quarta-feira, 17 de agosto de 2016

APRENDENDO A SER PAI



 Pai,
tenho ainda tantas coisas para te ensinar. Sim, porque o amor te fez mestre mas teus filhos te fazem aluno. Lembra-te pai, quando me ensinou a esperar o tempo certo de cada coisa?
Igual paciência eu te ensinara bem antes enquanto ainda ansiosamente esperavas nove meses para ser pai.
A mesma paciência que tantas e tantas vezes fiz questão de te ensinar todas as noites em que chorando, te fazia acordar no meio da madrugada.
Lembra-te pai, quando sorrindo me ensinou a falar as primeiras palavras?
Antes mesmo eu te ensinara o significado de amor que mal cabia no seu dicionário.
Lembra-te ainda quando me ensinou a dar os primeiros passos, pai?
Muito antes disso você já havia movido montanhas por mim.
Ah pai, tantas coisas ainda tenho para te ensinar!
Você nasceu ao mesmo tempo que eu,
E cresce todo dia junto a mim,
E como filha orgulhosa te vejo crescer
Como professora atenciosa te vejo aprender.
Seu coração todos os dias ensina, aprende, ama, constrói, sonha.
Ser pai é ser escola da vida, professor e aluno.
Ser pai é ensinar a sonhar.
Ser pai é aprender a amar.
Renova-se todos os dias, sempre há mais uma página a ser escrita nesse livro que escrevemos lado a lado, desde que nascemos e começamos esse aprendizado
com  Paciência
        Amor
        Inteligência
Palavras tão puras e tão serenas
Mas nem de longe tão belas e tão plenas quanto a palavra PAI.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

MICRO-CONTOS DE TERROR


Uma granada me tirou os sentidos, fui arrastado para dentro da trincheira por Joe, só que Joe havia morrido no dia anterior.

Pela imagem do espelho vi alguém armado no quarto, gritei para alertar Julie, o estranho olhou pra mim e eu vi seu rosto no espelho, era eu mesmo.

Um barulho me chamou atenção, fui até o jardim, o balanço estava em movimento, meu filho estava sentado nele. Me aproximei, ele não me viu chegar, eu o ouvi dizer chorando baixinho: pai porque você morreu?

Além de bonita, sua companhia era agradável, a noite ia alta, sentamos num banco de praça e ela me disse: Quando era viva, costumava vir aqui.

No banco do carona ela me olhava fixamente, e por mais veloz que dirigisse, ela não se abalava. Percebi naquele instante que pelo resto da vida seria atormentado pela moça que matei atropelada na estrada.

Minha mente despertou, mas tudo em mim está paralisado. O veneno que ela usou não me matou. Mas esse barulho de arrasto? Essa calor.  Meu Deus, estou no crematório.

Marcos ia me contar alguma coisa. Mas foi morto, seu enterro foi hoje a tarde. A noite, dormi amargurado. As duas da madrugada o celular toca, atendo. Uma voz diz “sei o nome do assassino” perguntei quem falava, a voz responde “Marcos”.

Meu filho acordou no meio da noite aos gritos, corri até lá. Olhei e não havia nada debaixo da cama, ele disse que havia saído pela janela. Desci ao jardim, tudo estava calmo, o cão nem latira. Sentei na varanda, adormeci, acordei com o cão ao meu lado, em sua boca uma mão decepada, com garras.