segunda-feira, 26 de maio de 2014

A ENVELHESCÊNCIA DOS 50

Com o passar do anos, principalmente depois do 45, viramos pessoas mais consensuais com muitas coisas, eu diria, até mais tolerantes.
Parece que essa condição vem junto com um certo comodismo de buscar coisas que comumente faríamos tudo para conseguir, isso com alguns anos a menos ou há algum tempo atrás.
De repente, a balada do final de semana, um chopp no bar com os amigos, aquela viagem cheia de aventura para qualquer cidade perdida no interior do estado em busca de um bom riacho, um lago, uma cachoeira, uma excursão, parece não ter mais o mesmo atrativo.
Muita coisa passa a não fazer mais sentido. Você começa a se apegar mais a um livro, um bom filme ou prefere um bom descanso. E por incrível que pareça passa a olhar para as garotas mais novas, como se dissesse para si mesmo, o tempo não passou pra mim. Ainda tenho jeito para conquistas - mera ilusão. Talvez essa reação seja para contrapor a uma verdade - que o tempo passa para você.
Aprendi isso quando uma garota de 19 anos me chamou de "tio", meu Pai, nunca alguém que não fosse de fato sobrinho(a) me havia chamado assim, de tio, sabe?!

Isso foi o balde de água fria necessário para cair na real. Me olhei no espelho e vi que os cabelos já estão menos do que a metade, que as marcas de expressão estão mais bem delineadas e que os fios de cabelo branco se multiplicam pelo peito. O corpo nada atlético, com aquela barriguinha de meio pote, quer fazer esporte, mas não obedece de maneira tão apta aos comandos do meu cansado cérebro. A vista, para perto está cada vez mais ausente, isso me obriga a usar óculos que  acda ano aumentam gradativamente de grau. Óculos me fazem cansar rapidamente de leituras longas. Fora isso, as incontinências urinárias, as dores no joelho e o aumento de peso. Deus, o impacto da realidade é algo que acontece diariamente, mas você não percebe, até  notar que já está a beira dos 50 anos e toda essa carga de aditivos. Anos, quem inventou isso, haveria outra maneira melhor de contar os ciclos da existência? Ou quem sabe fosse melhor nem contar, talvez o melhor fosse viver a infância, a adolescência, juventude, maturidade e envelhescência. Depois disso, só descansar.
Já não durmo muito, trabalho mais a noite, a paciência devia ser maior, mas o strees passa a exigir muito de mim, e agora, preciso exigir também, para poder aprender a viver melhor.

tomar meu remédio da pressão na hora certa, dormir mais, não exagerar na comida e assim, tentar me enganar que ainda velho sou jovem. Pois aquela estória de que a gente só fica velho quando o espírito envelhece é balela.

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