmo o seu salvador.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

TÔ NEM AÍ

Vivemos num mundo onde os valores, caráter, moral, educação e civilidade perdem sentido a cada dia. A banalização da informação (distorcida) termina por não formar, mas  vender a ideia de que o ser humano pode tudo, ou seja,  a concepção do que é de fato ser humano vai de encontro ao entendimento moral, que devia ser o norte da vida.
O destemor a Deus, a certeza da impunidade, a anarquia, o tirar proveito próprio e sobretudo a falta de confiança na boa vontade das pessoas, tem contribuído cada vez mais para o declínio da fibra moral na formação do caráter.
Não sei onde tudo isso vai parar, mas o mundo está moribundo e a beira da morte, estamos tentando nos curar com poções vegetais enquanto a cura está num antibiótico químico fortíssimo. A vontade de sanar a sujeira deveria despertar nas pessoas o desejo de quererem ser cada vez melhores e fazerem um pouco mais do que apenas se acomodar se sua situação está boa, adotando o estilo - que se danem os outros.
O desprezo pela vida, a falta de sensibilidade para com os outros problemas sociais e acima disso a falta de comprometimento político, também é um erro individual que ganha contornos coletivo quando eu me calo e deixo de cobra, de denunciar, de me conscientizar.
Morremos um pouco a cada dia e não percebemos isso por que nos fechamos em nós mesmos. Talvez quando pensemos em despertar, não reste nada para salvar, pois com certeza, já estaremos decompostos em nossa própria podridão.