sábado, 6 de setembro de 2014

ECOS DA TUMBA


A morte, temida última viagem
Com o Barqueiro do rio de água escura
Passagem de vida a outras paragens
Em sóbrio esquife de madeira dura.

Foi Anúbis “o justo” quem fez a balança
Que pesa a medida de tua razão
Se ao peso irreal tua vida alcança
Ao demônio é lançado o teu coração.

Não subas no barco sem antes levar
O preço que vale a tua viagem
Sem ouro o barqueiro não deixa passar
E o rio da morte te fecha a passagem.

A almas penadas não há paraíso
Só vôo noturno pelo negro céu
Vagando no limbo o espírito perdido
Gritando sozinho em seu mausoléu.

Na tumba far-se-á um silêncio nefasto
E o aroma das flores será podridão
Das vistas da vida te será herdado
O frio silêncio da escuridão.

Um corvo medonho a noite virá
Na sombria lápide fará sua festa
Tu veio do pó e ao pó voltará
Teu corpo aos germes é só o que resta.

Um sussurro ao vento nos será ouvido
Nas sombras graúnas do final do dia
Um choro profundo como um gemido
Num um apelo extremo de tal agonia.

São ecos da tumba, a tua morada
A morada dos deuses é muito além
Se Hórus em vida de ti se agrada
No templo dos deuses estarás também

A travessia do rio tem o seu mistério
Porém é na terra que teu corpo jaz
O rio da morte é o cemitério
Onde hoje teus restos repousam em paz.

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