quarta-feira, 2 de setembro de 2015

NO CALOR DA NOITE


Uma noite de sono bom quando é perdida faz muita falta, no entanto, é suportável. O que não é suportável é perder duas noites de sono, seguidas. 
Sem contar que se pode dormir com calor e até com falta de energia. Quem tem pode colocar uma toalha molhada no pescoço, tomar banho (quando a água não resolve ir embora também) e balançar numa rede, se tiver. Uma terra dessas em que árvores deixou de ser prioridade e prédio virou sombra pra carro e sinal de ascenção social para a nova classe média, a temperatura infernal manda lembrança perpetuamente. Não, a noite não é amena, é quente mesmo. Minha filha fala sempre "obrigado Teresina", numa clara reprovação de quão é difícil viver aqui. Não pelas pessoas, não pela acolhida, não pelos amigos. Mas pelos dias esturricantes e noite desconfortáveis, além disso, a fumaça que invade a noite e que vem, pasmem, ainda aqui na cidade, das queimadas. Cinza, fumaça, ardência nos olhos, dificuldade de respirar.  Tudo isso junto. Mas não diga, é só no BR-Ó-BRÓ, é não, é assim mesmo o tempo todo. E quando chove, uma hora depois o mesmo sol causticante volta a lembrar que chuva é visão mágica para poucos.
Mas, voltemos à noite. Some-se calor, falta de uma brisa, cinza caindo e sujando tua casa (em plena zona urbana), falta de energia elétrica (aqui salve, salve Eletrobrás, saudades eternas da Cepisa) temos a noite perfeita de inferno na terra. As crianças não conseguem dormir, os pais também não, preocupados com elas. No outro dia, como acordar cedo, como render bem no trabalho ou na escola.
Ah, esqueci do melhor em tudo isso, para coroar com louros a noite, faltou falar nela, a que é capaz de fora tudo o que já foi dito, ser capaz de atormentar como uma praga do antigo Egito: A muriçoca.
Zumbindo, picando, enchendo o saco. Não, não há raquete elétrica, não há inseticida, não há filó, nada, mas nada mesmo é pior que o zumbido e as picadas dessa praga de asas. Me congelem, me lacrem em uma câmera criogênica, me levem a qualquer lugar sem isso ou me deixem hibernar, por fim, me chamem, me acordem quando esse pesadelo passar.
Ô noite!

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