segunda-feira, 28 de abril de 2014

ALÉM DA NOITE


Sei que deveria não refletir sobre a vida, sei também não deveria trabalhar profissionalmente e em outros projetos paralelos neste momento. Deveria simplesmente apagar e deixar que meu corpo e mente descansarem num sono reconfortante durante estas horas em que Morpheus reina absoluto em nosso mundo.
Acredito que aos poucos troquei a luminescência do dia pela solidão da noite. Apesar disso não ser bom, eu sei. Normalíssimo é ser diurno.
Mas a madrugada me agrada, tudo é silêncio, e nesses momentos o silêncio tem uma linguagem viva, ele nos revela aquilo que não conseguimos perceber de dia. Parece-me que há uma conexão maior com o imaterial, pois apesar de cheio de pessoas, acredito que essa conexão se faz maior em virtude de que muitas delas dormem e momentaneamente saem deste mundo. Esse esvaziamento faz com que a percepção do austral, do sensorial, do místico, da inteligência seja potencialmente aumentada.
Não sei porque minha mente flutua e mesmo acordado viajo por mundos estranhos que a própria fé ou crenças em coisa reais ou mesmo que constituem todo o sentido de construção de nossa existência parecem não fazer nenhum sentido.
Mas a vida é assim mesmo, quanto mais buscamos e procuramos, mais dúvidas surgem e mais trilhas se revelam.

A noite não é solitária, é simplesmente uma companheira com a qual podemos compartilhar muito segredos, que em sua grande maioria, nos ajudam a enfrentar os problemas do dia a dia. Isso pode parecer paradoxal, mas como já foi dito, quem tiver ouvidos para ouvir, ouça [o silêncio fala].

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