quarta-feira, 19 de agosto de 2015

TALENTOS PERDIDOS



Das muitas coisas que lembro de meus tempos de menino, uma delas foi não ter imaginado o que eu ia de fato me tornar quando crescesse. Por desenhar, talento natural, muitas pessoas naquela época já admiravam meu traço, dizendo “nossa como ele desenha bem, é um verdadeiro artista”. Mas o que realmente é ser um artista?
Trabalhar com arte, ser bom no que faz, desenvolver um trabalho que o qualifique e diferencie dos demais, ou simplesmente vencer na vida.
A conclusão mais óbvia que tiro disso é: hoje, quem consegue sobreviver já é um artista.
Às vezes, me sinto como o servo que recebeu 1 talento e não o fez render. Talvez as faltas de condições econômicas tenham me levado por outros caminhos e me distanciado de explorar melhor o meu talento.  A vida nunca me foi fácil, contudo, a cada dia reinvento meu caminho. Mas o que é nossa estrada, senão o desdobrar de novos caminhos. Vejo em meus filhos o mesmo talento nato que eu tenho. Mas, quero que eles tenham todas as condições para escolher melhor que potencial querem desenvolver. Quanto a meus talentos, não sofro por não tê-los explorado em todo seu potencial, mas acredito que poderia sim, ter traçado outras rotas e mudar os rumos do meu caminho. Talvez corramos contra o tempo para transformar nossos sonhos em realidade, mas, o tempo é cruel, quando não conseguimos, tentamos realizá-los em nossos filhos. A diferença, é que hoje, eles podem escolher, ontem a gente se agarrava à primeira e única opção, quando se tinha a chance.
Então, façamos render nosso talentos, mas se não conseguirmos, com o pouco que sabemos, ajudemos nossos filhos a desenvolver os seus.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A VIAGEM


Sinto apagar em mim a chama que resta
Se perde no quarto o último suspiro
Os olhos contemplam a luz pela fresta
Na febre que queima  o ar que respiro.

Quem vem me buscar na viagem final
És tu irmã morte a estender a mão?
A hora esperada não me é fatal
Pois ansiava ir embora deste mundo cão

A missão nesta era já está cumprida
Não há sonhos ou coisas por acabar
Meu destino se fez em um tempo de vida
Não preciso de nada, a não ser viajar

me guia agora desconhecida amiga
Mostra os segredos da imensidão
Como um ente querido em tua casa abriga
Esse andarilho perdido da escuridão