terça-feira, 30 de setembro de 2014

NÃO ADIANTA

Mesmo que eu te desse todas as coisas do mundo, de nada ia adiantar. E você nem precisava me amar, mas até isso não é sua culpa, eu foi quem não soube achar o caminho pro seu coração, se é que seu coração tem uma caminho ou a pergunta seria, você tem um coração?
Em algum ponto da estrada, parei de acreditar. Deixei que as coisas acontecessem, o tempo passou e eu descobri que me tornei obsoleto. Na real, como e do jeito que as coisas e as pessoas estão, a aventura tomou o lugar do amor. Mas o que é o amor nos dias de hoje? Acho que ele não se transformou em outra coisa, apenas o maquiaram em sensações superficiais. O sentimento foi corrompido, mas eu acredito que bem no fundo de cada ser humano, ele está lá. As pessoas se deixam seduzir facilmente pelo brilho momentâneo que as vezes fascina porque é fulgar, mas do jeito que brilha instantaneamente - apaga-se. Porém, as pedras brutas, ao serem lapidadas brilham permanentemente.
O que você é de verdade, um flash ou uma jóia esperando ser lapidada?

domingo, 21 de setembro de 2014

A MÃO DA CONSCIÊNCIA

Às vezes a vida nos prega peças. Erramos, somos passíveis disso, por fraqueza, por displicência, ignorância, pecado ou falha de caráter. Sim, cometemos falhas, em alguns casos, irreversíveis e irreparáveis. Contudo, há pessoas que sempre nos surpreendem, seja por sua generosidade seja por seus exemplos, e acabam por ver em nossas fraquezas e atitudes uma forma de nos corrigir e ensinar alguma coisa que termina por fazer de nós indivíduos melhores.
Tenho meus erros, mas mesmo que à duras penas, aprendo com eles. Agradeço a Deus pela existência de pessoas que são luzes em nossas vidas e que em momentos de trevas nos chamam a razão.
Elas são o que podemos dizer de certo modo "a mão da consciência".
Sinto-me bem quando posso contar com alguém assim, pois em algum lugar uma força maior a guia, e em ela sendo guia, certamente com sua ajuda estarei caminhando em direção à luz da razão.
Obrigado!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

SENTADO NA PRAÇA, VI UMA CRIANÇA


Sentado na praça vi uma criança
Ela corria e pulava
Pulava e cantava
Caia na grama
E nela rolava.

Sentado na praça eu vi uma criança
Sorria feliz
Feliz se encantava
Brincando com pombos
alegre saltava.

Sentado na praça eu vi uma criança
Seu olhar brilhava
Brilhava e vibrava
Inocente e sutil
Ao meu lado chegava.

Sentado na praça eu vi uma criança
Alheia e serena
Serena dizia
Que  quando crescesse
Alegre seria.

Sentado na praça eu vi uma criança
Me olhou com ternura
Ternura me deu
Aquela criança
Um dia fui eu.

sábado, 6 de setembro de 2014

ECOS DA TUMBA


A morte, temida última viagem
Com o Barqueiro do rio de água escura
Passagem de vida a outras paragens
Em sóbrio esquife de madeira dura.

Foi Anúbis “o justo” quem fez a balança
Que pesa a medida de tua razão
Se ao peso irreal tua vida alcança
Ao demônio é lançado o teu coração.

Não subas no barco sem antes levar
O preço que vale a tua viagem
Sem ouro o barqueiro não deixa passar
E o rio da morte te fecha a passagem.

A almas penadas não há paraíso
Só vôo noturno pelo negro céu
Vagando no limbo o espírito perdido
Gritando sozinho em seu mausoléu.

Na tumba far-se-á um silêncio nefasto
E o aroma das flores será podridão
Das vistas da vida te será herdado
O frio silêncio da escuridão.

Um corvo medonho a noite virá
Na sombria lápide fará sua festa
Tu veio do pó e ao pó voltará
Teu corpo aos germes é só o que resta.

Um sussurro ao vento nos será ouvido
Nas sombras graúnas do final do dia
Um choro profundo como um gemido
Num um apelo extremo de tal agonia.

São ecos da tumba, a tua morada
A morada dos deuses é muito além
Se Hórus em vida de ti se agrada
No templo dos deuses estarás também

A travessia do rio tem o seu mistério
Porém é na terra que teu corpo jaz
O rio da morte é o cemitério
Onde hoje teus restos repousam em paz.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

MORTO-VIVO

Sinto o mundo esvair-se ante meus olhos
mesmo contigo estou na solidão
no quarto, um ar funesto gela-me os ossos
e já não sinto mais o calor de tua mão

Agora as trevas envolvem meu ser
e por mais claridade procuro buscar
não há mais nada a se fazer
que não cerrar os olhos e descansar

Vejo claro o limiar da morte
e vago entre a loucura e a sanidade
partir da vida dói, é um corte
tanto faz viver ou morrer na eternidade

Mas que asco meu corpo reijeita agora,
que terror é este que aflora em mim?
e mesmo em minha última hora
os vermes me comem, fazendo o festim

Malditos vocês que me encarceraram
numa tumba escura de eterno mistério
que no meu enterro sorriram e choraram
e esqueceram a mim em algum cemitério

A negridão da morte é silêncio eterno
embora vague minh'alma de ti bem perto
não me vês nessa danação, pois morri,
não sei se para o céu ou para o inferno.

Fica o aviso para quem está vivo
viva a vida com toda intensidade
porque o caminho que agora sigo
são espinhos que ferem, chamados saudade