quinta-feira, 14 de agosto de 2014

EXILADO


Desde que caí, parece-me, que neste recém-criado mundo, nada é mais doloroso que não desfrutar da luz original. O sol que esses inferiores desfrutam é apenas um tênue reflexo daquilo para qual nós, os Elohins, fomos destinados.
Agora, as sombras envolvem minhas asas, minha pele desfigura-se de um brilho perolado para um ébano marcado pelas intempéries do tempo - e as mechas douradas de meus cabelos ganharam um negritude mais turva que o véu da noite.
As sombras me acolhem melhor agora, a escuridão me impede de olhar meu horrendo reflexo nas águas cristalinas do riacho que cintila por entre as pedras iluminadas pelo brilho azulado do luar. Meus pensamentos se perdem, mas afloram em um ódio imortal que me corta as veias por ter sido banido.
A marcha na desolação do abismo expõe semblantes tristes e desesperançados dos condenados ao eterno exílio.
Não sou mais um guerreiro, nada mais que um errante condenado ao limbo da existência - pensava ele.
Para quem já viveu entre os luzeiros do céu, o pó deste mundo miserável é um castigo cruel por demais.

Eu, um príncipe - condenado por querer que esses filhos de Hu-Mánia, os malditos humanos fossem extintos da existência.

Das crônicas - Insurreição, as Guerras Celestes

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