terça-feira, 2 de setembro de 2014

MORTO-VIVO

Sinto o mundo esvair-se ante meus olhos
mesmo contigo estou na solidão
no quarto, um ar funesto gela-me os ossos
e já não sinto mais o calor de tua mão

Agora as trevas envolvem meu ser
e por mais claridade procuro buscar
não há mais nada a se fazer
que não cerrar os olhos e descansar

Vejo claro o limiar da morte
e vago entre a loucura e a sanidade
partir da vida dói, é um corte
tanto faz viver ou morrer na eternidade

Mas que asco meu corpo reijeita agora,
que terror é este que aflora em mim?
e mesmo em minha última hora
os vermes me comem, fazendo o festim

Malditos vocês que me encarceraram
numa tumba escura de eterno mistério
que no meu enterro sorriram e choraram
e esqueceram a mim em algum cemitério

A negridão da morte é silêncio eterno
embora vague minh'alma de ti bem perto
não me vês nessa danação, pois morri,
não sei se para o céu ou para o inferno.

Fica o aviso para quem está vivo
viva a vida com toda intensidade
porque o caminho que agora sigo
são espinhos que ferem, chamados saudade

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